Vereadores de Ouro Preto voltaram a cobrar fiscalização e explicações sobre a Estrada da Purificação, via que liga o distrito de Antônio Pereira à sede do município, durante sessão ordinária da Câmara Municipal. Segundo o vereador Matheus Pacheco, a obra teria custado R$ 74 milhões — valor que, de acordo com engenheiros consultados por ele, poderia ficar em torno de R$ 20 milhões. Pacheco relatou que o próprio prefeito Angelo Oswaldo, durante evento de inauguração de outra obra em Alto do Bom Som, na presença do prefeito de Mariana e de representantes de mineradoras, teria comentado que, se tivesse executado aquela obra pelo valor gasto na Estrada da Purificação, “sairia de lá algemado”.
O Vintém não teve acesso a registro audiovisual da fala atribuída ao prefeito, nem a documentos que discriminem o custo final da obra, e trata a informação, por ora, como relato do vereador em sessão pública — passível de confirmação ou contestação pela Prefeitura.
Uma pista que não comporta dois veículos com segurança
Vereadores descreveram a Estrada da Purificação como uma via insuficiente para o volume e o tipo de tráfego que hoje circula por ela. Segundo o vereador Luiz Gonzaga, o projeto original previa pista de caminhada e ciclovia separadas, elementos que teriam sido retirados em alteração posterior do projeto — hoje, a via não comporta a passagem simultânea de dois veículos com segurança, sem acostamento, obrigando um deles a aguardar a passagem do outro. O vereador Emerson Titão afirmou ainda que ao menos metade da obra foi executada com rejeito de mineração doado por empresa da região, e não integralmente com asfalto.
Caminhões de mineradoras em rota restrita a veículos leves
Um decreto municipal restringe a circulação de veículos pesados na Estrada da Purificação, via classificada como de uso predominantemente local. Na prática, segundo relatos de vereadores e moradores, caminhões vinculados a mineradoras trafegam pela via com frequência, inclusive em alta velocidade — o vereador Emerson Titão citou relato de quase colisão entre um veículo de passeio e um caminhão de grande porte na via. Moradores dos bairros Morro São Sebastião e Morro Santana já haviam manifestado, em audiência pública anterior sobre mobilidade urbana, receio de que a via viesse a ser tomada por veículos de mineração — o que, segundo os vereadores, se confirmou.
Vereadores como Alessandro Sandrinho e Renato Zoroastro cobraram fiscalização efetiva por parte da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito, incluindo blitze de surpresa, identificação das empresas responsáveis pelos veículos flagrados em desacordo com o decreto, e aplicação de multas e notificações formais — inclusive às mineradoras, caso os veículos pertençam a terceirizadas prestando serviço a elas. Zoroastro mencionou que, em situação semelhante na Estrada de Santo Antônio do Leite, a Secretaria já teria informado a intenção de instalar sistema de radar com videomonitoramento capaz de identificar e autuar infratores automaticamente.