Prefeitura de Ouro Preto entrega sistema de água para comunidade rural que vivia sem abastecimento

Angelo Oswaldo cita privatização da Saneouro e assume dever de abastecer as comunidades rurais
IFMG Campus Ouro Preto celebra 82 anos com programação aberta ao público durante todo o mês de maio

Programação de 11 a 29 de maio tem corrida rústica, exposições, missa e sessão solene de medalha O IFMG Campus Ouro Preto completa 82 anos em maio. As atividades letivas começaram em 15 de maio de 1944, com a aula inaugural proferida pelo Padre José Pedro Mendes Barros. O curso era de Mineração e Metalurgia, funcionava anexo à Escola de Minas, na Praça Tiradentes, e ficou ali por vinte anos. Para marcar a data, o campus realiza uma programação que vai de 11 a 29 de maio, aberta à comunidade interna e externa. A história da instituição é a história da educação técnica federal em Minas Gerais. Em 1959, a Lei 3.352 elevou a escola à condição de Autarquia Federal, dando autonomia didática, financeira e administrativa — e o nome de Escola Técnica Federal de Ouro Preto, a ETFOP. Em 1964, a escola foi transferida para as instalações do 10º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, desativado, nas encostas do Morro do Cruzeiro, onde permanece até hoje. A mudança deu à escola espaço e identidade próprios — e o campus no Morro do Cruzeiro é o que os ouro-pretanos conhecem hoje. Em 2002, a ETFOP tornou-se CEFET Ouro Preto, passando a oferecer cursos superiores de tecnologia. Em 2008, por meio da Lei nº 11.892, o CEFET Ouro Preto uniu-se ao CEFET Bambuí e à Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista para formar o IFMG — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais. Hoje o campus oferece cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, incluindo licenciaturas, engenharias, especializações, mestrado e doutorado. A programação começa no dia 11 de maio com a abertura de duas exposições: “Nossa História: das Origens ao Presente”, no hall do prédio da Administração, que fica em cartaz até 15 de maio, e “De My Friend à COKDA e outros”, na Galeria de Artes — que homenageia o professor Haroldo de Paiva, idealizador da Galeria e do projeto Arte no Campus, o ex-aluno e artista Ney Cokda e outros autores com obras na instituição. O mesmo dia marca a aula inaugural do projeto “Trocando ideias: desvendando a Redação do ENEM 2026”. A semana inclui ainda atividades abertas ao público externo: caminhada ao Parque Estadual do Itacolomi (12/05, saída às 7h30 da portaria do campus), clube do livro e troca de ideias (12/05, 15h), bate-papo com os escritores LH Vaz e Luciana Ferreira (13/05, 10h, Auditório da Biblioteca), roda de conversa sobre arte com o Grêmio Estudantil (13/05, 11h) e oficina sobre enfrentamento a práticas discriminatórias no ambiente de trabalho (13/05, 14h, Hub Francisca Mina). O ponto alto das comemorações é o dia 15 de maio — data exata do aniversário. A programação começa com a XXXIII Corrida Rústica do IFMG Campus Ouro Preto às 9h, seguida de almoço comemorativo para a comunidade interna. À noite, às 19h no Auditório Arthur Versiani, acontece a Sessão Solene de Entrega da “Medalha Padre José Pedro Mendes Barros” — honraria que leva o nome de quem abriu a primeira aula, em 1944. As comemorações se encerram no dia 29 de maio com o Encontro de Aposentados, que reúne ex-servidores da instituição. ⏰ Programação completa 11/05 (segunda): 8h — Abertura da exposição “Nossa História: das Origens ao Presente” (Hall Admin, até 15/05) | 11h — Aula inaugural “Trocando ideias: ENEM 2026” (Aud. Arthur Versiani) | 14h — Abertura de “De My Friend à COKDA e outros” (Galeria de Artes) 12/05 (terça): 7h30 — Caminhada ao Parque do Itacolomi (saída da portaria) | 15h — Clube do Livro e Troca de Ideias (Escadaria do Admin) 13/05 (quarta): 10h — Bate-papo com escritores LH Vaz e Luciana Ferreira (Aud. Biblioteca) | 11h — Arte em Debate, Grêmio Estudantil (Sala 101, Pavilhão Central) | 14h — Oficina sobre discriminação no trabalho (Hub Francisca Mina) 14/05 (quinta): 9h — Palestra: Educação, Vida Estudantil e Carreira (Aud. Arthur Vesiani) | 12h — Missa