Ouro Preto, quinta-feira, junho 11, 2026 07:04

A chuva está chegando na Antártica e vai mudar a face do continente gelado

Chuva derrete a neve e tira dos glaciares sua fonte de gelo, além de formar poças que desestabilizam plataformas de gelo, aumentando o desprendimento de icebergs e a perda de massa para os oceanos, e ameaçando a sobrevivência de várias espécies de pinguins Gula52 / shutterstock Bethan Davies, Newcastle University A chuva é rara na Antártica. Cientistas que trabalham em campo na região se vestem para o frio e o brilho intenso, não para o tempo chuvoso – jaquetas acolchoadas, calças para neve, óculos de proteção e protetor solar. Aviões pousam em pistas de cascalho que raramente ficam congeladas, já que não há precipitação para congelar. Cabanas históricas permanecem bem preservadas no ar seco. Mas isso está começando a mudar. Já está chovendo com mais frequência na estreita e montanhosa Península Antártica, o extremo norte do continente que se projeta em direção à América do Sul. Parte mais quente da Antártica, a Península está aquecendo mais rapidamente do que o resto do continente e muito mais rapidamente do que a média global. Isso é um sinal adiantado do que a costa da Antártica — especialmente a frágil camada de gelo da Antártica Ocidental — pode experimentar nas próximas décadas. Recentemente, liderei uma equipe de cientistas que analisou como a Península Antártica mudará neste século sob três cenários: emissões altas, médias e baixas de gases de efeito estufa. Descobrimos que, à medida que a península aquece, a precipitação aumentará ligeiramente – e cairá cada vez mais na forma de chuva, em vez de neve. À medida que os dias com temperaturas acima de 0°C se tornam mais comuns, essas chuvas mudarão fundamentalmente a face da península. Quando calor e chuva chegam juntos O clima extremo já está causando perturbações na Antártica. Uma onda de calor em fevereiro de 2020 trouxe temperaturas de 18,6°C para o norte da península — clima para vestir camisetas, quase pela primeira vez na história registrada da Antártica —, enquanto a superfície da “plataforma de gelo” ao lado derreteu a um ritmo recorde. A península se estende da Antártica Ocidental em direção à América do Sul. USGS / wiki, CC BY-SA Os rios atmosféricos – corredores longos e estreitos de ar quente e úmido que começam em latitudes mais quentes – estão desempenhando um papel cada vez mais importante no clima da Antártica. Em fevereiro de 2022, um deles resultou em um derretimento superficial recorde. Outro, em julho de 2023, trouxe chuvas e temperaturas de +2,7°C para a península no auge do inverno. Esses eventos estão ocorrendo com mais frequência, trazendo chuva e derretimento para regiões onde nenhum dos dois havia sido observado antes. O que a chuva faz com a neve e o gelo A neve não gosta de chuva. Todos nós já vimos, com tristeza, a neve derreter rapidamente quando chove. Na Península Antártica, a chuva traz calor e derrete e lava a neve, tirando dos glaciares o seu alimento. A água derretida também pode chegar ao leito do glaciar, lubrificando sua base e fazendo com que os glaciares deslizem mais rapidamente. Isso aumenta o desprendimento de icebergs e a taxa de perda de massa glacial para o oceano. Em plataformas de gelo flutuantes, a chuva compacta a neve que caiu na superfície, o que significa que a água começa a formar lagoas. Essa água derretida acumulada então se aquece, pois é menos refletiva à luz solar do que a neve e o gelo ao redor, e pode derreter através da plataforma de gelo até o oceano abaixo, enfraquecendo o gelo e fazendo com que mais icebergs se desprendam. Isso pode desestabilizar a plataforma de gelo. A formação de poças de água derretida esteve envolvida no colapso das plataformas de gelo Larsen A e B no início dos anos 2000. O gelo marinho também é vulnerável. A chuva reduz a cobertura de neve e a refletividade da superfície, fazendo com que o gelo derreta mais rapidamente. A perda do gelo marinho também enfraquece os amortecedores naturais que atenuam as ondas do oceano e ajudam a impedir que as extremidades das geleiras se quebrem e se transformem em icebergs. Isso também significa menos habitat para algas e krill, além de reduzir as plataformas de reprodução para pinguins e focas. Ecossistemas sob pressão Um clima mais chuvoso terá uma série de impactos ecológicos. A água pode inundar os locais de nidificação dos pinguins. Os pinguins evoluíram em um deserto polar e não estão adaptados à chuva. As penas fofas de seus filhotes não são à prova d’água, então a chuva forte os encharca, às vezes levando à hipotermia e à morte. Pinguins evoluíram para se proteger do gelo e da neve – não da água líquida da chuva. vladsilver / shutterstock Juntamente com o aquecimento dos oceanos, a diminuição do gelo marinho e a redução do krill, essa pressão ecológica afetará os pinguins em todo o continente. Espécies icônicas da Antártica, como os pinguins Adélie e chinstrap, que dependem do gelo, correm o risco de serem substituídas à medida que os pinguins gentoo, mais adaptáveis, se expandem para o sul. A precipitação também altera a vida em escalas menores. Quando remove a cobertura de neve, ela perturba as algas da neve – plantas microscópicas que contribuem para os ecossistemas terrestres da Antártica. Essas algas alimentam micróbios e pequenos invertebrados e podem escurecer a superfície da neve, aumentando a absorção solar e acelerando o derretimento. A neve normalmente isola o solo, amortecendo as oscilações de temperatura e protegendo os organismos que vivem abaixo dela. As superfícies expostas enfrentam condições mais adversas e variáveis. Ao mesmo tempo, o aquecimento dos mares pode facilitar a colonização da área por espécies marinhas invasoras, como certos mexilhões ou caranguejos. Desafios para os cientistas Os seres humanos também não estão imunes aos desafios impostos por uma Península Antártica mais chuvosa. Com o aumento do interesse geopolítico, é provável que a infraestrutura humana cresça, com novos assentamentos e bases em potencial para atender a indústrias emergentes, como turismo ou pesca de krill. A

