Prefeitura de Ouro Preto leva estudantes a São Bartolomeu para conhecer patrimônio imaterial e doces centenários

Visita técnica gratuita no dia 30 de junho percorre núcleo histórico tombado e cozinha de doceira; inscrições abertas para graduação e pós-graduação
Câmara de Ouro Preto convoca secretarias municipais para debater riscos do Super El Niño

Audiência proposta pelo vereador Kuruzu reúne defesa civil, saúde e obras para discutir o que fazer antes que o fenômeno chegue
Quando confiar vira risco: como amigos e familiares ajudam a espalhar notícias falsas nas redes sociais

Giuliana Isabella, Insper Você confiaria mais em uma informação porque foi enviada por alguém próximo? Se a resposta for “sim”, isso pode ser parte de um problema. A desinformação não se espalha apenas porque parece convincente, mas porque chega até nós por meio de pessoas em quem confiamos. Um estudo publicado em abril na Online Information Review investigou por que pessoas comuns compartilham desinformação em aplicativos de mensagens. O artigo, intitulado “My friend sent it, I fell for it: investigating misinformation and sender credibility” (Meu amigo mandou, e eu caí na armadilha: investigando a desinformação e a credibilidade do remetente), foi conduzido por Eduardo Mesquita, Evandro Luiz Lopes, Júlio Araújo Carneiro da Cunha e por mim. Essa é a principal conclusão do estudo, que analisa como mensagens falsas circulam em ambientes digitais, especialmente em espaços privados como WhatsApp. Diferentemente das redes sociais abertas, esses ambientes são marcados por relações próximas, amigos, familiares, colegas, o que muda a forma como avaliamos o que recebemos. O papel da confiança No dia a dia, ninguém tem tempo (ou disposição) para verificar tudo o que chega no celular. Diante do excesso de informação, o cérebro busca atalhos. Um dos mais comuns é confiar na fonte: “se foi essa pessoa que enviou, deve ser verdade”. O estudo mostra que esse atalho tem consequências importantes. Em três experimentos com mais de 900 participantes, os pesquisadores apresentaram mensagens falsas variando apenas um elemento: quem teria enviado a informação. O resultado foi direto. Quando a mensagem vinha de alguém considerado confiável, a intenção de compartilhamento aumentava significativamente, mesmo sendo falsa. Ou seja, não é só o conteúdo que importa. Quem envia pode ser ainda mais decisivo. Quando algo “parece” verdadeiro Por que isso acontece? Segundo o estudo, a credibilidade do emissor faz com que a mensagem pareça mais verdadeira. Em situações de atenção limitada, como ao rolar rapidamente o celular, as pessoas não analisam os detalhes da informação. Em vez disso, usam sinais rápidos para julgar o que é confiável. A identidade de quem envia a mensagem é um desses sinais. Isso explica por que conteúdos duvidosos continuam circulando mesmo quando há dúvidas sobre sua veracidade. A confiança no remetente acaba “substituindo” a verificação dos fatos. O fator social: compartilhar para ajudar Mas acreditar não é tudo. O estudo identificou um segundo fator que aumenta ainda mais o compartilhamento: a relevância social. Em termos simples, trata-se da sensação de que aquela informação pode ser útil para outras pessoas. Pode ser um alerta de saúde, uma mudança em regras públicas ou qualquer conteúdo que pareça importante para amigos e familiares. Quando uma mensagem é percebida como relevante para os outros, a chance de compartilhamento cresce, especialmente se ela vier de alguém confiável. Isso ajuda a entender um comportamento comum: compartilhar algo “por precaução”, mesmo sem ter certeza se é verdade. Nesse caso, a motivação não é enganar, mas ajudar. O efeito dos grupos privados O ambiente onde a mensagem circula também faz diferença. Em aplicativos como WhatsApp, as interações acontecem em grupos fechados, com pessoas conhecidas. Isso aumenta a confiança entre os participantes e reduz o nível de questionamento. Ao mesmo tempo, há menos exposição pública, o que diminui o risco de ser corrigido ou criticado por compartilhar algo errado. Resultado: decisões são tomadas mais rapidamente e com menos verificação. Por que isso importa Essas conclusões mudam a forma como pensamos a desinformação. O problema não está apenas em conteúdos falsos ou em quem os cria, mas também em como pessoas comuns os distribuem. Muitas vezes, o compartilhamento acontece de boa-fé. A pessoa acredita na mensagem e acha que está fazendo algo útil ao repassá-la. Isso torna o fenômeno mais difícil de combater. O que pode ser feito? Nós sugerimos que estratégias contra desinformação precisam ir além da checagem de fatos. É importante alertar as pessoas sobre o papel da confiança