As raízes da história da Páscoa: De onde vieram as crenças cristãs sobre a ressurreição de Jesus?

Um mosaico da Ressurreição na Basílica de São Paulo em Harissa, Líbano. FredSeiller/Wikimedia Commons Aaron Gale, West Virginia University Com a aproximação da Páscoa, os cristãos de todo o mundo começam a se concentrar em dois dos princípios centrais de sua fé: a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré. Outros mestres judeus carismáticos ou operadores de milagres estavam ativos na Judeia na mesma época, aproximadamente há 2.000 anos atrás. O que diferenciava Jesus era a crença de seus seguidores em sua ressurreição. Para os crentes, isso não era apenas um milagre, mas um sinal de que Jesus era o tão esperado messias judeu, enviado para salvar o povo de Israel de seus opressores. Mas será que a ideia de uma ressurreição em si era uma crença única na Israel do primeiro século? Sou um estudioso do judaísmo antigo e sua conexão com o movimento cristão primitivo. O conceito cristão de Jesus ressuscitando dos mortos ajudou a moldar muitos dos principais ensinamentos da fé e, por fim, a separação da nova religião do judaísmo. No entanto, os ensinamentos religiosos sobre a ressurreição remontam a muitos séculos antes de Jesus ter vivido na Terra. Há histórias que provavelmente são anteriores às crenças judaicas primitivas em muitos séculos, como a história egípcia do deus Osíris sendo ressuscitado por sua esposa, Ísis. Entretanto, o mais relevante para o cristianismo são as próprias ideias do judaísmo sobre a ressurreição. ‘Seus mortos viverão’ Uma das primeiras referências judaicas escritas à ressurreição na Bíblia é encontrada no Livro de Isaías, que discute uma era futura, talvez uma época de julgamento final, na qual os mortos ressuscitariam e estariam sujeitos à justiça final de Deus. “Seus mortos viverão; seus cadáveres se levantarão”, profetiza Isaías. “Os que habitam no pó despertarão e gritarão de alegria”. O Grande Pergaminho de Isaías: o mais bem preservado dos pergaminhos bíblicos encontrados em Qumran, perto do Mar Morto, que provavelmente foi escrito por volta do século II a.C. Ardon Bar Hama/The Israel Museum, Jerusalem/Wikimedia Commons Textos bíblicos judaicos posteriores, como o Livro de Daniel, também faziam referência à ressurreição. Havia várias seitas judaicas concorrentes na época em que Jesus viveu. A mais proeminente e influente, os fariseus, integrou ainda mais o conceito de ressurreição ao pensamento judaico. De acordo com o historiador Josefo, do primeiro século, os fariseus acreditavam que a alma era imortal e poderia ser reunida a um corpo ressuscitado – ideias que provavelmente teriam tornado a ideia de Jesus ressuscitando dos mortos mais aceitável para os judeus de sua época. Em poucos séculos, os rabinos começaram a fundir as referências bíblicas anteriores à ressurreição corporal com as ideias posteriores dos fariseus. Em particular, os rabinos começaram a discutir o conceito de ressurreição corporal e sua conexão com a era messiânica. O Cemitério Judaico no Monte das Oliveiras, em Jerusalém. Os túmulos estão voltados para o Monte do Templo, onde alguns acreditam que a ressurreição dos mortos culminará. xiquinhosilva/Wikimedia Commons, CC BY Os judeus acreditavam que o Messias legítimo seria um descendente do rei bíblico Davi que venceria seus inimigos e restauraria Israel à sua glória anterior. Nos séculos seguintes à morte de Jesus, os rabinos ensinaram que as almas dos mortos seriam ressuscitadas depois que o Messias aparecesse na Terra. Por volta do ano 500 d.C., os rabinos desenvolveram ainda mais o conceito. O Talmud, a mais importante coleção de escritos autorizados sobre a lei judaica, além da própria Bíblia, observa que aquele que não acredita na ressurreição não tem participação no “Olam Haba”, o “Mundo Vindouro”. O “Olam Haba” é o reino no qual esses sábios acreditavam que a alma de uma pessoa acaba habitando após a morte. É interessante notar que o conceito de inferno em si nunca foi incorporado ao pensamento judaico convencional. Mesmo agora, o conceito de Deus dando vida aos mortos é afirmado todos os