Novo diagnóstico de “autismo profundo” pode mudar políticas de apoio

Kelsie Boulton, University of Sydney; Marie Antoinette Hodge, University of Sydney e Rebecca Sutherland, University of Sydney Quando se trata de autismo, poucas questões geram tanto debate quanto a melhor forma de apoiar as pessoas autistas com maiores necessidades. Isso levou a revista médica The Lancet a reunir um grupo internacional de especialistas para propor uma nova categoria de “autismo profundo”. Essa categoria descreve pessoas autistas que têm pouca ou nenhuma linguagem (falada, escrita, por sinais ou por meio de um dispositivo de comunicação), um QI inferior a 50 e que precisam de supervisão e apoio 24 horas por dia. Isso se aplicaria apenas a crianças com oito anos ou mais, quando suas habilidades cognitivas e de comunicação são consideradas mais estáveis. Em nosso novo estudo, consideramos como a categoria poderia impactar as avaliações de autismo. Descobrimos que 24% das crianças autistas atendiam ou estavam sob risco de atender aos critérios para autismo profundo. Por que o debate? A categoria tem como objetivo ajudar governos e prestadores de serviços a planejar e fornecer apoio para que as pessoas autistas com as maiores necessidades não sejam negligenciadas. Ela também visa reequilibrar sua sub-representação nas pesquisas convencionais sobre autismo. Essa nova categoria pode ser útil para defender mais apoio, pesquisas e evidências para esse grupo. Mas alguns críticos levantaram preocupações de que as pessoas autistas que não se enquadram nessa categoria possam ser percebidas como menos necessitadas e excluídas dos serviços e apoios financeiros. Outros argumentam que a categoria não enfatiza suficientemente os pontos fortes e as capacidades das pessoas autistas e dá demasiada ênfase aos desafios que enfrentam. O que fizemos? Realizamos o primeiro estudo australiano para examinar como a categoria “autismo profundo” poderia se aplicar a crianças que frequentam serviços de diagnóstico financiados pelo governo para condições de desenvolvimento. Com base no Registro Australiano de Neurodesenvolvimento Infantil, examinamos dados de 513 crianças autistas avaliadas entre 2019 e 2024. Perguntamos: quantas crianças atendiam aos critérios para autismo profundo? havia características comportamentais que diferenciavam esse grupo? Como nos concentramos nas crianças no momento do diagnóstico, a maioria (91%) tinha menos de oito anos. Descrevemos essas crianças como estando “em risco de autismo profundo”. O que descobrimos? Cerca de 24% das crianças autistas em nosso estudo atendiam ou estavam em risco de atender aos critérios para autismo profundo. O número é semelhante à proporção de crianças internacionalmente. Quase metade (49,6%) apresentou comportamentos que representavam um risco à segurança, como tentar fugir dos cuidadores, em comparação com um terço (31,2%) das outras crianças autistas. Esses desafios não se limitavam às crianças que atendiam aos critérios para autismo profundo. Cerca de uma em cada cinco crianças autistas (22,5%) se automutilava, e mais de um terço (38,2%) apresentava agressividade em relação a outras pessoas. Portanto, embora a categoria tenha identificado muitas crianças com necessidades muito elevadas, outras crianças que não atendiam a esses critérios também tinham necessidades