A mudança de escala de trabalho da Guarda Civil Municipal de Ouro Preto e seus desdobramentos dominaram a 32ª reunião ordinária da Câmara Municipal, realizada nesta terça-feira, 2 de junho. Vereadores debateram o corte do vale-refeição dos guardas, relataram insatisfação generalizada na corporação e cobraram diálogo entre a Secretaria Municipal de Segurança Pública e a categoria.
O vereador Ricardo Gringo (Republicanos) foi o autor do Requerimento 224/2026, que pede esclarecimentos formais da Prefeitura sobre as mudanças. Segundo ele, informações recebidas no mandato apontam que servidores do alto comando da GCM teriam proposto a entrega de cargos ao secretário Moisés em razão dos cortes. “Chegou ao nosso gabinete que o Comandante, o Inspetor e outros coordenadores chegaram a propor ao secretário a entrega do respectivo cargo por não conseguir mais aceitar esses cortes”, disse o vereador.
Gringo também levantou uma situação que atinge a fiscalização urbana e rural do município. Segundo ele, servidores dessa área realizaram horas extras após reunião realizada no dia 20 de maio, na qual o tema teria sido discutido, e depois foram informados de que as horas não seriam pagas. “A pessoa que fez um planejamento com aquele dinheiro para pagar um aluguel, pagar uma escola de um filho — isso já está sendo arbitrário”, afirmou.
O vereador Luciano Barbosa (MDB) disse ter conversado com guardas e ouvido relatos de dificuldades na convivência com o secretário. “A gente tem de entender e buscar uma solução. Não podemos ficar aqui somente falando. A corda sempre estoura para o lado mais fraco, que às vezes é a população”, disse.
A vereadora Lilian França (PP) reforçou a importância da categoria. “A guarda hoje é uma ferramenta de trabalho importantíssima para trazer segurança para o nosso município. A gente não pode regredir”, afirmou, anunciando que assinaria o requerimento de Gringo.
O vereador Alessandro Sandrinho (PP) fez um apelo direto ao sindicato da categoria. “Nada e ninguém melhor para vir à casa, usar a tribuna em nome dos servidores, que às vezes pode ficar com medo de ter uma reação, do que o sindicato”, disse.
O presidente da Câmara, vereador Vantuir (Avante), encerrou o debate pedindo ao Executivo que priorize o diálogo. “O que eu peço ao Executivo é que tenha o diálogo, a conversa, para chegar a um acordo, para as coisas fluírem bem dentro do nosso município”, afirmou.
O Vintém já havia publicado matéria sobre o tema nesta terça-feira, com as versões do sindicato e da Prefeitura. A Secretaria Municipal de Segurança Pública negou as exonerações no comando e afirmou que a mudança de escala tem amparo legal no Estatuto dos Servidores Públicos municipais. O requerimento 224/2026 foi aprovado por 11 votos e aguarda resposta do Executivo.
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