em Ação de Graças (Capela do Campus) | 19h — Palestra (Aud. Prédio Gestão da Qualidade) 15/05 (sexta) — Aniversário: 9h — XXXIII Corrida Rústica | 11h às 13h — Almoço comemorativo (Restaurante do Campus) | 18h às 19h — Jantar comemorativo (Restaurante do Campus) | 19h — Sessão Solene: Medalha Padre José Pedro Mendes Barros (Aud. Arthur Versiani) | 19h — Palestra: A Importância da Ciência como Ferramenta de Transformação Social (Aud. Gestão da Qualidade) 29/05 (sexta): 13h — Encontro de Aposentados (Aud. Arthur Versiani) ⏱️ Linha do tempo — 82 anos em 5 nomes 1944: Curso Técnico de Mineração e Metalurgia de Ouro Preto — Escola de Minas, Praça Tiradentes 1959: Escola Técnica Federal de Ouro Preto (ETFOP) — Lei 3.352 1964: Transferência para o Morro do Cruzeiro — instalações do 10º Batalhão do Exército 2002: CEFET Ouro Preto — passa a oferecer cursos superiores 2008: IFMG Campus Ouro Preto — Lei 11.892, junto com CEFET Bambuí e EAF São João Evangelista
Projetos de liberdade: pesquisas recuperam trajetória de famílias de mães escravizadas

Alexandra Lima da Silva, UERJ O mundo celebra neste 25 de março o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, data criada pela ONU em 2007. No Brasil, um dos legados mais perversos desse período é a dificuldade de reconstruir as histórias e genealogias das famílias dos escravizados. Em muita medida, isso se deve à ausência – ou mesmo ao apagamento – da filiação nos registros de nascimento e batismo. Mas a escuta atenta das vozes negras, seus relatos e ações, permite compreender as experiências cotidianas das famílias de escravizados nos séculos 18 e 19 como um projeto ancestral de liberdade – contrariando a premissa de total impotência das mães escravizadas. Há algum tempo, a historiografia brasileira evidencia o protagonismo das mulheres negras que, de diferentes maneiras, resistiram à escravidão. Após a alforria, a Escolha de Luíza Em minhas pesquisas na linha de gênero, raça e interseccionalidades, no programa de Pós-Graduação em Educação e no Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tenho acompanhado de perto as experiências de liberdade de uma família negra, cuja matriarca era uma africana escravizada. Luíza foi mãe de dois filhos, nascidos na escravidão, no Rio de Janeiro. Após conquistar a própria alforria, Luíza precisou escolher qual filho deveria libertar. De forma consciente, e combatendo a ideia de que “árvores genealógicas não florescem entre os escravizados”, Luíza decidiu salvar a filha. Ela mirou no futuro: acreditou que ao libertar a filha mulher, libertaria toda a família da escravidão. Sua previsão tardou algumas décadas, mas de fato aconteceu. Apesar de liberta, e de ter libertado a filha, Luíza conviveu até o fim da vida com a dor de não ter conseguido libertar seu filho: “Lembro-me que às vezes pegava-me na cabeça e me estreitava no colo, dizendo estas palavras que nunca mais poderei esquecer: ‘pobre filho’, eu não posso te libertar!”, lembra o filho de Luíza, Israel Antonio Soares, em seu relato autobiográfico publicado no livro “Rascunhos e perfis: notas de um repórter”, do amigo e jornalista Ernesto Sena, publicado em 1900. Ainda que não tenha conseguido comprar a alforria do filho mais novo, ele próprio conseguiu libertar-se, algumas décadas depois. Israel Antonio Soares nasceu no Rio de Janeiro. Em 1843, se tornou um abolicionista e, ao lado da companheira Antonia Botelho Soares (1858-1945), uma mulher negra e escravizada, conquistaram a liberdade em parceria e comunhão. Autodidata e ainda na condição de escravizado, Israel Antonio Soares criou, por volta da década de 1870, uma escola noturna para instruir escravizados e libertos, no Rio de Janeiro. Ele também formou uma sociedade de dança com o título Bella Amante, que teria existido por mais de dez anos. Teria sido um caso isolado? Poderia um escravizado ensinar e ainda abrir uma escola para educar pessoas negras? Israel Soares não agia sozinho. Ele integrava a rede de sociabilidade de José do Patrocínio, uma das figuras mais importantes do movimento abolicionista no país. Além da importante atuação como jornalista e