Alunos de Furquim se destacam no xadrez e chegam a etapas nacionais dos jogos escolares

Dupla de 13 anos da Escola Estadual Monsenhor Morais treina há dois anos com o professor Miguel
Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

Lígia Colen Lôbo Silame e Michel Júnior dos Anjos da Silva, ambos com 13 anos, vêm colecionando resultados de destaque no xadrez ao longo deste ano. Os dois estudam na Escola Estadual Monsenhor Morais, no distrito de Furquim, em Mariana, e são treinados pelo professor de Educação Física Miguel Magalhães Neto — parceria que já rendeu classificações nas etapas microrregional, regional e estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).

Na etapa microrregional, que reúne estudantes de Mariana, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Itabirito e Ouro Preto, os dois competiram em partidas de dez minutos de reflexão e terminaram em primeiro lugar em suas categorias, garantindo vaga na etapa regional. O professor Miguel destaca que o resultado da dupla também reflete o desempenho coletivo da escola: “Os melhores alunos das cinco cidades disputam quatro vagas para a regional. Isso acontece em cada módulo: masculino e feminino, módulos I e II. Ou seja, na nossa microrregional, havia 12 vagas possíveis. Dessas 12, a nossa escola conquistou seis.”

Segundo Michel, a preparação muda a cada fase da competição, sobretudo pela variação no tempo de reflexão disponível — que passa de dez minutos na etapa microrregional para 20 minutos na regional. Na etapa regional, disputada em seis partidas, Lígia venceu todos os confrontos e sagrou-se campeã, enquanto Michel terminou em terceiro lugar, com cinco vitórias. Os dois avançaram então para a etapa estadual, apontada pelos três como a mais desafiadora até aqui: Michel ficou na 17ª colocação, com três vitórias, e Lígia conquistou o vice-campeonato, com cinco partidas vencidas — resultado que garantiu à atleta vaga nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB).

Apesar do vice-campeonato estadual, Lígia admite ter sentido frustração no momento da definição, já que apenas o professor do primeiro colocado acompanharia o aluno na etapa nacional. “Foi bom, mas na hora eu fiquei triste, porque só o professor da pessoa que ficou em primeiro lugar iria para o nacional. No caso, o Miguel não iria comigo. Aí fiquei triste por isso. Preferia ter ficado em primeiro lugar.” Para a competição nacional, a meta que ela estabelece para si mesma é ficar entre as 20 melhores colocadas — ainda que o professor acredite que ela possa ir além disso.

Um interesse que vem de casa e da infância

Nenhum dos dois começou a jogar xadrez recentemente. Lígia aprendeu os movimentos das peças ainda em casa, ensinada pelos pais, e reencontrou o jogo na escola por meio do professor Miguel. “Meu pai e minha mãe me ensinaram a mexer as peças. Depois eu vim para a escola e o Miguel começou a me ensinar também. Quando ele parou de dar aula para mim, eu parei de jogar. Mas aí ele elogiou outro menino e minha irmã ficou com ciúmes e começou a treinar. Eu pensei: ‘não vou ficar sozinha, né?’. Então comecei a treinar também e levei a sério.”

Michel teve seu primeiro contato com o xadrez por meio dos irmãos, que já praticavam a modalidade. “Meus irmãos já jogavam e me ensinavam. No começo eu não tinha tanto interesse, mas depois que comecei a treinar percebi que era divertido.” Já o professor Miguel conheceu o jogo ainda criança, por meio de um videogame, e se aproximou de vez da modalidade depois que um amigo lhe disse que o xadrez “deixava a pessoa inteligente”. Ele chegou a se afastar do tabuleiro durante a faculdade, mas retomou a prática após se formar, com o objetivo de ensinar seus próprios alunos.

Os treinos com Miguel acontecem há cerca de dois anos — período que coincide com a evolução dos resultados dos dois estudantes. A escola não tem uma disciplina específica de xadrez; os alunos aproveitam intervalos e horários de almoço do ensino integral para jogar online e treinar estratégias entre uma aula e outra.

Planos para os próximos anos

Os três destacam benefícios que vão além do tabuleiro: raciocínio lógico, tomada rápida de decisão, interpretação, concentração e reflexos no próprio desempenho escolar. Para o professor Miguel, a classificação de Lígia à etapa nacional já é, por si só, um resultado expressivo. “Para mim, chegar ao nacional já é algo extraordinário. Passar da estadual é muito difícil.” A aluna, no entanto, mira mais alto: “Quero ser campeã nacional e participar de outras competições.”

Lígia e Michel dizem sonhar também com títulos como Mestre Nacional e Grande Mestre — ambição que, reconhecem, exigiria dedicação integral ao esporte. Miguel compartilha do mesmo sonho para seus alunos, mas pondera que isso passa por uma condição maior: a criação de políticas públicas de incentivo ao xadrez, capazes de ampliar a difusão e a valorização da modalidade no país.

Antes disso, a dupla — ao lado de outros estudantes de Mariana — tem outro compromisso na agenda: os Jogos Escolares de Mariana, onde vão competir no xadrez e em outras modalidades esportivas.

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