Ouro Preto, domingo, maio 31, 2026 09:29

A arte que resiste: Ouro Preto investe R$ 67 mil para salvar o ofício das bordadeiras e rendeiras

Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

(foto: Prefeitura de Ouro Preto/Divulgação)

Em cada ponto cruz, em cada renda de bilro e em cada bordado que nasce das mãos das mulheres de Ouro Preto, há mais do que técnica: há séculos de história e identidade. Reconhecido como Patrimônio Imaterial do município desde 2019, o ofício das bordadeiras e rendeiras é um dos tesouros mais delicados da nossa cultura, mas que enfrenta o desafio do tempo e do esquecimento .

Para garantir que esse saber não se perca, a Prefeitura de Ouro Preto oficializou o repasse de R$ 67.800,00 por meio do Termo de Fomento nº 32/2026 . O recurso será destinado ao SIAME (Serviço Interprofissional de Atendimento à Mulher) para a execução do projeto “Realização da Salvaguarda do Ofício de Bordadeiras e Rendeiras de Ouro Preto”.

Um Mês de Celebração e Prática

Maio é o mês dedicado a essas artistas em Ouro Preto, com uma programação intensa que convida o morador a conhecer e até a experimentar o ofício. Se você passar pelo Centro ou pelos distritos, poderá encontrar diversas atividades:

•Exposição “Fios de Ouro”: No Museu Casa dos Contos (Sala Vicente Vieira da Mota), uma mostra artística revela a beleza e a complexidade dos trabalhos produzidos na região. A visitação acontece de 13 a 23 de maio .

•Borda-Feira: No dia 23 de maio, o Largo do Cinema recebe uma feira especial de comercialização, das 9h às 16h. É a oportunidade perfeita para valorizar o trabalho local e levar uma peça única para casa .

•Agulhaço: Também no dia 23, no Largo do Cinema, acontece uma oficina e prática coletiva de bordados e rendas. É um momento de troca de saberes onde veteranas e iniciantes se encontram para manter a tradição viva .

Um Saber em Risco?

Embora o bordado seja uma marca registrada da região, o ofício é considerado frágil. Ele depende da transmissão oral e prática de geração em geração — as famosas “rodas de bordado”. Com a mudança nos hábitos de vida e a falta de incentivo financeiro, muitas jovens deixam de aprender a arte, o que coloca em risco a continuidade desse patrimônio imaterial .

O projeto de salvaguarda, que terá duração de oito meses, visa justamente criar mecanismos para que esse conhecimento continue vivo. Isso inclui desde o registro das técnicas até ações que valorizem as artesãs como detentoras de um saber único.

Quem são as Guardiãs dessa Tradição?

As bordadeiras e rendeiras de Ouro Preto atuam em diversos bairros e distritos, muitas vezes organizadas em grupos comunitários. Elas são mulheres que transformam o cotidiano em arte, mantendo viva uma tradição que remonta ao período colonial, mas que ganhou contornos próprios nas montanhas de Minas.

O financiamento público para essa pauta cultural é um reconhecimento de que o patrimônio de Ouro Preto vai muito além das igrejas e casarões de pedra. Ele reside, sobretudo, no “fazer” do seu povo. Ao investir na salvaguarda desse ofício, a cidade protege não apenas um produto artesanal, mas a alma e a memória das mulheres que, ponto a ponto, ajudaram a costurar a história de Ouro Preto.

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