escritor, Patrocínio também atuou como professor de primeiras letras na Escola da Cancella, instituição criada pela fundação da Caixa Libertadora José do Patrocínio, e presidida pelo próprio Israel Antonio Soares. Escolas noturnas e clandestinas Outra experiência voltada para a educação dos filhos de pessoas libertas da escravidão que coexistiu com a escola de Israel Soares foi a escola liderada pelo professor negro conhecido como Zózimo, ou “Zé Índio”. Fundada em 1871, a escola funcionava num alpendre na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, esquina de um logradouro na época conhecido como “Beco do Buraco”. Para frequentá-la, os alunos pagavam “meia pataca”, que era o equivalente a uma moeda de 160 Réis, a moeda brasileira na época. Outro caso bastante emblemático foi o de Preto Cosme, nascido na escravidão no Maranhão, em 1830. Alfabetizado, conquistou a alforria e abriu uma escola de primeiras letras, além de ter liderado a Revolta da Balaiada. Pesquisas realizadas em diferentes países da diáspora africana evidenciam inúmeros casos de escolas negras, muitas das quais secretas, noturnas e clandestinas, lideradas por pessoas escravizadas. A experiência de Israel Soares, portanto, não foi um caso isolado. Seu projeto de liberdade passava pela educação e pela constituição de uma família completa, com a presença tanto da mãe quanto do pai. Aos 22 anos, o filho do casal, Israel Antonio Soares Júnior, tinha uma formação concluída em Farmácia. E em 1913, aos 25 anos, formou-se em Medicina. A pesquisa localizou também a neta do casal, Eugênia Luíza Soares, com formação em Obstetrícia. Duas irmãs de Eugênia, nascidas na primeira década do século XX, cursaram magistério, sendo que uma delas foi professora de piano. E o bisneto de Israel Soares e Antonia Botelho Soares, nascido em 1921, foi um notável tenor negro na cena musical carioca. O projeto ancestral arquitetado no sacrifício e na dramática escolha de uma mãe floresceu nos netos, netas e bisnetas. Mas o choro de Luíza ecoou por gerações. A busca da ancestralidade dos escravizados brasileiros que gerou este artigo foi possível graças ao apoio de agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), e Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes). Alexandra Lima da Silva, Professora Titular e líder do grupo de pesquisa Eleko: Direitos Humanos, Educação e Interseccionalidades, UERJ This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Automutilação na adolescência: qual o papel da escola na prevenção deste problema crescente?

Ainda que os cortes sejam feitos pelo adolescente em outros ambientes, como em casa, é na escola que eles com frequência são vistos pela primeira vez. Estudiosos indicam que os profissionais de ensino em geral são os primeiros adultos a perceberem as lesões. Imagem: CVV Gabriela Meireles Macedo, PUC-Rio e Terezinha Féres-Carneiro, PUC-Rio A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou, em 2025, que os problemas de saúde mental no mundo são responsáveis por 16% das doenças e lesões entre adolescentes. No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde registrou, em 2023, 13.007 notificações de violência autoprovocada, sendo 25% casos de adolescentes. Os números alarmantes indicam o aumento do fenômeno nas últimas décadas. O psicólogo clínico americano Matthew Nock, em seu estudo de 2010, definiu automutilação como todo comportamento que é realizado intencionalmente e com o conhecimento de que pode ou irá resultar em algum grau de lesão física e/ou psicológica para si mesmo. Trata-se de um dano autoinfligido que pode ser realizado com o uso ou não de objetos perfurocortantes. As áreas mais comuns onde acontecem as lesões são punhos, antebraços, coxas, barriga e pernas. Em 2020, o Ministério da Saúde lançou a “Cartilha para prevenção da automutilação e do suicídio: orientações para educadores e profissionais da saúde”, na qual é ressaltada a diferença entre a autolesão com intenção suicida e a sem intenção suicida (ASIS). As autolesões possuem funções intrapessoais, como buscar alívio da dor emocional, e funções interpessoais, como a