dias no Amidah, uma oração judaica recitada como parte dos serviços diários da manhã, da tarde e da noite. Velhas ideias, novas crenças O fato de os primeiros seguidores de Jesus serem judeus provavelmente contribuiu para que o conceito de ressurreição se tornasse arraigado no pensamento cristão. No entanto, a compreensão cristã da ressurreição foi levada a um nível sem precedentes nas décadas seguintes à morte de Jesus. De acordo com o Evangelho de Mateus, Jesus, um judeu da Galileia, entrou em Jerusalém nos dias anteriores à Páscoa. Ele foi acusado de sedição contra as autoridades romanas – e provavelmente de outras acusações, como blasfêmia – em grande parte porque estava causando um distúrbio entre os judeus que se preparavam para celebrar o feriado. Naquela época, a Páscoa era uma festa de peregrinação na qual dezenas de milhares de judeus viajavam para Jerusalém. Depois de ser traído por um de seus seguidores, Judas, Jesus foi preso, levado às pressas a julgamento e condenado à crucificação. As autoridades romanas desejavam manter a pax Romana, ou paz Romana. Elas temiam que a agitação em meio a um grande festival pudesse levar a uma rebelião, especialmente devido à acusação de que pelo menos alguns dos seguidores de Jesus acreditavam que ele era o “Rei dos Judeus”, como foi registrado mais tarde nos Evangelhos de Mateus e Marcos. Os crucifixos geralmente exibem a abreviação latina ‘INRI’, abreviação de ‘Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus’. Esta estátua na Abadia de Ellwangen, na Alemanha, mostra a abreviação em três idiomas. Andreas Praefcke/Wikimedia Commons, CC BY-SA De acordo com os Evangelhos, Jesus foi levado à morte no que hoje é a Sexta-Feira Santa e ressuscitou no terceiro dia – que hoje é celebrado como Domingo de Páscoa. Os primeiros seguidores de Jesus acreditavam não apenas que ele havia ressuscitado, mas que era o tão esperado messias judeu, que havia cumprido profecias judaicas anteriores. Por fim, eles também adotaram a ideia de que ele era o divino Filho de Deus, embora os estudiosos ainda debatam exatamente como e quando isso ocorreu. Além disso, a natureza da ressurreição de Jesus continua sendo uma fonte de debate
Sexta-feira da Paixão em Ouro Preto: O drama barroco que silencia as ladeiras

Foto: Ane Souz Ouro Preto amanhece em silêncio nesta Sexta-feira da Paixão, mas é um silêncio preenchido pela memória e pela música. O dia, que é o coração do Tríduo Pascal, é marcado por ritos que transformam a cidade em um imenso cenário de luto e devoção, onde a arte barroca e a liturgia se fundem para narrar o sacrifício de Cristo. A jornada penitencial começa cedo, às 06h, com a caminhada que parte da Capela de São Cristóvão em direção à Capela do Senhor do Bom Fim e Agonia. É o prelúdio de um dia de intenso simbolismo. Às 09h, na Basílica do Pilar, ocorre o Sermão das Sete Palavras, um dos momentos mais aguardados. As últimas frases de Jesus na cruz são intercaladas por composições dolentes executadas pelo Coral Francisco Gomes da Rocha e pela Orquestra Pe. Simões, mantendo viva a tradição das orquestras coloniais que definem a sonoridade mineira . O fato principal da tarde é a Solene Ação Litúrgica, às 15h, horário que a tradição cristã marca como a morte de Jesus. Na Basílica do Pilar, o rito inclui a veneração da Santa Cruz e o Canto dos Impropérios, executado pelo Coral Sant’Ana. Os Impropérios são lamentos em que Cristo questiona a ingratidão do povo, um momento de profunda introspecção litúrgica . Celebrações semelhantes ocorrem simultaneamente na Igreja de São Francisco de Paula e na Capela de São Sebastião, espalhando o clima de oração por diferentes bairros. O ápice do drama ocorre ao cair da noite. Às 20h, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o Sermão do Descendimento da Cruz reúne milhares de fiéis. Após a apresentação do figurado bíblico, a imagem do Senhor Morto é retirada da cruz em um rito de forte carga teatral e emocional. Em seguida, inicia-se a Procissão do Enterro, que conduz as imagens do Senhor Morto e da Virgem Dolorosa até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição .
Quinta-feira Santa em Ouro Preto: O rito que não termina e o silêncio que ocupa as Igrejas

Foto: Ane Souz Quem participa da Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Pilar ou na Matriz da Conceição, em Ouro Preto, pode estranhar o encerramento. Diferente de todas as outras celebrações do ano, não há o “Ide em paz” nem a bênção final do sacerdote. O povo se retira em silêncio, enquanto as igrejas, antes adornadas, são despidas de suas toalhas e ornamentos. Esse gesto litúrgico, conhecido como a Desnudação dos Altares, marca o início do período mais sagrado do calendário cristão: o Tríduo Pascal. O fato principal desta celebração é a continuidade do rito. A ausência da bênção final sinaliza que a missa da Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão na Sexta-feira e a Vigília Pascal no Sábado são, na verdade, uma única e longa liturgia que se estende por três dias . Em Ouro Preto, essa transição é vivida com uma intensidade que remonta ao século XVIII, onde o som dos sinos é substituído pelo lamento das matracas, instrumentos de madeira que produzem um som seco e fúnebre. O desdobramento desse rito ocorre logo após a comunhão, com a Trasladação do Santíssimo Sacramento. O pão consagrado é levado em procissão interna para um altar lateral, simbolizando a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. É nesse momento que as igrejas barrocas de Ouro Preto revelam sua face mais austera. Os altares são despojados de tudo o que os embeleza, um gesto que a liturgia chama de “jejum dos olhos”, convidando o fiel a focar exclusivamente no sacrifício de Cristo . Nas ladeiras da cidade, o silêncio das naves encontra o fogo das tochas. A Procissão do Fogaréu, retomada recentemente após décadas de interrupção, encena a prisão de Jesus. À luz de archotes e ao som de tambores, o rito medieval percorre as ruas de pedra, reforçando a atmosfera de vigília que toma conta da antiga Vila Rica . Para os moradores e visitantes, a Quinta-feira Santa não termina com o fim da missa, mas se transforma em uma noite de guarda e oração. A segurança jurídica e o rigor histórico desta cobertura baseiam-se nas orientações litúrgicas da Igreja Católica e na tradição oral e documental das paróquias locais. Como destaca o Guia Editorial do Vintém, é essencial registrar que, embora a festa seja pública, o recolhimento é a tônica do momento. A ausência da bênção é, portanto, o convite final para que o fiel permaneça em estado de celebração até a alegria da ressurreição no domingo. Programação desta quinta-feira santa 17h – Santa Missa Solene Cantada “In Coena Domini” (da Ceia do Senhor) na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com participação do Coral Cristo Rei.Transladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim, onde permanecerá em adoração até as 24h, e desnudação dos altares da Basílica.No mesmo horário, haverá Santa Missa na Igreja de São Francisco de Paula, com participação do Coral Pequenos Cantores de Sant’Ana, e na Capela de São Sebastião. 20h30 – Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, piedoso sermão do Mandatum, seguido da comovente recordação do ato em que Jesus lava os pés dos seus discípulos. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e Orquestra Pe. Simões. Na noite de Quinta-feira Santa, ou das Endoenças, como era chamada, segundo relatos históricos, acontecia uma procissão que saía da Capela de Sant’Ana, na Santa Casa de Misericórdia para a Matriz do Pilar, onde tomavam consigo a imagem do Cristo e conduziam-na até a Matriz de Antônio Dias. Essa procissão, que era chamada de fogaréu em razão das tochas que os irmãos levavam acesas, revive a cena da prisão do Senhor, no Horto das Oliveiras, depois de haver ceado com seus apóstolos e sua condução ao julgamento. 23h – Concentração no adro da Igreja de São Francisco de Assis, de onde os fiéis sairão em cortejo processional pelas ruas do Centro Histórico, onde tomarão a imagem do Senhor Aprisionado, e continuarão em procissão, ao som das matracas, até o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição.