nas decisões de compartilhamento. Confiar em quem envia não garante que a informação seja verdadeira. Outro ponto importante é a relevância social. Quanto mais uma mensagem parece urgente ou importante para os outros, maior deveria ser o cuidado antes de compartilhá-la e não o contrário. Esse é um dos aspectos mais contraintuitivos do estudo. No fim das contas, o estudo traz uma conclusão desconfortável: qualquer pessoa pode contribuir para a disseminação de desinformação. Não é preciso intenção de enganar. Basta confiar demais, verificar de menos e querer ajudar. Em um ambiente digital baseado em conexões pessoais, a confiança é um dos principais motores da circulação de informação. E, como mostra a pesquisa, pode ser também um dos principais caminhos para que conteúdos falsos se espalhem. Giuliana Isabella, Professora e pesquisadora de marketing, Insper This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Entenda como a mineração ilegal de ouro na Amazônia é causa direta de surtos de malária entre indígenas

Daniela de Angeli Dutra, Bangor University e Riley Casagrande, Stanford University Os preços do ouro estão em níveis recordes e estamos muito preocupados. Como ecólogos de doenças, não é a instabilidade econômica que nos preocupa, mas sim o fato de que um aumento na mineração ilegal de ouro pode ter um impacto devastador na saúde humana. Nossa equipe de pesquisadores da Universidade Stanford, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estabeleceu e quantificou os efeitos da mineração ilegal de ouro no aumento recente de casos de malária no território Yanomami, na Amazônia brasileira. Esse surto de malária mergulhou essa população indígena isolada em uma devastadora crise de saúde no início da década de 2020. Governo em prol do garimpo Quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2019, fez da desregulamentação ambiental um pilar central do seu governo, alegando que as proteções ambientais e de terras indígenas prejudicavam o desenvolvimento econômico do Brasil. Ele também transferiu a autoridade de demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para o Ministério da Agricultura. Além disso, o então presidente emitiu decretos com o objetivo de desregulamentar a mineração do ouro na região amazônica. Esses decretos não faziam distinção entre a mineração regulamentada (portanto, legal), fora do território indígena, e a mineração dentro de terras indígenas, que é universalmente ilegal. Assim, garimpeiros ilegais invadiram o território Yanomami. Em janeiro de 2023, quando Lula assumiu a presidência, o número de garimpeiros ilegais no território Yanomami, o maior território indígena da Amazônia, havia subido para 20 mil, aproximadamente dois terços da população Yanomami. Malária e a crise de saúde dos Yanomami Semanas após Lula assumir a presidência, o veículo de notícias independente Sumaúma divulgou uma reportagem citando números alarmantes de doenças e desnutrição entre os Yanomami. Repleta de imagens do sofrimento do povo indígena, a reportagem motivou o presidente a declarar estado de crise humanitária. André Siqueira, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro da equipe de médicos enviada ao território após a declaração da crise, relatou: “As condições da população eram devastadoras”. Quase todas as pessoas testadas apresentaram resultado positivo para malária. Pequeno aumento na atividade mineração, grande aumento nos casos de malária A publicação da Sumaúma e o relatório do Instituto Socioambiental relacionavam o influxo de garimpeiros ilegais durante o governo Bolsonaro à crise sanitária dos Yanomami e à proliferação da malária. Como pesquisadores que se dedicam a estudar como as modificações de uso do solo contribuem para a disseminação de parasitas, suspeitávamos que a mineração ilegal de ouro e a malária não eram fatores isolados que contribuíam para a mesma crise, mas sim parte de um sistema de causa e efeito que devastava o território e sua população. A mineração ilegal de ouro pode disseminar a malária de diversas maneiras. Primeiro, quando os garimpeiros derrubam florestas e abrem clareiras nas margens dos rios para acessar os depósitos de ouro, criam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito transmissor da malária na Amazônia. Segundo, quando os garimpeiros viajam para o território, possivelmente vindos de áreas endêmicas de malária na América do Sul, podem transportar o parasita e aumentar sua transmissão. Por fim, garimpeiros ilegais frequentemente utilizam mercúrio para extrair partículas de ouro de forma barata e fácil. Esse mercúrio é despejado nos cursos d’água da região, envenenando as pessoas que dependem dos rios para obter água e