finalidade de comunicar o próprio sofrimento e/ou pertencer a grupos. A automutilação surge como um recurso que, paradoxalmente, busca apaziguar uma dor psíquica insuportável por meio do ato de infligir-se uma dor física. Automutilação: um problema para saúde e a educação A adolescência representa um momento de passagem, situando-se na fronteira entre a infância e a vida adulta. Ocorre, nesse período, certo desprendimento do adolescente em relação às figuras parentais e uma busca por inserção nos discursos sociais e nos grupos. Isso coloca em questão a relação dele com a alteridade: movimento que, segundo os estudiosos da área, pode provocar sentimentos de desamparo e angústia. As instituições educativas são fundamentais na construção de laços fora do seio familiar. Diante de tantas transformações corporais e psicossociais, é comum o adolescente transferir para o corpo, em ato, seu sofrimento. Ele faz isso ao invés de utilizar a palavra ou a fala como recurso de expressão. É nesse cenário que costumam aparecer as automutilações. Um fato curioso sobre a automutilação na adolescência, identificado por alguns pesquisadores do campo, é que ainda que os cortes sejam feitos pelo adolescente em outros ambientes, como em casa, é na escola que eles, com frequência, aparecem. Estudiosos indicam que os profissionais da instituição de ensino, comumente, são os primeiros adultos a perceberem as lesões. A escola por estar menos comprometida emocionalmente comparada aos pais, ao observar o adolescente, consegue, muitas vezes, detectar com mais clareza dificuldades no processo de desenvolvimento do aluno. Os professores são capazes de notar mudanças de comportamento repentinas em sala de aula como tristeza e isolamento, que se configuram como um sinal de alerta. Isso aponta a importância de o fenômeno da automutilação na adolescência ser discutido não só na esfera da saúde, mas também no campo da educação. Além disso, a escola acaba sendo um lugar favorável para tratar a problemática porque ela concentra a maior parte da população infantojuvenil e isso possibilita não só identificar riscos e danos psicossociais que assolam esse público, mas também fomentar a educação em saúde em larga escala. O estudo Em nosso projeto, realizado no Laboratório de Estudos em Família e Casal (LEFaC), do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, investigamos a questão da autolesão em adolescentes na atualidade, a partir da percepção de profissionais que atuam na escola. Foram entrevistados 10 profissionais da área da psicologia e/ou educação que atuassem diretamente com adolescentes em escolas públicas (municipais, estaduais e federais) do estado do Rio de Janeiro. Dentre eles, professores de diferentes disciplinas, orientadores educacionais, que são pedagogos de formação e psicólogas. Os dados elucidaram como acontece o manejo da escola diante do fenômeno da automutilação na adolescência e os desafios enfrentados pelos educadores. Além disso, os resultados evidenciaram qual é o papel da escola frente a essa questão e a importância de um trabalho de cuidado em rede (família, escola e Estado). O manejo e seus desafios Os entrevistados relataram inicialmente um manejo no sentido de acolher o adolescente por meio de uma escuta empática e sem julgamentos, de modo que o jovem possa expressar seus sentimentos. Em seguida explicitaram a importância de comunicar à família sobre a automutilação, mas de maneira cuidadosa para não desencorajar outras buscas por ajuda. Ressaltaram a necessidade de orientar os responsáveis e realizar encaminhamentos a serviços de saúde mental e/ou assistência social. Por fim, a maioria dos participantes declarou que a escola faz a notificação compulsória ao Conselho Tutelar, seguindo a Lei nº 13.819/2019, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Curiosamente os entrevistados relataram um manejo que está de acordo com as diretrizes da Cartilha para prevenção da automutilação e do suicídio: orientações para educadores e profissionais da saúde, mesmo sem tê-la mencionado. Isso aponta para um saber-fazer do educador que pode ser lapidado com informações