A Câmara Municipal de Ouro Preto recebeu nesta segunda-feira, 8 de junho, o diretor institucional da Rota da Liberdade, Marconi Peixoto Zanon, para a primeira reunião formal da comissão especial criada pela Portaria 14/2026 para acompanhar os impactos da concessão da BR-356. O encontro reuniu vereadores e secretários municipais. O prefeito Angelo Oswaldo não compareceu, mas enviou vídeo com mensagem de apoio à obra.
O presidente da Câmara, vereador Vantuir (Avante), explicou o propósito. “Várias demandas chegam à Câmara através dos vereadores. Nada mais justo, porque nós somos representantes legítimos da nossa população. Para dar uma resposta, a gente tem que ter coisas concretas e encaminhamentos verdadeiros”, disse. A comissão já havia participado de duas audiências na Assembleia Legislativa antes do encontro desta segunda.
O presidente da comissão, vereador Alex Brito (PDT), lembrou o clima quando o consórcio ganhou a licitação. “Foi um susto para a população ouro-pretana. As pessoas ficaram muito temerosas. Vieram narrativas sobre desapropriação e por aí vai. A Câmara se pôs, montou uma comissão de seis vereadores”, disse. “Estamos seguindo todos os passos para que as pessoas não tenham que se preocupar com suas casas e com maiores problemas”, acrescentou.
A concessão está completando 100 dias de operação. O contrato, assinado em 13 de janeiro de 2026, abrange 190,1 km distribuídos por 11 municípios, com prazo de 30 anos e investimento previsto de R$ 5 bilhões. O regulador é a Artemig.
Zanon apresentou os dados até 29 de maio. A limpeza e roçada da faixa de domínio chegou a 71,6% dos 380 km previstos. A operação tapa-buraco atingiu 92,5%. A limpeza da drenagem superficial superou a meta em mais de cinco vezes, 544,1%. A drenagem profunda foi concluída em 100,7%. Na sinalização, placas em 269,3% da meta e faixas em 154,4%. Há 60 pessoas diretamente na pista em sete frentes de trabalho.
O que mais preocupa moradores e comerciantes da região ainda não tem resposta. Os estudos que vão definir quais áreas serão desapropriadas estão em execução. “A gente ainda não tem uma definição de quais localidades, quais áreas ainda possam ser afetadas. Mas independente disso, qualquer coisa que ocorrer vai ser negociada, de nenhuma forma truculenta ou agressiva com a população”, disse Zanon.
Sobre as ações judiciais que já circulam na região, o diretor foi cauteloso. “O consórcio ainda não recebeu nenhuma comunicação disso. Se essas ações estão ocorrendo, são a nível de DNIT, que é federal. Agora que a rodovia foi passada do DNIT para o governo do estado e temos essa concessão, tudo tem que ser avaliado”, afirmou.
Para Cachoeira do Campo, existe projeto de alça viária, com execução prevista para o terceiro ano de concessão, entre março de 2028 e março de 2029. O pacote de obras traz ainda 22,9 km de correção de curvas ao longo de toda a concessão. As obras de maior impacto no trecho de Ouro Preto estão previstas para o quinto ano, entre março de 2030 e março de 2031.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Felipe Guerra, que representou o prefeito, foi direto sobre o histórico de relacionamento entre o DNIT e os municípios. “Como é fácil, lá de Brasília ou de Belo Horizonte, alguém dar uma ordem de despejo em uma propriedade sem pisar aqui, sem olhar na cara das pessoas”, disse. Ele viu na postura do consórcio uma mudança de postura. “Como vocês estão chegando em Ouro Preto já nos diz muito. As outras pessoas que vieram, vieram através do ofício ou através da justiça. Isso tem que mudar”, afirmou. Guerra também reconheceu falhas da própria gestão: “Não adianta mais falar que a prefeitura antes não ouviu. A gente constrói para frente”.
O secretário levantou ainda a possibilidade de suspender processos judiciais já em andamento. “A gente tem algumas situações onde o DNIT já havia executado algumas ordens. Talvez a gente tenha que estagnar esses processos que já existam. Estagnando esses processos, a gente vai dar um voto de confiança às pessoas e uma reanálise de todo esse processo”, disse.
A secretária de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Camila Sardinha Cecconello, sinalizou interesse em acessar os estudos do consórcio antes dos projetos definitivos, para que o município contribua com informações locais sobre as áreas afetadas.
No vídeo enviado, o prefeito Angelo Oswaldo disse ter participado de reuniões sobre a alça de Cachoeira do Campo e as estações de pedágio, e afirmou que as obras de maior movimentação devem ocorrer entre 2027 e 2029. Destacou a importância de preparar mão de obra local para o canteiro.
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