peixes, enfraquecendo seus sistemas imunológicos e tornando-as mais suscetíveis à infecção por malária. Os dados detalhados sobre as condições de saúde e ambientais na Amazônia, coletados pelo Ministério da Saúde, permitiram não apenas estabelecer com segurança essa ligação entre garimpo e malária de que os povos indígenas suspeitavam há muito tempo, mas também quantificar essa relação, tornando-a concreta e passível de ação. Ficamos chocados com os resultados: a relação era muito mais forte do que suspeitávamos. Descobrimos que cada aumento de 0,03% na mineração levava a um aumento de 20 a 46% nos casos de malária um a dois anos depois, resultando em um aumento de 300% nos casos de malária no território Yanomami entre 2016 e 2023. Compreender a associação entre a mineração de ouro e a malária, que está na base da crise de saúde dos Yanomami, é apenas uma parte da solução. Queremos que nosso estudo seja uma ferramenta que permita que ativistas indígenas influenciem a intervenção e as políticas governamentais. Afinal, nossos resultados mostram que prevenir a mineração ilegal em áreas indígenas gera consequências importantes para a saúde dessa população vulnerabilizada. Ações em muitas frentes pela saúde global O governo Lula está empenhado em importantes esforços para expulsar os garimpeiros ilegais e estabelecer centros de saúde no território. Embora as hospitalizações por malária tenham diminuído ligeiramente desde 2023, a incidência de malária entre os Yanomami permanece alta, devido ao efeito retardado que identificamos em nossa pesquisa e à dificuldade de acesso a diagnósticos e tratamentos oportunos em regiões remotas. Pesquisadores estão avançando para reduzir essa lacuna de acesso. Uma equipe internacional desenvolveu os “malakits”, que capacitam membros da comunidade sem formação médica formal a diagnosticar e tratar a malária no local. Esses esforços são de importância crucial, visto que os efeitos tardios da mineração ilegal de ouro continuarão causando incidência elevada de malária, a menos que as comunidades tenham amplo acesso ao tratamento. Também é importante garantir os plenos direitos territoriais das populações indígenas e capacitá-las a defender suas terras. Essa é, comprovadamente, uma das maneiras mais eficazes de combater o desmatamento e proteger os ecossistemas. Para enfrentar os surtos de malária, é também necessário diversificar a economia rural da Amazônia com foco na sustentabilidade, de modo que as pessoas tenham opções além da mineração e da exploração madeireira. Consumidores informados também podem contribuir para a solução do problema, priorizando a compra de ouro reciclado ou abster-se de comprar ouro, enviando um sinal de que a extração de ouro não justifica o custo humano, a exemplo do que já foi feito com os diamantes nos anos 2000. Os apelos para
Mudanças climáticas estão tornando regime de chuvas na Amazônia mais sensível ao desmatamento

Chuvas na Amazônia: estudo om participação de pesquisadores de cinco países investigou como as mudanças climáticas globais e os padrões regionais de uso da terra interagem para influenciar os padrões de precipitação na região sul do bioma até o ano de 2050. Foto: Fapesp Pesquisa / Rogerio Assis, CC BY Britaldo Soares Filho, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) A comunidade científica investiga, há um tempo considerável, as ameaças da ação humana para a Floresta Amazônica e seus impactos no clima regional e local. Uma das grandes preocupações entre os cientistas é o quanto de desmatamento a floresta suporta até que seu sistema de regulação de chuvas entre em colapso. Estudos prévios mostram que o volume de precipitações cai drasticamente quando o desmatamento ultrapassa cerca de 30% a 40% regionalmente. Nos últimos 50 anos, estima-se que a Amazônia tenha perdido cerca de 20% de sua cobertura vegetal para lavouras e pastagens, e a expectativa é que o dano total atinja 44,9% até 2050. Essa perda, entretanto, não recai sobre o clima uniformemente, de modo que os impactos dependem da escala geográfica e do uso que se faz das áreas afetadas. E não é apenas o desmatamento que impacta o sensível equilíbrio local. De acordo com o Sexto Relatório de Avaliação do IPCC, a região sul da Amazônia deve sofrer com secas prolongadas e redução de chuvas em geral em decorrência das alterações climáticas globais. As consequências conjuntas de mudanças no clima e perda de cobertura vegetal nativa para ultrapassar o limiar de colapso amazônico, entretanto, ainda não haviam sido investigadas. Padrões regionais de uso da terra Diante dessa incógnita, o principal objetivo do nosso estudo, Climate Change Amplifies Rainfall Sensitivity to Deforestation