mais consistentes acerca da temática. Essa aquisição de conhecimento sistemática pode funcionar como um amparo para o profissional em sua atuação. Em geral, os entrevistados alegaram se sentirem despreparados para lidar com a problemática da automutilação. Ficou evidente a falta de uma orientação clara e técnica sobre o referido tema e a falta de formação continuada acerca das questões de saúde mental na escola. Esses fatores comumente levam a uma estigmatização do fenômeno. Alguns entrevistados denunciaram que colegas descrevem, pejorativamente, a automutilação como uma atitude do adolescente para “chamar atenção”. Essa é uma percepção pautada no senso comum que pode desembocar numa negligência do adulto face ao episódio. O fato é que o adolescente que se corta está demandando um olhar e uma
Abril azul: Santa Casa de Ouro Preto oferece odontologia especializada para autistas pelo SUS desde março

Serviço atende pacientes de Ouro Preto, Mariana e Itabirito com sedação e anestesia geral
Mariana lança Lei de Liberdade Econômica e se torna a 100ª cidade mineira a aderir à iniciativa

Lei de Liberdade Econômica em Mariana | Vintém Economia · Mariana Legislação reduz burocracia para abertura e funcionamento de negócios e foi construída por cinco secretarias municipais com apoio do Sebrae. Mariana é a primeira adesão registrada em 2026 no estado Jiljana Isidoro · Vintém · 12 de março de 2026 A Prefeitura de Mariana lançou a Lei de Liberdade Econômica do município durante evento realizado na Casa do Empreendedor. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Diversificação Econômica, Tecnologia e Inovação em parceria com o Sebrae, tem como objetivo reduzir a burocracia para abertura e funcionamento de negócios na cidade. Com a adesão, Mariana se tornou a 100ª cidade de Minas Gerais a implementar a legislação — e a primeira a fazê-lo em 2026. A marca foi celebrada durante a cerimônia de lançamento, que reuniu representantes da Prefeitura, do Sebrae, da consultoria Quasar, do Governo do Estado e da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Mariana (ACIAM). Cinco secretarias e processo intersetorial A elaboração da lei foi conduzida por uma comissão especial formada por representantes de cinco secretarias municipais: Meio Ambiente; Saúde; Planejamento, Fazenda e Governança; Segurança Pública; e Obras. O formato intersetorial buscou garantir que a legislação fosse adequada à realidade administrativa do município, considerando os diferentes órgãos envolvidos no licenciamento e no atendimento a empreendedores. Além da equipe técnica da Prefeitura, o processo contou com consultoria do Sebrae, da Quasar e do Governo de Minas Gerais desde a fase inicial até a conclusão. O que muda para quem empreende A Lei de Liberdade Econômica estabelece diretrizes para simplificar trâmites administrativos e reduzir exigências consideradas desnecessárias para negócios de baixo risco. Na prática, busca tornar mais rápida e previsível a relação entre o poder público e o empreendedor nos processos de abertura, licenciamento e fiscalização. A ACIAM, presente no lançamento, destacou que a medida representa um avanço para os empreendedores locais e para os escritórios de contabilidade, com ganhos esperados em agilidade, segurança jurídica e simplificação dos processos. 📊 Em números 100ª cidade de Minas Gerais a aderir à Lei de Liberdade Econômica 1ª adesão registrada no estado em 2026 5 secretarias municipais envolvidas na elaboração da lei 📋 Entenda — Lei de Liberdade Econômica A Lei de Liberdade Econômica é uma legislação federal de 2019 (Lei 13.874) que estabelece normas de proteção à livre iniciativa e ao exercício de atividades econômicas. No âmbito municipal, sua implementação adapta esses princípios à realidade local, simplificando licenciamentos, reduzindo exigências para negócios de baixo risco e regulando a atuação do poder público na relação com empreendedores. Em Minas Gerais, o Sebrae tem apoiado municípios nesse processo desde 2021. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
No ano do recorde de feminicídios no Brasil, como está a nossa região?