Ouro Preto poderá ter Minha Casa, Minha Vida em 2026

Dois alvarás emitidos, seleção federal aberta. Pela primeira vez, MCMV pode chegar a Ouro Preto.
Prefeitura emite alvará para 88 casas populares no Santa Cruz

Tem alvará, aprovação do IPHAN e projeto pronto. Falta a construtora: os interessados desistiram
UFOP terá primeiro hospital universitário da região, com R$ 228,5 mi e 246 leitos em Mariana

Recursos vêm do Fundo Rio Doce; obras devem começar em novembro e durar 30 meses
BDMG oferece crédito com taxa reduzida para mulheres empreendedoras e produtoras rurais de Minas até 31 de março

BDMG crédito mulheres empreendedoras | Vintém Serviço público · Economia Linha de crédito do banco estadual está com condições especiais durante o mês de março, com juros mais baixos, até 12 meses de carência e consultoria gratuita do Sebrae para quem contratar até o fim do mês Jiljana Isidoro · Vintém · 13 de março de 2026 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está com linha de crédito especial para mulheres empreendedoras ativa durante o mês de março, com taxa promocional de 0,33% ao mês mais a Selic — abaixo das condições habituais. O prazo de pagamento é de até 48 meses, com 12 meses de carência. A contratação pode ser feita de forma digital, pelo site do BDMG, até o dia 31 de março. Também inédita neste ano, a redução de taxas de março foi estendida às mulheres produtoras rurais, por meio da linha BDMG Agro Repasse, operada pelas cooperativas de crédito parceiras do banco. 💳 Como contratar — BDMG Mulher Empreendedora ⚠️ Prazo: até 31 de março de 2026 Taxa 0,33% ao mês + Selic (taxa promocional de março) Pagamento Até 48 meses, com 12 meses de carência Requisito Empresa com participação societária feminina igual ou superior a 50% do capital social, há mais de seis meses Bônus Consultoria técnica gratuita e personalizada do Sebrae Minas para quem contratar até 31/03 Como contratar De forma digital pelo site do BDMG: bdmg.mg.gov.br Produtoras rurais Acesso pela linha BDMG Agro Repasse, via cooperativas de crédito parceiras — lista disponível no site do banco Um em cada três pequenos negócios tem mulher à frente Negócios liderados por mulheres representam 40% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais, segundo dados do Sebrae Minas. Em 2025, o BDMG liberou R$ 73,2 milhões em crédito para 1,2 mil empresárias por meio das linhas destinadas a elas. “Oferecer um crédito acessível é decisivo para impulsionar o empreendedorismo feminino, permitindo que elas explorem todo o potencial dos seus negócios.” — Letícia Guerra, gerente do BDMG Esta é a segunda edição consecutiva da parceria entre BDMG e Sebrae com foco na mulher empreendedora. A novidade deste ano é a inclusão das produtoras rurais nas condições especiais de março — uma extensão que amplia o alcance da iniciativa além dos centros urbanos. 📊 Em números 40% das MPEs mineiras têm participação feminina majoritária R$ 73,2 mi liberados pelo BDMG para mulheres empreendedoras em 2025 1,2 mil empresárias atendidas em Minas Gerais no ano passado A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou o papel da iniciativa no contexto mais amplo de fomento ao empreendedorismo feminino. *”O empreendedorismo é um caminho de autonomia e liderança para as mulheres mineiras, portanto uma preocupação do Governo de Minas é criar condições para que elas transformem ideias em negócios, levem soluções ao mercado e tirem seus projetos do papel”*, afirmou. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
O que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro

Fernando Gomes, Universidade de São Paulo (USP) e Daiana Petry, Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) Durante muito tempo, falar sobre aromaterapia no contexto científico soava quase como uma contradição. Os aromas eram associados a bem-estar subjetivo, tradição ancestral ou experiências sensoriais difíceis de medir. Porém, um conjunto de revisões e estudos experimentais vem mostrando que certos óleos essenciais podem modular respostas reais do organismo — com resultados que vão desde a redução de estresse e ansiedade, acompanhada de mudanças em marcadores como frequência cardíaca e pressão arterial, até alterações mensuráveis na atividade cerebral associadas a estados de relaxamento vigilante, atenção e flexibilidade