significativas. É importante ressaltar que descobrimos que a definição de “autismo profundo” nem sempre se alinha aos níveis oficiais de diagnóstico que determinam a quantidade de apoio e o financiamento do NDIS (National Disability Insurance Scheme, programa governamental australiano que fornece financiamento e apoio a pessoas com deficiências significativas e permanentes) que as crianças recebem. Em nosso estudo, 8% das crianças em risco de autismo profundo foram classificadas como nível 2, em vez de nível 3 (o nível mais alto de apoio). Enquanto isso, 17% das crianças classificadas como nível 3 não atendiam aos critérios para autismo profundo. Nossa preocupação Analisamos as crianças quando receberam o diagnóstico de autismo pela primeira vez. As crianças tinham entre 18 meses e 16 anos, das quais mais de 90% tinham menos de oito anos. Isso está de acordo com nossa pesquisa anterior, que mostra que a idade média do diagnóstico nos sistemas públicos é de 6,6 anos. De uma perspectiva prática, a nossa maior preocupação em relação à categoria de autismo profundo é o limite de idade de oito anos. Como a maioria das crianças já é avaliada antes dos oito anos, a introdução desta categoria nos serviços de avaliação significaria que muitas famílias precisariam repetir as avaliações, colocando uma pressão adicional sobre os já sobrecarregados serviços de desenvolvimento. Em segundo lugar, serão necessárias modificações se este critério for utilizado para informar as decisões de financiamento, uma vez que não se enquadra perfeitamente nos critérios de apoio de nível 3. Mas nossos resultados também sugerem que a categoria de autismo profundo pode fornecer uma maneira clara e mensurável de descrever as necessidades das pessoas autistas com os maiores requisitos de apoio. Cada criança autista tem pontos fortes e necessidades individuais. O termo “autismo profundo” precisaria ser promovido com uma linguagem inclusiva e de apoio, de modo a não substituir ou diminuir as necessidades individuais, mas ajudar os médicos a adaptar os apoios e obter recursos adicionais quando necessário. Incluir a categoria em futuras diretrizes clínicas, como a diretriz nacional para avaliação e diagnóstico de autismo da Austrália, poderia ajudar a garantir que governos, serviços para pessoas com deficiência e médicos planejem e ofereçam apoio. O que você pode fazer enquanto isso? Se você está preocupado com a necessidade de apoio substancial para seu filho, aqui estão algumas medidas práticas que você pode tomar para garantir que suas necessidades sejam reconhecidas e atendidas: Explique suas preocupações Nem todos os médicos têm experiência em trabalhar com crianças com grandes necessidades de apoio. Seja o mais claro possível sobre os comportamentos que afetam a segurança ou a vida diária do seu filho, incluindo automutilação, agressividade ou tentativas de fuga. Esses detalhes, embora difíceis de compartilhar, ajudam a dar uma imagem mais clara das necessidades de apoio do seu filho. Também pode ser um desafio encontrar e ter acesso a médicos com experiência adequada. Outro benefício potencial de ter uma categoria definida é que ela pode melhor ajudar as famílias a navegar pelos cuidados. Pergunte sobre o apoio para toda a família Nossos estudos mostram que muitos cuidadores querem mais apoio para si mesmos, mas