Matéria – Larissa e Maria Fernanda | Vintém Larissa tinha 25 anos. Maria Fernanda, dois. O que os matou começa muito antes da faca O feminicídio de mãe e filha em Mariana chocou a região. A cobertura de parte da imprensa chocou também — por razões diferentes. O Vintém apura os dados da violência contra a mulher em Ouro Preto, Mariana e Itabirito e ouve quem trabalha para que cada morte seja contada com o nome certo. Na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, vizinhos do bairro Santa Clara, em Mariana, ouviram gritos vindos de uma casa na rua Caetano Pinto. Depois, silêncio. Quando a Polícia Militar chegou, encontrou Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e a filha do casal, Maria Fernanda Oliveira Gomes, 2 anos, mortas no quintal da residência, abraçadas, com múltiplas lesões na cabeça, no pescoço e nos membros. O facão usado no crime foi encontrado no terreno vizinho. O companheiro delas, Felipe Gomes Cordeiro, 24 anos, chegou ao local acompanhado do padrasto e ele mesmo conduziu os policiais até os corpos. Preso em flagrante, apresentou versões contraditórias. Acabou confessando. Sua prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A Prefeitura de Mariana classificou o crime como “brutal” e prestou solidariedade aos familiares. “Um crime brutal, que causa indignação e tristeza em toda cidade”, dizia o comunicado oficial. No sábado seguinte, 7 de fevereiro, centenas de pessoas foram às ruas em uma marcha convocada por moradores — batizada de Marcha dos Homens, com concentração no Centro de Convenções e caminhada até a Praça Minas Gerais. Uma familiar de Larissa e Maria Fernanda tomou a palavra e lembrou que o feminicídio é o estágio final de uma violência que começa muito antes. Mas enquanto a cidade enlutuada marchava, parte da cobertura jornalística do caso trilhava outro caminho. A narrativa que mata duas vezes Nos dias que se seguiram ao crime, algumas publicações escolheram destacar em seus títulos a versão do próprio suspeito — a de que uma “suposta traição” teria “motivado” ou “levado” o homem a matar. O problema não é mencionar o contexto alegado pelo suspeito. O problema é transformar essa alegação no enquadramento central da história: quando o título diz que a traição “levou” alguém a matar, está construindo uma relação de causalidade. Não descreve o crime — explica, e ao explicar, justifica. “O feminicídio não começa na manchete. Mas a manchete pode determinar se a próxima mulher vai pedir socorro ou vai ficar em silêncio, com medo de não ser acreditada.” — Campanha da Associação Riograndense de Imprensa, 2026 O Projeto Ariadnes, observatório de mídia, gênero e sexualidade da UFOP, sediado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Mariana, publicou em suas redes sociais uma análise da cobertura do caso — apontando exatamente esse padrão. O projeto, coordenado pela professora Karina Gomes Barbosa e com atuação na formação de jornalistas da Região dos Inconfidentes, tem realizado oficinas sobre cobertura ética de feminicídios desde 2025. A publicação gerou ampla repercussão e debate entre moradores e profissionais da comunicação. A pesquisadora e linguista Ana Maduro, cujo trabalho embasou um projeto de lei debatido na Câmara Legislativa do Distrito Federal em março de 2026, resume o mecanismo: “Muitas manchetes acabam diminuindo a responsabilidade do agressor ao sugerir motivações relacionadas ao comportamento da vítima.” O ciclo se fecha quando a cobertura replica e amplifica a mesma lógica que estrutura a violência de gênero: a de que a mulher é responsável pelo que acontece a ela. Traição, real ou suposta, não justifica assassinato. Nem de uma mulher adulta. Nem de uma criança de dois anos. O que os dados dizem sobre nossa região O caso de Larissa e Maria Fernanda não é isolado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais mostram que a violência doméstica é persistente nas três cidades que o Vintém cobre. Ouro Preto lidera em números absolutos entre elas: foram 588 registros em 2021, subindo para 703 em 2022 e 697 em 2023. Até abril de 2024, o município já acumulava 256 casos — um ritmo que sugeria encerrar o ano próximo dos recordes anteriores. Em Mariana, a média histórica é igualmente elevada: 638 registros em 2021, 605 em 2022, 607 em 2023. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania do município informou, até junho de 2024, uma média de 13 novos casos de violência atendidos por mês — com violência física, psicológica e abuso sexual entre as formas mais comuns. Itabirito registrou 461 casos em 2021, queda para 346 em 2022, retorno a 405 em 2023. Esses números, cabe lembrar, dizem respeito às ocorrências registradas. A subnotificação é histórica: o medo, a dependência financeira, o estigma social e, especialmente em cidades menores, o risco de exposição em comunidades onde agressor e vítima são conhecidos de todos — tudo isso mantém uma parte significativa dos casos fora das estatísticas oficiais. 