Ouro Preto, sexta-feira, junho 12, 2026 14:49

Vereador questiona se grandes eventos dão lucro ao município enquanto carnaval distrital é cortado

Gringo questiona lucro dos grandes eventos após corte no carnaval distrital e queda na receita do OP
Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

A Câmara Municipal de Ouro Preto aprovou nesta quinta-feira o requerimento 239/2026, de autoria do vereador Ricardo Gringo (Republicanos), que pede à Prefeitura o balanço financeiro detalhado de cada grande evento realizado no município. O documento foi aprovado por 13 votos e coloca em pauta uma questão que vereadores de diferentes partidos consideram sem resposta: os shows e festivais custados com dinheiro público geram lucro para os cofres municipais?

O pano de fundo é o carnaval de 2026. Segundo Gringo, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo informou, em reunião com vereadores antes do carnaval, que o evento custaria em torno de R$ 6 milhões e que, para economizar, cortaria a programação nos distritos de São Bartolomeu, Santo Antônio do Salto, Amarantina e outros, mantendo apenas Santa Rita, Antônio Pereira e Cachoeira do Campo. A previsão era de uma economia de R$ 4 milhões. “Esse corte foi real ou não tinha recurso de verdade? Essa pergunta precisa de resposta”, disse o vereador no plenário.

Ao mesmo tempo, a gestão municipal tem realizado shows com artistas nacionais, financiados com recursos públicos. O requerimento pede a discriminação de receitas e despesas de cada evento, a metodologia usada para calcular o impacto econômico e turístico, e um comparativo direto entre o que é gasto em grandes produções e o que chega às festas tradicionais dos distritos. “Você investe 500 mil e arrecada 550, está no lucro. Mas e se está perdendo? A gente precisa saber o que os cofres públicos realmente ganham com esses eventos”, afirmou Gringo.

O vereador também citou uma queda de aproximadamente R$ 9 milhões na receita municipal, informação que, segundo ele, foi divulgada pela própria Prefeitura, mas que não chegou à maioria da população. “Pode profletar, assim como faz nas eleições. Informa que a prefeitura está com dificuldade e o motivo. Não é todo mundo que tem internet”, disse.

O vereador Luiz Gonzaga (PSB) apoiou o requerimento e defendeu que os eventos culturais devem continuar, mas com mais inteligência na gestão. “É preciso pensar: se eu ponho comida na mesa ou faço festa? Mas não deve deixar de fazer a festa. Pode ser menor, pode buscar patrocínio, como aconteceu em outros carnavais com a Ambev. O secretário é um agente político pago com dinheiro público. Tem que fazer economia sem prejudicar as festas”, disse.

A vereadora Lilian França (PP) também assinou o requerimento e relatou a pressão crescente que recebe de comunidades distritais. “O meu celular não para. São inúmeras festividades que são importantes para a diversificação econômica, para a cultura, para o turismo. E os festeiros não conseguem mais ter infraestrutura mínima”, disse.

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