in the Southern Amazon, publicado na Geophysical Research Letters, com participação de pesquisadores da China, Austrália, Coreia do Sul, Finlândia e do Brasil, foi investigar como as mudanças climáticas globais e os padrões regionais de uso da terra irão, em interação, influenciar os padrões de precipitação na região sul do bioma amazônico até o ano de 2050. Nossos principais questionamentos eram como os efeitos combinados das alterações no clima e do desmatamento modificariam padrões regionais de precipitação futuros e sua sensibilidade à perda progressiva da floresta, e se as mudanças climáticas alterariam o limiar de desmatamento necessário para causar reduções mensuráveis e persistentes das chuvas. Nas análises, foram combinados cenários de mudanças climáticas globais e mudanças no uso da terra regionais. Para o clima, foram usados contextos contrastantes, em que um representava um caminho de desenvolvimento sustentável, com baixas emissões de gases do efeito estufa, e outro, um caminho de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis, com altas emissões. Para o uso da terra, foi utilizado o cenário “business‐as‐usual” (BAU) do modelo SimAmazonia, que considera as tendências de expansão agropecuária e infraestrutura sem grandes melhoramentos na legislação e sua implementação através da fiscalização ambiental. O sul da Amazônia é uma região sob forte pressão da fronteira agrícola, e o modelo usado no estudo projeta que a cobertura florestal na área deve diminuir de 49%, em 2020, para 39% até 2050. Ao mesmo tempo, a área cultivada deve crescer em 5% e as pastagens devem se expandir de 30%, em 2020, para 36% até 2050. Queda significativa na precipitação média até 20250 Em relação às chuvas, ao considerar apenas as mudanças no uso da terra de 2020 para 2050, a precipitação média por ano na região reduziria em 1,7%, variando 42,1 mm. Quando apenas as mudanças climáticas são consideradas, a precipitação média anual diminui em 12,3% ou 295,4 mm, no cenário de baixas emissões, e 9,4% ou 225,1 mm sob o contexto de altas emissões. Quando analisadas em conjunto, mudanças no uso da terra e climáticas provocam redução de 13,9%, ou 337.5 mm, no cenário de baixas emissões e 10,9%, ou 267.2 mm, no de altas. A menor taxa de redução no segundo cenário pode dar a falsa ideia de que esse contexto seria, então, melhor que o de baixas emissões. Porém, o estudo também mostra que a distribuição e intensidade das chuvas é afetada. Sob as condições do segundo cenário, altas emissões, o volume de precipitações é maior apenas em um ponto específico, enquanto é menor nas demais áreas, revelando um maior desequilíbrio regional. De modo geral, as análises revelam que as alterações no clima deixam o equilíbrio pluviométrico ainda mais vulnerável às mudanças no uso do solo. Isso significa que o desmatamento, diante das mudanças climáticas, se torna ainda mais prejudicial ao regime de chuvas, e impacta severamente o agronegócio na região. Os resultados desse estudo são, enfim, mais uma prova de que barrar o desmatamento é essencial e a melhor decisão quando se pensa no futuro, sobretudo do Brasil. Apenas desse modo será possível salvaguardar tanto os recursos hídricos, quanto a produtividade e competitividade da agricultura regional e nacional. Britaldo Soares Filho, Fundador e pesquisador do Centro de Sensoriamento Remoto, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Crise na Guarda Civil de Ouro Preto chega ao Ministério Público com pedido de inquérito civil

Sindsfop aciona MP e aponta cinco irregularidades na crise da Guarda Civil de Ouro Preto
Veja o resultado de simulações de computador para prever a seleção ganhadora da Copa do Mundo

O polvo Paul apostou na Espanha contra a Holanda em 2010, mas será que simulações baseadas em ciência de dados e aprendizado de máquina vão se sair melhor este ano? Roland Weihrauch/DPA/AFP via Getty Images Achim Zeileis, University of Innsbruck Antigamente, quando queríamos saber qual seleção venceria a Copa do Mundo, precisávamos recorrer a videntes com bolas de cristal, adivinhação com folhas de chá ou torcer para que Paul, o Polvo nos indicasse o que iria acontecer. Mas a ciência de dados moderna pode oferecer uma alternativa melhor. Como parte de uma equipe de estatísticos, ajudei a treinar um algoritmo de aprendizado de máquina para prever o desfecho mais provável do torneio. Previsões probabilísticas e dados viciados O algoritmo que criamos funciona em duas etapas. Na primeira, modelos estatísticos sofisticados e insights de especialistas em apostas e no mercado de transferências são combinados para determinar os pontos fortes de todas as seleções e de seus jogadores. Na segunda