Foto: O professor Adriano Medeiros em visita técnica ao Núcleo de Produção Digital do Ifes, campus Guarapari, em maio de 2026, para os primeiros diálogos da parceria interistitucional/ Arquivo pessoal
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Guarapari, discutem criar um festival de cinema e audiovisual em Guarapari, no litoral capixaba. A proposta foi apresentada numa reunião entre representantes das duas instituições. O material divulgado não informa a data da reunião, a data do festival nem se já existe um acordo formal de parceria.
O que o festival prevê
Segundo as instituições, a ideia é ampliar o acesso à produção cinematográfica, dar espaço a realizadores locais e promover atividades de formação, com participação da comunidade e de escolas. A programação em discussão inclui mostras de filmes brasileiros, com atenção às produções capixabas e mineiras, além de oficinas, debates, atividades educativas e a exibição de trabalhos feitos em escolas.
O projeto também fala em contribuir para a preservação da memória do cinema no Espírito Santo e para a formação de público. Como atividades complementares, a proposta cita apresentações musicais e ações ligadas à gastronomia, para aproximar o audiovisual da economia criativa local. O público previsto reúne estudantes do ensino médio, técnico e superior, realizadores independentes, pesquisadores, moradores de Guarapari, visitantes e turistas.
O que dizem os idealizadores
Para o professor Adriano Medeiros da Rocha, do Departamento de Jornalismo da UFOP e um dos idealizadores do projeto, os objetivos do festival incluem a descentralização cultural, a formação de público e o fortalecimento da produção audiovisual regional.
Pedro Lucas Santos Pereira, membro do comitê gestor do projeto e do Núcleo de Produção Digital do Ifes Guarapari, diz que a parceria é uma oportunidade de ampliar a formação no setor. Segundo ele, a cidade começa a se consolidar como espaço de formação e produção audiovisual, “mostrando que é possível construir grandes projetos fora dos grandes centros”. Pedro afirma que é importante dar continuidade à iniciativa, “que vai além da exibição de filmes e da realização de mostras, mas busca também oferecer espaços de formação, valorizar a nossa história e preparar mais pessoas para atuar conosco no setor audiovisual”.
Financiamento em aberto
A reunião também tratou de financiamento e de organização. Entre as possibilidades apresentadas está a elaboração de versões da proposta para diferentes cenários de orçamento, de modo que o festival possa acontecer em formatos distintos, conforme os recursos disponíveis. O material não informa valores, fontes de recursos nem prazos.
Quem está por trás
Adriano Medeiros da Rocha tem trajetória na área. Em 2024, apresentou no Seminário de Políticas Culturais, no Rio de Janeiro, duas pesquisas sobre cinema mineiro, ligadas à Escola de Audiovisual Carlos Scalla e ao Museu de Cinema de Muriaé. Segundo a Rádio Itatiaia, ele também preside a comissão que estuda a criação do bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFOP. A proposta segue em tramitação na universidade e, em junho de 2026, não havia previsão para o início das aulas.
Do lado capixaba, o Núcleo de Produção Digital do campus Guarapari aparece em um projeto de extensão do Ifes previsto para 2023, que tinha como objetivo estimular a produção audiovisual local e regional por meio de formação profissional e apoio às produções.