cognitiva. A resistência aos aromas não surgiu apenas da ausência de dados, mas de uma herança histórica. Desde o século XIX, o olfato foi considerado um sentido “menor” na hierarquia científica ocidental. A partir de interpretações anatômicas feitas pelo médico francês, anatomista e antropólogo Paul Broca (1824-1880), difundiu-se a ideia de que a evolução da racionalidade humana estaria associada à redução do sistema olfativo, como se o cheiro pertencesse ao domínio do instinto e não da cognição. Essa hipótese, hoje ultrapassada, contribuiu para que o olfato fosse marginalizado em áreas como a medicina, a psicologia e a neurociência por mais de um século. Pesquisas contemporâneas têm demonstrado o oposto: o sistema olfativo humano é altamente sofisticado e profundamente integrado às redes cerebrais de emoção, memória, tomada de decisão e regulação fisiológica. A simples inalação de um aroma é capaz de interagir com estruturas como a amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regiões centrais para o comportamento humano. Com isso, esse cenário está mudando de forma consistente. Hoje, a neurociência está começando a mapear como as moléculas aromáticas presentes nos óleos essenciais podem interagir com o sistema nervoso e influenciar estados emocionais e fisiológicos. Do misticismo ao mecanismo Uma revisão narrativa, publicada em 2025 e indexada no PubMed, intitulada “A Narrative Review of Aromatherapy: Mechanisms and Clinical Value in Physiological and Psychological Regulation”, sintetizou o que a literatura científica tem revelado até o momento sobre os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aromaterapia. Trata-se de um marco importante porque desloca o debate do campo do “funciona ou não funciona” para uma pergunta mais profunda: quais sistemas cerebrais parecem ser modulados pelos aromas e por quais vias isso pode ocorrer? Essa revisão permitiu aos autores organizar dados sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos dos aromas e a base neurobiológica por trás deles. Ela também indica que pesquisas futuras devem aprofundar mecanismos de ação, biodisponibilidade dos compostos aromáticos e segurança a longo prazo, para estimar com mais precisão o potencial terapêutico da aromaterapia. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores afiliados a instituições como Shenzhen Traditional Chinese Medicine Hospital e Southwest Medical University, na China. O caminho direto do aroma ao cérebro O olfato possui uma via privilegiada de acesso ao cérebro. Quando inalamos um aroma, as moléculas odoríferas ativam receptores no epitélio olfatório, que se conecta diretamente ao bulbo olfatório. A partir dali, a informação segue para estruturas do sistema límbico — como amígdala e hipocampo — regiões envolvidas em emoção, memória e motivação, sem passar previamente pelo tálamo, filtro de outros sentidos. Essa característica anatômica explica por que os aromas têm capacidade de evocar emoções, memórias e estados fisiológicos de forma rápida e muitas vezes inconsciente. A revisão destaca que essa ativação límbica está associada à modulação de neurotransmissores centrais para a regulação emocional e cognitiva, como serotonina, dopamina, GABA e noradrenalina. Além dessa rota neural direta, a inalação de óleos essenciais envolve também uma rota fisiológica complementar. Parte das moléculas aromáticas inaladas alcança os pulmões, onde pode atravessar o epitélio respiratório e entrar na circulação sistêmica. Isso significa que o efeito dos aromas não se restringe a uma experiência simbólica ou subjetiva. Há também um efeito observável no organismo, em que compostos voláteis podem alcançar tecidos e influenciar parâmetros fisiológicos. Essas duas vias, que chamamos de olfatória e respiratória, ajudam a compreender por que a aromaterapia desperta um crescente interesse científico. Ansiedade, humor e regulação do sistema nervoso Entre os achados mais consistentes revisados estão os efeitos ansiolíticos e moduladores do estresse de determinados óleos essenciais, especialmente aqueles ricos em monoterpenos e ésteres. O linalol, por exemplo, presente na lavanda, demonstra interação com receptores GABAérgicos, o que ajuda a entender a redução de excitabilidade neuronal e a sensação de calma relatada em diferentes estudos