BDMG oferece crédito com taxa reduzida para mulheres empreendedoras e produtoras rurais de Minas até 31 de março

BDMG crédito mulheres empreendedoras | Vintém Serviço público · Economia Linha de crédito do banco estadual está com condições especiais durante o mês de março, com juros mais baixos, até 12 meses de carência e consultoria gratuita do Sebrae para quem contratar até o fim do mês Jiljana Isidoro · Vintém · 13 de março de 2026 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está com linha de crédito especial para mulheres empreendedoras ativa durante o mês de março, com taxa promocional de 0,33% ao mês mais a Selic — abaixo das condições habituais. O prazo de pagamento é de até 48 meses, com 12 meses de carência. A contratação pode ser feita de forma digital, pelo site do BDMG, até o dia 31 de março. Também inédita neste ano, a redução de taxas de março foi estendida às mulheres produtoras rurais, por meio da linha BDMG Agro Repasse, operada pelas cooperativas de crédito parceiras do banco. 💳 Como contratar — BDMG Mulher Empreendedora ⚠️ Prazo: até 31 de março de 2026 Taxa 0,33% ao mês + Selic (taxa promocional de março) Pagamento Até 48 meses, com 12 meses de carência Requisito Empresa com participação societária feminina igual ou superior a 50% do capital social, há mais de seis meses Bônus Consultoria técnica gratuita e personalizada do Sebrae Minas para quem contratar até 31/03 Como contratar De forma digital pelo site do BDMG: bdmg.mg.gov.br Produtoras rurais Acesso pela linha BDMG Agro Repasse, via cooperativas de crédito parceiras — lista disponível no site do banco Um em cada três pequenos negócios tem mulher à frente Negócios liderados por mulheres representam 40% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais, segundo dados do Sebrae Minas. Em 2025, o BDMG liberou R$ 73,2 milhões em crédito para 1,2 mil empresárias por meio das linhas destinadas a elas. “Oferecer um crédito acessível é decisivo para impulsionar o empreendedorismo feminino, permitindo que elas explorem todo o potencial dos seus negócios.” — Letícia Guerra, gerente do BDMG Esta é a segunda edição consecutiva da parceria entre BDMG e Sebrae com foco na mulher empreendedora. A novidade deste ano é a inclusão das produtoras rurais nas condições especiais de março — uma extensão que amplia o alcance da iniciativa além dos centros urbanos. 📊 Em números 40% das MPEs mineiras têm participação feminina majoritária R$ 73,2 mi liberados pelo BDMG para mulheres empreendedoras em 2025 1,2 mil empresárias atendidas em Minas Gerais no ano passado A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou o papel da iniciativa no contexto mais amplo de fomento ao empreendedorismo feminino. *”O empreendedorismo é um caminho de autonomia e liderança para as mulheres mineiras, portanto uma preocupação do Governo de Minas é criar condições para que elas transformem ideias em negócios, levem soluções ao mercado e tirem seus projetos do papel”*, afirmou. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