📊 Dados regionais · Violência doméstica Ouro Preto, Mariana e Itabirito: o que os registros mostram Município 2021 2022 2023 Jan–Abr 2024 Ouro Preto 588 ↑ 703 697 256 Mariana 638 605 607 173 Itabirito 461 ↓ 346 405 144 Registros de violência doméstica — todas as formas (física, psicológica, sexual, patrimonial). Os números refletem ocorrências registradas, não o total real: especialistas estimam subnotificação significativa, especialmente em cidades de médio porte. 13 novos casos de violência atendidos por mês em Mariana (média até jun/2024) 166 famílias atendidas mensalmente nos centros de referência de Itabirito 3 municípios com CREAS ativo para acolhimento de vítimas VINTÉM Fonte: Sejusp-MG / Observatório de Segurança Pública · dados até abr/2024 🇧🇷 Panorama · Minas Gerais e Brasil Feminicídio: o que os números nacionais dizem sobre o que acontece aqui 1.568 feminicídios consumados no Brasil em 2025 — recorde histórico desde 2015 4,7% crescimento em relação a 2024, que já havia batido recorde 13.703 mulheres mortas por feminicídio no Brasil desde a tipificação do crime (2015–2025) 4/dia média de feminicídios consumados no Brasil desde 2022 Ocorrências
Câmara de Ouro Preto lança Campanha da Fraternidade 2026 com debate sobre moradia

Audiência pública acontece nesta segunda-feira (9), às 18h, no plenário da Câmara; evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo YouTube A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza nesta segunda-feira, 9 de março, às 18h, a audiência pública de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. O evento, proposto pelos vereadores Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), acontece no plenário da Casa e é aberto à participação da comunidade. A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o período da Quaresma. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia” e o lema, retirado do Evangelho de João, é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Ao longo da Quaresma, a iniciativa mobiliza paróquias, pastorais e movimentos sociais em todo o país por meio de atividades de formação, encontros e ações solidárias. Para o vereador Kuruzu, a escolha do tema pela Igreja chega em momento especialmente significativo para Ouro Preto. “Essa Campanha da Fraternidade 2026 chega em um momento oportuno para a nossa cidade. Saber que a Igreja Católica propõe essa reflexão sobre um tema tão importante alimenta o debate e a nossa atuação na luta por moradia em Ouro Preto”, afirmou. A audiência desta segunda integra um contexto mais amplo de debates sobre habitação que vêm ocupando o legislativo municipal. Na semana passada, Ouro Preto assistiu à assinatura do acordo judicial que encerra a disputa pelas chamadas Terras da Novelis, garantindo regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul da cidade e abrindo caminho para a construção de moradias populares. Na mesma semana, o vereador Kuruzu anunciou o avanço de projeto de lei do deputado estadual Elton Pimentel que prevê a doação de aproximadamente 20 hectares da antiga FEBEM ao município para a implantação de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A audiência pública de hoje busca apresentar à comunidade a proposta da campanha deste ano e trazer o debate para o contexto municipal, discutindo a realidade da moradia em Ouro Preto a partir da reflexão proposta pela CNBB. 🏛️ Serviço · Audiência Pública Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara de Ouro Preto Tema · Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós” João 1,14 · CNBB 2026 📅 Quando 9 de março de 2026Segunda-feira · 18h 📍 Onde Plenário da Câmara MunicipalPraça Tiradentes, 41 🎙️ Requerimento Vereadores Kuruzu (PT)e Matheus Pacheco (PV) 🎟️ Entrada Aberta ao público Gratuita ▶️ Transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara Municipal de Ouro Preto no YouTube VINTÉM Informação que vale ouro
Câmara aprova três projetos de valorização da guarda municipal de Ouro Preto