etapa, um algoritmo de aprendizado de máquina decide a melhor forma de combinar as estimativas de força com outras informações sobre as seleções. Isso gerou uma previsão probabilística para cada partida possível do torneio. Isso pode ser comparado a um par de dados viciados: em vez de terem os números de 1 a 6 com probabilidades iguais, esses dados viciados têm probabilidades diferentes para o número de gols de cada time. Por exemplo, de acordo com nossa previsão, o México tem uma média de 1,9 gols na partida de estreia, enquanto a África do Sul, seu adversário, tem uma média de apenas 0,7. Mas isso não significa que o México certamente vencerá. Em vez disso, uma vitória do México é o resultado mais provável, com 65% de probabilidade. Um empate é menos provável (21%), e uma vitória da África do Sul é o resultado menos provável (14%). ‘Vuelve a casa, el fútbol vuelve a casa!’ Usando diferentes pares de dados viciados, o resultado de cada partida da Copa do Mundo pode ser simulado. Levamos em consideração o sorteio oficial do torneio e todas as regras da Fifa, incluindo a possibilidade de prorrogação e pênaltis. Executamos a simulação 100.000 vezes para determinar o roteiro mais provável do torneio. Os resultados mostram que a Espanha é a favorita ao título, com uma probabilidade de vitória de 14,5%, seguida de perto pela Inglaterra e pela França, ambas com 12,4%, e pela Alemanha, com 11,2%. Devido à ampliação do torneio – esta Copa do Mundo conta com 48 seleções e cinco rodadas na fase eliminatória –, este grupo de favoritas está bastante disputado. Portugal e a Argentina também têm boas chances de conquistar o título, com 8,9% e 8,2%, respectivamente. Já o Brasil vem na sétima posição, com 4,7% Os Estados Unidos, por sua vez, têm boas chances de chegar às oitavas de final: 78%. Essa é a maior probabilidade do grupo, que conta com outras três seleções. Na fase eliminatória, no entanto, quando cada partida é decisiva, as chances da seleção americana “sobreviver” caem relativamente rápido. A probabilidade de uma vitória da seleção anfitriã na final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, em 19 de julho, é de apenas 1%. Um olhar mais profundo na sala de máquinas Nosso algoritmo de aprendizado de máquina e as simulações subsequentes são alimentados por dados, conhecimento especializado e modelos estatísticos. Primeiro, todas as partidas internacionais dos últimos oito anos servem de base para uma estimativa “retrospectiva” da força das seleções. Em segundo lugar, uma estimativa “prospectiva” da força é obtida a partir das cotações de várias casas de apostas internacionais, refletindo suas opiniões especializadas sobre o torneio que se aproxima. Em terceiro lugar, as avaliações dos jogadores individuais são produzidas com base em suas contribuições para os gols nos níveis de clube e nacional. E, finalmente, a qualidade atual e o potencial futuro dos jogadores se refletem em seus esperados valores de mercado. Essas informações estão disponíveis no site Transfermarkt, que utiliza uma abordagem de sabedoria coletiva para estimar os valores reais de mercado ainda desconhecidos. Essas quatro variáveis são combinadas com uma ampla gama de outros dados relevantes que refletem a situação atual das diferentes seleções e dos países de origem dos jogadores. Isso inclui detalhes específicos das equipes, como sua classificação na Fifa e o número de jogadores nas semifinais da Liga dos Campeões deste ano. Também levamos em conta fatores socioeconômicos específicos de cada país, como o PIB per capita. Para determinar se e como essas características são relevantes para os resultados reais em uma Copa do Mundo, foi utilizado um algoritmo de aprendizado de máquina. Aqui, uma chamada floresta aleatória é treinada, consistindo em muitas árvores de decisão que capturam subconjuntos ligeiramente diferentes dos dados. O algoritmo foi treinado com todos os jogos disputados nos principais torneios de futebol desde a Copa do Mundo de 2006. Assim, ele relaciona a força de uma equipe, seu valor de mercado e outros fatores ao número de gols marcados nas partidas da Copa do Mundo. Essas são as informações que definem o resultado de nossas simulações. Saiba mais Esta não é a primeira vez que nossa equipe, composta por Andreas Groll e Rouven Michels e colegas da Universidade Técnica de Dortmund, na Alemanha, Lars Magnus Hvattum da Faculdade Universitária de Molde, na Noruega, Gunther Schauberger da Universidade Técnica de Munique e eu colaboramos para fazer uma previsão da Copa do Mundo. Na Copa do Mundo Feminina de 2019, previmos corretamente que os EUA seriam os vencedores. Na Copa do Mundo Feminina de 2023 e na Copa do Mundo Masculina de 2022, os vencedores – Espanha e Argentina, respectivamente – não eram nossos favoritos, embora tenhamos previsto que fossem sérios candidatos. O ponto principal é que previsões tratam de probabilidades. Nosso programa não vai prever o vencedor com 100% de certeza – mas pode se sair melhor do que um molusco de oito braços. Achim Zeileis, Professor of Statistics, University of Innsbruck This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original