O que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro

Fernando Gomes, Universidade de São Paulo (USP) e Daiana Petry, Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) Durante muito tempo, falar sobre aromaterapia no contexto científico soava quase como uma contradição. Os aromas eram associados a bem-estar subjetivo, tradição ancestral ou experiências sensoriais difíceis de medir. Porém, um conjunto de revisões e estudos experimentais vem mostrando que certos óleos essenciais podem modular respostas reais do organismo — com resultados que vão desde a redução de estresse e ansiedade, acompanhada de mudanças em marcadores como frequência cardíaca e pressão arterial, até alterações mensuráveis na atividade cerebral associadas a estados de relaxamento vigilante, atenção e flexibilidade cognitiva. A resistência aos aromas não surgiu apenas da ausência de dados, mas de uma herança histórica. Desde o século XIX, o olfato foi considerado um sentido “menor” na hierarquia científica ocidental. A partir de interpretações anatômicas feitas pelo médico francês, anatomista e antropólogo Paul Broca (1824-1880), difundiu-se a ideia de que a evolução da racionalidade humana estaria associada à redução do sistema olfativo, como se o cheiro pertencesse ao domínio do instinto e não da cognição. Essa hipótese, hoje ultrapassada, contribuiu para que o olfato fosse marginalizado em áreas como a medicina, a psicologia e a neurociência por mais de um século. Pesquisas contemporâneas têm demonstrado o oposto: o sistema olfativo humano é altamente sofisticado e profundamente integrado às redes cerebrais de emoção, memória, tomada de decisão e regulação fisiológica. A simples inalação de um aroma é capaz de interagir com estruturas como a amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regiões centrais para o comportamento humano. Com isso, esse cenário está mudando de forma consistente. Hoje, a neurociência está começando a mapear como as moléculas aromáticas presentes nos óleos essenciais podem interagir com o sistema nervoso e influenciar estados emocionais e fisiológicos. Do misticismo ao mecanismo Uma revisão narrativa, publicada em 2025 e indexada no PubMed, intitulada “A Narrative Review of Aromatherapy: Mechanisms and Clinical Value in Physiological and Psychological Regulation”, sintetizou o que a literatura científica tem revelado até o momento sobre os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aromaterapia. Trata-se de um marco importante porque desloca o debate do campo do “funciona ou não funciona” para uma pergunta mais profunda: quais sistemas cerebrais parecem ser modulados pelos aromas e por quais vias isso pode ocorrer? Essa revisão permitiu aos autores organizar dados sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos dos aromas e a base neurobiológica por trás deles. Ela também indica que pesquisas futuras devem aprofundar mecanismos de ação, biodisponibilidade dos compostos aromáticos e segurança a longo prazo, para estimar com mais precisão o potencial terapêutico da aromaterapia. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores afiliados a instituições como Shenzhen Traditional Chinese Medicine Hospital e Southwest Medical University, na China. O caminho direto do aroma ao cérebro O olfato possui uma via privilegiada de acesso ao cérebro. Quando inalamos um aroma, as moléculas odoríferas ativam receptores no epitélio olfatório, que se conecta diretamente ao bulbo olfatório. A partir dali, a informação segue para estruturas do sistema límbico — como amígdala e hipocampo — regiões envolvidas em emoção, memória e motivação, sem passar previamente pelo tálamo, filtro de outros sentidos. Essa característica anatômica explica por que os aromas têm capacidade de evocar emoções, memórias e estados fisiológicos de forma rápida e muitas vezes inconsciente. A revisão destaca que essa ativação límbica está associada à modulação de neurotransmissores centrais para a regulação emocional e cognitiva, como serotonina, dopamina, GABA e noradrenalina. Além dessa rota neural direta, a inalação de óleos essenciais envolve também uma rota fisiológica complementar. Parte das moléculas aromáticas inaladas alcança os pulmões, onde pode atravessar o epitélio respiratório e entrar na circulação sistêmica. Isso significa que o efeito dos aromas não se restringe a uma experiência simbólica ou subjetiva. Há também um efeito observável no organismo, em que compostos voláteis podem alcançar tecidos e influenciar parâmetros fisiológicos. Essas duas vias, que chamamos de olfatória e respiratória, ajudam a compreender por que a aromaterapia desperta um crescente interesse científico. Ansiedade, humor e regulação do sistema nervoso Entre os achados mais consistentes revisados estão os efeitos ansiolíticos e moduladores do estresse de determinados óleos essenciais, especialmente aqueles ricos em monoterpenos e ésteres. O linalol, por exemplo, presente na lavanda, demonstra interação com receptores GABAérgicos, o que ajuda a entender a redução de excitabilidade neuronal e a sensação de calma relatada em diferentes estudos clínicos. A revisão também aponta evidências de efeitos antidepressivos leves a moderados, associados à influência dos aromas sobre circuitos dopaminérgicos e serotoninérgicos. Importante ressaltar: não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de compreender como estímulos olfativos podem atuar como moduladores do sistema nervoso autônomo e do eixo estresse–emoção, especialmente em contextos de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga cognitiva. Em um estudo clínico anterior com 140 participantes, a inalação do óleo essencial de lavanda a cada oito horas, durante quatro semanas, mostrou-se capaz de prevenir a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres no pós-parto, reduzindo de forma considerável os escores dos testes para essas condições. Os escores das escalas utilizadas permaneceram menores até três meses após o início da intervenção, em comparação ao grupo controle, sugerindo que a inalação da lavanda produziu efeitos sustentados ao longo do tempo. Apesar desses resultados promissores, ainda não há consenso científico claro sobre por quanto tempo essas modulações neuroemocionais persistem após o término do estímulo aromático. Essa é uma lacuna relevante para pesquisas futuras, uma vez que muitos estudos concentram-se em efeitos imediatos ou de curto prazo, observados durante ou logo após a inalação ou aplicação tópica dos óleos essenciais. Aromas e função cognitiva: o cérebro em tempo real Um segundo eixo relevante dessa discussão emerge de estudos que conectam aromaterapia à neurofisiologia mensurável. O artigo, publicado no Journal of Medical Signals & Sensors, traz dados interessantes ao utilizar eletroencefalografia (EEG) para avaliar as alterações em padrões de ondas cerebrais (como theta, alpha e beta) associadas a atenção, relaxamento vigilante e à flexibilidade cognitiva após a inalação do óleo essencial de lavanda. É