Plano de cargos e salários, adicionais de insalubridade e periculosidade e verba de fardamento foram votados na sexta reunião ordinária de 2026; secretário de Segurança celebrou aprovação como “dia de alento” para a categoria. Foto: Taianne Silva/CMOP A Câmara Municipal de Ouro Preto aprovou nesta terça-feira (24) três projetos de lei de autoria do prefeito Ângelo Osvaldo que ampliam direitos e benefícios dos agentes da Guarda Municipal. As matérias tramitavam há cerca de um ano e foram votadas em única discussão e redação final, com 12 votos favoráveis cada uma. O pacote é composto pelo Projeto de Lei Complementar 133/2025, que altera o plano de cargos e vencimentos da Prefeitura no que diz respeito ao cargo de guarda civil municipal; pelo Projeto de Lei Complementar 132/2025, que atualiza os adicionais de insalubridade e periculosidade para os servidores municipais; e pelo Projeto de Lei Ordinária 912/2025, que modifica a verba indenizatória destinada à aquisição de fardamento. Segundo o vereador Carlinhos Mendes (Avante), o PLC 133 representa acréscimo de cerca de R$ 600 no piso salarial de cada agente — informação que o Vintém busca confirmar junto à Prefeitura. A votação aconteceu com guardas municipais presentes no plenário. O secretário municipal de Segurança e Trânsito, Moisés dos Santos, foi convidado a usar a tribuna e celebrou o resultado. “Hoje é um dia muito importante para a nossa guarda municipal, é um dia de alento, é um dia de reconhecimento”, declarou. “Quero parabenizar a instituição Guarda, através de todos os integrantes, por essa luta de classe. A união faz sempre a força.” O presidente da Câmara, vereador Vantuir (Avante), destacou que o apoio foi unânime entre os 15 vereadores da Casa, mesmo que dois — Naércio Ferreira (PSD) e Zé do Binga (PV) — estivessem ausentes por motivo de saúde na sessão. “Foi unânime o apoio à Guarda Municipal de Ouro Preto”, afirmou. “Todos os vereadores apoiaram, desde o início até o fim.” O vereador Ricardo Gringo (Republicanos), que havia apresentado requerimento no ano anterior cobrando um plano de viabilidade para o aumento da categoria, lembrou que a luta vinha de antes. “A segurança pública tem que se organizar”, disse. “Nós estamos aqui com o nosso mandato como um importante instrumento dessa transformação.”
Sexta edição do Festur será realizada em junho em Ouro Preto

Festival Internacional de Turismo e Cultura chega à sua maior edição no Centro de Artes e Convenções da UFOP entre os dias 10 e 12 de junho; evento reúne cidades históricas de Minas Gerais e já soma mais de 9,5 mil visitantes em suas edições anteriores. O prefeito Angelo Oswaldo anunciou o início das tratativas para a sexta edição do Festur — Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto —, que acontece de 10 a 12 de junho no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O evento, que desde 2019 se consolidou como principal vitrine do turismo das cidades históricas mineiras, deve ser, segundo os organizadores, a edição mais robusta da história do festival. O anúncio foi feito após reunião da Prefeitura com Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro Preto e Circuito do Ouro, e com Cássia Regina Neves, CEO da CM Business Hub, empresa produtora do evento. “Iniciando aí as tratativas para o sexto Festur, o Festival de Turismo e Cultura em Ouro Preto”, declarou o prefeito, destacando a participação do setor empresarial. “Todas as cidades históricas estão convidadas a participar”, acrescentou. O festival reúne municípios, circuitos turísticos, gestores públicos e empresas do setor para três dias de expositores, palestras, painéis temáticos, atrações gastronômicas e intervenções culturais. A entrada é gratuita — com inscrição necessária para atividades técnicas. Ao longo das cinco edições anteriores, o Festur reuniu 127 cidades, representantes de 14 países, 185 expositores e mais de 9,5 mil visitantes, de acordo com dados dos organizadores. Cássia Regina Neves destacou a importância da articulação que antecede o evento. “Para nós foi de grande importância, principalmente reafirmando essa parceria que nós construímos”, disse ela sobre a reunião com a Prefeitura. “A conexão com os empresários foi muito forte e é isso que a gente sempre buscou.” Márcio Abdo de Freitas foi na mesma direção: “Nós estamos partindo agora para a sexta edição e esperamos que ela seja bem maior e mais robusta do que as cinco edições anteriores.” Uma trajetória construída desde 2019 Criado pelo Convention Bureau de Ouro Preto em parceria com a CM Business Hub, o Festur realizou sua primeira edição em 2019 e ficou interrompido durante os dois anos mais críticos da pandemia de Covid-19. Retomou em 2022 e vem crescendo de forma contínua. Na edição de 2025, já na quinta versão, o festival apresentou resultados concretos de projetos iniciados em edições anteriores — como a Rota Caparaó Mineiro, que nasceu em 2019 como ideia e hoje é roteiro estruturado reconhecido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. O festival acontece sempre no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Rua Diogo de Vasconcelos, 328, no bairro Pilar — espaço que já se tornou a casa do evento em suas seis edições.