Novo estudo sugere que uma bactéria intestinal pode ajudar a prevenir o reganho do peso após dieta

Uma pesquisa descobriu que uma determinada bactéria intestinal pode ajudar a evitar o reganho do peso perdido. Prostock-studio/ Shutterstock Rachel Woods, University of Nottingham; University of Lincoln Perder peso é difícil. Manter o peso alcançado costuma ser ainda mais difícil. Pesquisas mostram que a maioria das pessoas que perde peso intencionalmente recupera pelo menos parte dele em poucos anos. Isso é frequentemente atribuído à falta de “força de vontade”, mas as evidências mostram, na verdade, que depois que perdemos peso, o corpo passa por uma série de mudanças biológicas que favorecem o reganho de peso. Isso inclui aumento da fome, alterações no metabolismo e mudanças nos hormônios envolvidos na regulação do apetite. Mesmo as pessoas que perdem peso com um medicamento à base de GLP-1 têm dificuldade em manter a perda de peso assim que o tratamento é interrompido. Por esse motivo, encontrar maneiras de ajudar as pessoas a manter a perda de peso é uma área importante de pesquisa. Um novo estudo publicado na Nature Medicine sugere que uma determinada bactéria intestinal pode ajudar a prevenir o reganho de peso. A bactéria, chamada Akkermansia muciniphila, é uma espécie abundante no microbioma intestinal humano. Ela vive na camada de muco que reveste o intestino. Ela é capaz de se alimentar de mucina (as proteínas e açúcares que compõem esse muco) e acredita-se que desempenhe um papel na manutenção da barreira protetora do intestino e também pode influenciar o metabolismo. A Akkermansia muciniphila tem chamado a atenção nas pesquisas sobre o microbioma nos últimos anos devido à sua associação com a melhora na saúde de pacientes com diversas doenças. Estudos em humanos demonstraram que níveis mais elevados de Akkermansia muciniphila estão associados a uma melhor saúde metabólica, incluindo melhor controle do açúcar no sangue, o que reduz o risco de desenvolver problemas de saúde como o diabetes tipo 2. Por outro lado, níveis mais baixos de Akkermansia muciniphila são observados em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2. Este estudo recente investigou se a suplementação de pessoas com Akkermansia muciniphila após a perda de peso poderia ajudar a limitar o subsequente ganho de peso. O estudo envolveu 90 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os participantes seguiram uma dieta de baixo valor calórico durante oito semanas. Essa dieta consistia em sopas e caldos substitutos de refeições, totalizando 800 a 900 calorias por dia. Após essa fase, os participantes que perderam pelo menos 8% do peso corporal foram então aleatoriamente designados para receber um placebo ou suplementos diários contendo Akkermansia muciniphila pasteurizada por 24 semanas. Eles também foram orientados a seguir uma dieta saudável alinhada com as diretrizes alimentares holandesas, mas foram informados de que poderiam comer tanto quanto quisessem. Este estudo não utilizou bactérias Akkermansia muciniphila vivas. Em vez disso, utilizou-se uma versão pasteurizada (o que significa que as bactérias foram submetidas a tratamento térmico e já não estavam vivas). Isso pode parecer contraintuitivo, mas pesquisas anteriores sugerem que alguns dos efeitos benéficos dos probióticos, incluindo a A. muciniphila, podem vir de componentes da célula bacteriana, e não de micróbios vivos. A pasteurização pode até mesmo potencializar os efeitos do micróbio. Os participantes que tomaram o suplemento recuperaram menos peso. panadda design/ Shutterstock Ao final do estudo, o grupo que recebeu Akkermansia muciniphila havia recuperado significativamente menos peso do que o grupo que recebeu placebo. Em média, aqueles que tomaram o suplemento recuperaram cerca de 1,2 kg, em comparação com 3,2 kg no grupo do placebo. Isso sugere que a suplementação retardou, mas não impediu totalmente, a recuperação de peso após a perda inicial. Os pesquisadores também observaram algumas melhorias em alguns marcadores cardiometabólicos, incluindo maior sensibilidade à insulina (o que significa que o corpo está respondendo à insulina de forma mais eficaz) no grupo que recebeu o suplemento. O microbioma