clínicos. A revisão também aponta evidências de efeitos antidepressivos leves a moderados, associados à influência dos aromas sobre circuitos dopaminérgicos e serotoninérgicos. Importante ressaltar: não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de compreender como estímulos olfativos podem atuar como moduladores do sistema nervoso autônomo e do eixo estresse–emoção, especialmente em contextos de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga cognitiva. Em um estudo clínico anterior com 140 participantes, a inalação do óleo essencial de lavanda a cada oito horas, durante quatro semanas, mostrou-se capaz de prevenir a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres no pós-parto, reduzindo de forma considerável os escores dos testes para essas condições. Os escores das escalas utilizadas permaneceram menores até três meses após o início da intervenção, em comparação ao grupo controle, sugerindo que a inalação da lavanda produziu efeitos sustentados ao longo do tempo. Apesar desses resultados promissores, ainda não há consenso científico claro sobre por quanto tempo essas modulações neuroemocionais persistem após o término do estímulo aromático. Essa é uma lacuna relevante para pesquisas futuras, uma vez que muitos estudos concentram-se em efeitos imediatos ou de curto prazo, observados durante ou logo após a inalação ou aplicação tópica dos óleos essenciais. Aromas e função cognitiva: o cérebro em tempo real Um segundo eixo relevante dessa discussão emerge de estudos que conectam aromaterapia à neurofisiologia mensurável. O artigo, publicado no Journal of Medical Signals & Sensors, traz dados interessantes ao utilizar eletroencefalografia (EEG) para avaliar as alterações em padrões de ondas cerebrais (como theta, alpha e beta) associadas a atenção, relaxamento vigilante e à flexibilidade cognitiva após a inalação do óleo essencial de lavanda. É
Edital de licitação para obra de contenção do Morro da Forca deve ser publicado nos próximos dias

Licitação Morro da Forca | Vintém Acompanhamento de obras · Infraestrutura Prefeitura reuniu-se com a Seinfra para ajustes técnicos finais antes da publicação. Obra orçada em mais de R$ 34 milhões conta com recursos federais que estavam parados desde 2012 Jiljana Isidoro · Vintém · 11 de março de 2026 A Prefeitura de Ouro Preto realizou reunião técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) para vistoria e alinhamento dos ajustes finais que antecedem a publicação do edital de licitação da obra de contenção do Morro da Forca. Segundo o município, o edital deve ser publicado nos próximos dias. A obra é classificada pela administração municipal como estruturante e estratégica. A contenção da encosta é considerada necessária para a segurança da área e da população do entorno, que convive há anos com o risco geológico no local. “A licitação desta obra é fruto de um trabalho intenso da gestão municipal, que resgatou o convênio do PAC do ano de 2012, elaborou e forneceu o projeto ao Governo do Estado e articulou ativamente junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos, que somarão mais de R$ 34 milhões. Além disso, o trabalho da gestão municipal continuará no acompanhamento da licitação e na fiscalização da execução da obra.” — Franklin Evangelista, secretário municipal de Obras Recursos parados por mais de uma década Os recursos que financiam a obra têm uma história longa. Depositados na Caixa Econômica Federal em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante o governo da presidente Dilma Rousseff, ficaram retidos por mais de uma década sem que a obra avançasse. O prefeito Angelo Oswaldo já havia criticado publicamente a “inércia de muitos governos” que mantiveram os recursos parados. Em 2022, um deslizamento destruiu o Casarão na área, tornando a intervenção ainda mais urgente. Em 2024, as obras de drenagem na encosta foram concluídas como etapa preparatória. Agora, com o edital prestes a ser publicado, a fase de contratação da obra principal se aproxima. 