intestinal e o peso corporal O microbioma é altamente complexo. Ele é influenciado pela alimentação, atividade física, sono, medicamentos e muitos outros fatores. Por isso, é improvável que as terapias baseadas no microbioma sejam soluções simples e válidas para todos. Embora os resultados sejam animadores, o estudo foi relativamente pequeno e durou apenas seis meses após a fase inicial de perda de peso. Ainda não sabemos se os efeitos continuariam por períodos mais longos. Há também dúvidas sobre quem tem mais chances de se beneficiar, já que os participantes com níveis intestinais basais mais baixos de Akkermansia pareciam apresentar maiores melhorias cardiometabólicas. Isso destaca um desafio mais amplo na ciência do microbioma: os microbiomas intestinais das pessoas variam enormemente, e tratamentos que funcionam bem para uma pessoa podem ter pouco efeito em outra. O estudo também envolveu uma intervenção alimentar substancial e apoio, incluindo a oferta de um plano de substituição de refeições para a perda de peso inicial e o acompanhamento de nutricionistas durante todo o período do estudo. Portanto, o microrganismo não foi testado isoladamente das mudanças no estilo de vida, nem deve ser visto como um substituto para elas. Também vale a pena notar que vários autores declararam vínculos com a empresa produtora do suplemento utilizado no ensaio. Embora tais colaborações sejam comuns na pesquisa translacional (estudos que testam descobertas de laboratório em pessoas reais para compreender os benefícios à saúde), estudos independentes serão importantes para confirmar e aprofundar essas descobertas. Dito isso, o microbioma continua sendo uma área de pesquisa fascinante e cada vez mais importante, com ligações claras a muitos aspectos da saúde humana. Nosso entendimento sobre ele ainda está em desenvolvimento. No entanto, as pesquisas até o momento mostram que o microbioma desempenha papéis fundamentais no metabolismo e na imunidade, o que significa que ele pode influenciar tanto a saúde quanto o desenvolvimento de doenças. Muitos suplementos probióticos atualmente comercializados para os consumidores têm evidências limitadas que os sustentam. Embora estudos como este sugiram que terapias direcionadas ao microbioma possam ter potencial para, eventualmente, serem utilizadas como parte de estratégias de manutenção de peso, são necessárias muito mais pesquisas. Pode até ser possível apoiar e aumentar a Akkermansia muciniphila sem suplementação. A alimentação desempenha
Fechamento do manicômio de Barbacena reposiciona o Brasil no cenário humanitário mas não encerra obrigações do Estado

Internos de Barbacena posam nas grades das janelas, para as lentes do fotógrafo Luiz Alfredo, no ensaio fotográfico que revelou ao mundo os horrores do manicômio, em 1961. Apesar do importante simbolismo do fechamento definitivo do lugar onde morreram mais de 60 mil pessoas, ainda há centenas de instituições manicomiais com dinâmicas parecidas em funcionamento no Brasil. Foto: Luiz Alfredo / Arquivo do Instituto Moreira Salles Armando Alvares Garcia Júnior, UNIR – Universidad Internacional de La Rioja O ato simbólico de fechamento definitivo do Hospital-Colônia de Barbacena, ocorrido em maio de 2026, encerra formalmente o capítulo mais sombrio da psiquiatria brasileira. Ao longo do século XX, a instituição funcionou como um “depósito humano”, cenário que teria resultado na morte de cerca de 60 mil pessoas até sua desestruturação progressiva na década de 1980. O traslado dos quatorze sobreviventes remanescentes para uma residência terapêutica conclui um longo processo de desinstitucionalização e desospitalização. Sob a perspectiva do Direito Internacional dos Direitos Humanos, esse desfecho transcende a crônica local e ganha contornos de reparação jurídica global. O perfil das vítimas revela um nítido recorte social e racial A reclusão em massa ocorrida na Colônia nas décadas passadas violou sistematicamente os pilares da dignidade humana. Alguns textos jornalísticos apontam que 70% dos internos careciam de diagnóstico de transtorno mental — dado corroborado por investigação acadêmica sobre o perfil das internações entre 1930 e 1980. O perfil das vítimas revela um nítido recorte social e racial: a maioria absoluta consistia em pessoas negras, além de mães solteiras, homossexuais, alcoólatras e cidadãos marginalizados pela sociedade. A privação extrema de alimentos, a ausência de água potável e a comercialização de cadáveres para faculdades de medicina — com pelo menos 1.857 corpos vendidos a 17 instituições de ensino entre 1969 e 1981 — configuram práticas condenáveis. De fato, como mínimo, contrariam diretamente os compromissos estabelecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo artigo 5.º proíbe de forma absoluta qualquer forma de tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante. Essa transição estrutural encontra amparo normativo na Convenção sobre os Dirietos das pessoas com deficiência de 2007, tratado internacional incorporado à legislação brasileira com equivalência constitucional pelo Decreto n.º 6.949, de 25 de agosto de 2009. O artigo 19 desse documento estabelece o direito fundamental de viver em comunidade, rejeitando a segregação baseada em condições intelectuais ou psicossociais — disposição que a literatura especializada reconhece como o pilar central do processo global de desinstitucionalização. Estado cumpre determinação da ONU Ao extinguir os últimos resquícios habitacionais do antigo complexo, o Estado brasileiro cumpre essa determinação internacional, substituindo o isolamento compulsório por moradias assistidas focadas na reinserção social, em conformidade com as Diretrizes da ONU sobre Desinstitucionalização adotadas pelo Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2022. O desmantelamento final do aparato manicomial e o suporte de longo prazo conferido aos últimos sobreviventes colocam em movimento um processo que o direito internacional conhece como justiça de transição — o conjunto de medidas concretas que os Estados devem adotar para reparar, reconhecer e não repetir abusos massivos cometidos por suas próprias instituições no passado. Universidades se desculpam por usar cadáveres de pacientes Parte central desse processo são os pedidos públicos de desculpas: em abril de 2026, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) admitiu ter recebido cadáveres de pacientes do Colônia para aulas de anatomia; em maio, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) estimou o recebimento de 169 corpos entre 1962 e 1971. Ao assumirem publicamente sua responsabilidade, as duas universidades devolvem às vítimas e à sociedade o reconhecimento oficial de que uma injustiça foi cometida — o que o Centro Internacional para a Justiça de Transição(ICTJ) e os Princípios da ONU sobre Reparação consideram insubstituível, mas que constitui apenas o início, e não o encerramento, de um processo reparatório ainda em construção. A preservação da memória histórica atua como outra exigência normativa internacional para evitar a repetição de atrocidades — dever consagrado nos Princípios das Nações Unidas sobre o Direito à Verdade, à Justiça, à Reparação e às Garantias de Não Repetição (OHCHR) e nos documentos fundadores do ICTJ. A transformação de antigas alas do hospital no Museu da Loucura atende a esse dever. Espaços pedagógicos cumprem a função de educar as novas gerações sobre os perigos da exclusão social extrema. O registro detalhado das violações busca garantir que o sofrimento das dezenas de milhares de vítimas permaneça visível, servindo como advertência permanente contra o retrocesso em políticas de direitos fundamentais. A consolidação da desinstitucionalização em Barbacena sintoniza as ações do Brasil com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência preconiza o fim definitivo do modelo de confinamento prolongado e defende serviços de saúde mental integrados ao ecossistema comunitário — diretriz que o Brasil adotou formalmente a partir da Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei n.º 10.216, de 6 de abril de 2001). A substituição definitiva de alas asilares por residências terapêuticas em áreas rurais e urbanas segue o padrão recomendado internacionalmente e representa um avanço inegável. A reforma psiquiátrica brasileira adquire, assim, validação técnica e jurídica perante os organismos internacionais de supervisão médica — em especial a Organização Mundial da Saúde, o Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O esvaziamento do Hospital Colônia reposiciona o Brasil no cenário humanitário global — mas o simbolismo do cadeado colocado no portão principal da antiga Colônia não pode encerrar, por si só, as obrigações do Estado. O risco de reduzir esse desfecho a um gesto cerimonial é real e documentado: centenas de instituições com dinâmicas similares persistem em funcionamento no Brasil e em diversas partes do mundo, sob denominações renovadas que dissimulam práticas estruturalmente análogas às do passado. A vigilância permanente da sociedade civil, dos organismos internacionais e dos mecanismos nacionais de prevenção à tortura — previstos no Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura (OPCAT) — é, portanto, condição indispensável para que o fechamento de Barbacena não se converta em exceção
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