📊 Os números da obra R$ 34 mi+ valor total dos recursos federais para a obra de contenção +13 anos tempo em que os recursos estiveram retidos na Caixa Econômica Federal 2024 conclusão das obras de drenagem na encosta, etapa preparatória 313 áreas de risco geológico mapeadas em Ouro Preto, segundo a Defesa Civil ⏱️ Linha do tempo 2012 Governo federal deposita recursos na Caixa Econômica Federal no âmbito do PAC 2022 Deslizamento destrói o Casarão no Morro da Forca, agravando urgência da intervenção 2024 Obras de drenagem concluídas como etapa preparatória para a contenção 2026 Prefeitura reúne-se com Seinfra; publicação do edital de licitação prevista para os próximos dias Com a publicação do edital, abre-se o processo formal de seleção da empresa que executará a obra. O município informou que acompanhará tanto a licitação quanto a execução. A Seinfra, por sua vez, participou da vistoria técnica como parte do processo de validação antes da abertura do certame. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
UFOP instala Bancos Vermelhos em todos os campi nesta segunda em ato pelo fim da violência contra mulheres

Banco Vermelho na UFOP | Vintém Urgente e Incendioso · Serviço público Símbolo que nasceu na Itália e virou lei no Brasil em 2024 chega à universidade com informações sobre como denunciar violência de gênero — incluindo pela Ouvidoria Feminina da própria UFOP Jiljana Isidoro · Vintém · 9 de março de 2026 A Universidade Federal de Ouro Preto inaugura nesta segunda-feira (9) Bancos Vermelhos em todos os seus campi — Ouro Preto, Mariana, Ipatingae João Monlevade. A instalação simultânea faz parte de uma iniciativa nacional coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que leva o símbolo a diversas universidades e institutos federais no mesmo dia. O Banco Vermelho é um símbolo de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Cada exemplar instalado na UFOP traz também informações objetivas sobre como denunciar casos de violência de gênero — incluindo os canais disponíveis na própria universidade, entre eles a Ouvidoria Feminina, criada exclusivamente para receber esse tipo de denúncia. O registro pode ser feito pelo portal Ouvidoria Feminina UFOP e pode ser anônimo. O projeto nasceu na Itália em 2016 como um gesto simbólico: bancos pintados de vermelho espalhados por praças e espaços públicos para marcar a ausência das mulheres vítimas de feminicídio. No Brasil, a prática ganhou força nos últimos anos e, em 2024, foi incorporada à legislação federal — passando a integrar o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização para o fim da violência contra a mulher. A instalação de amanhã, no entanto, acontece um dia após o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres — o que reforça o caráter de posicionamento institucional da iniciativa. Em Mariana, a iniciativa ganha peso adicional. A cidade ainda convive com a comoção gerada pelo feminicídio de Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e de sua filha Maria Fernanda, 2 anos, assassinadas em 3 de fevereiro no bairro Santa Clara. O crime mobilizou a comunidade — e colocou em debate também o papel da imprensa e das instituições no enfrentamento à violência doméstica. A UFOP tem dois campi na cidade, e ambos receberão bancos nesta segunda. 📍 Programação — instalação dos Bancos Vermelhos na UFOP · 9 de março Ouro Preto 9h Campus Morro do Cruzeiro · gramado em frente à portaria principal Ipatingaa 9h Instituto de Saúde e Humanidades (ISH) · Rua Graciliano Ramos, 719, Cidade Nobre Mariana — ICSA 14h Instituto de Ciências Sociais Aplicadas · Rua do Catete, 166, Centro Mariana — ICHS 15h30 Instituto de Ciências Humanas e Sociais · Rua do Seminário, s/n, Centro João Monlevade 14h Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea) · Rua Trinta e Seis, 115, Loanda A Ouvidoria Feminina da UFOP funciona como um canal institucional dedicado a situações de violência de gênero vividas por integrantes da comunidade universitária. As denúncias são feitas pelo portal ufop.br/ouvidoria e podem ser realizadas de forma anônima. Mais informações sobre o projeto Banco Vermelho estão disponíveis em [LINK — Saiba mais sobre o projeto]. 📞 Canais de apoio — violência contra a mulher 180 · Central de Atendimento à Mulher — gratuito, sigiloso, 24h por dia 190 · Polícia Militar — emergências 181 · Disque Denúncia MG — ligação gratuita Ouvidoria Feminina UFOP · ufop.br/ouvidoria · pode ser anônima CREAS · apoio social e psicológico · Ouro Preto, Mariana e Itabirito · procure a Secretaria de Desenvolvimento Social Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com