Mariana lança Lei de Liberdade Econômica e se torna a 100ª cidade mineira a aderir à iniciativa

Lei de Liberdade Econômica em Mariana | Vintém Economia · Mariana Legislação reduz burocracia para abertura e funcionamento de negócios e foi construída por cinco secretarias municipais com apoio do Sebrae. Mariana é a primeira adesão registrada em 2026 no estado Jiljana Isidoro · Vintém · 12 de março de 2026 A Prefeitura de Mariana lançou a Lei de Liberdade Econômica do município durante evento realizado na Casa do Empreendedor. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Diversificação Econômica, Tecnologia e Inovação em parceria com o Sebrae, tem como objetivo reduzir a burocracia para abertura e funcionamento de negócios na cidade. Com a adesão, Mariana se tornou a 100ª cidade de Minas Gerais a implementar a legislação — e a primeira a fazê-lo em 2026. A marca foi celebrada durante a cerimônia de lançamento, que reuniu representantes da Prefeitura, do Sebrae, da consultoria Quasar, do Governo do Estado e da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Mariana (ACIAM). Cinco secretarias e processo intersetorial A elaboração da lei foi conduzida por uma comissão especial formada por representantes de cinco secretarias municipais: Meio Ambiente; Saúde; Planejamento, Fazenda e Governança; Segurança Pública; e Obras. O formato intersetorial buscou garantir que a legislação fosse adequada à realidade administrativa do município, considerando os diferentes órgãos envolvidos no licenciamento e no atendimento a empreendedores. Além da equipe técnica da Prefeitura, o processo contou com consultoria do Sebrae, da Quasar e do Governo de Minas Gerais desde a fase inicial até a conclusão. O que muda para quem empreende A Lei de Liberdade Econômica estabelece diretrizes para simplificar trâmites administrativos e reduzir exigências consideradas desnecessárias para negócios de baixo risco. Na prática, busca tornar mais rápida e previsível a relação entre o poder público e o empreendedor nos processos de abertura, licenciamento e fiscalização. A ACIAM, presente no lançamento, destacou que a medida representa um avanço para os empreendedores locais e para os escritórios de contabilidade, com ganhos esperados em agilidade, segurança jurídica e simplificação dos processos. 📊 Em números 100ª cidade de Minas Gerais a aderir à Lei de Liberdade Econômica 1ª adesão registrada no estado em 2026 5 secretarias municipais envolvidas na elaboração da lei 📋 Entenda — Lei de Liberdade Econômica A Lei de Liberdade Econômica é uma legislação federal de 2019 (Lei 13.874) que estabelece normas de proteção à livre iniciativa e ao exercício de atividades econômicas. No âmbito municipal, sua implementação adapta esses princípios à realidade local, simplificando licenciamentos, reduzindo exigências para negócios de baixo risco e regulando a atuação do poder público na relação com empreendedores. Em Minas Gerais, o Sebrae tem apoiado municípios nesse processo desde 2021. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

Acontece hoje (11): Mariana realiza oficina para construir Plano Municipal dos Direitos das Mulheres

Encontro promovido pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos será às 18h, no Centro de Convenções, e busca reunir poder público e sociedade civil na formulação de metas para políticas públicas voltadas às mulheres no município. Mariana promove nesta quarta-feira, 11 de março, a oficina de elaboração do Plano Municipal dos Direitos das Mulheres. Aberta à participação popular, a atividade acontece às 18h, no Centro de Convenções, e integra o esforço de construção coletiva de diretrizes para a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento das desigualdades no município. Um plano para orientar políticas públicas A proposta é transformar escuta em política pública. A oficina marcada para hoje pretende reunir contribuições da sociedade civil para um documento que deve orientar ações do município em diferentes frentes, da proteção de direitos à ampliação da participação das mulheres na vida social. Segundo a convocação divulgada pela prefeitura, o plano servirá como instrumento de organização de metas e prioridades para a atuação do poder público. Em vez de um texto restrito ao gabinete, a ideia é construir o plano a muitas mãos. Após essa etapa participativa, o documento será encaminhado ao Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, responsável pelo controle social e pelo acompanhamento da efetivação das propostas. Participação popular no centro do processo A gestão municipal tem apresentado a participação da população como peça essencial para que o plano reflita as demandas reais das mulheres de Mariana. O chamamento público divulgado nos canais oficiais da prefeitura também incentiva inscrições prévias para ampliar a presença da comunidade no debate. Num município em que a vida pública ainda carrega marcas profundas de desigualdade, discutir direitos das mulheres em espaço aberto tem peso que vai além do calendário institucional. É nesse tipo de encontro que a política deixa de ser apenas promessa e começa, de fato, a ganhar corpo na escuta. Essa leitura é uma inferência a partir do objetivo público da oficina e do papel atribuído ao plano.

Edital de licitação para obra de contenção do Morro da Forca deve ser publicado nos próximos dias

Licitação Morro da Forca | Vintém Acompanhamento de obras · Infraestrutura Prefeitura reuniu-se com a Seinfra para ajustes técnicos finais antes da publicação. Obra orçada em mais de R$ 34 milhões conta com recursos federais que estavam parados desde 2012 Jiljana Isidoro · Vintém · 11 de março de 2026 A Prefeitura de Ouro Preto realizou reunião técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) para vistoria e alinhamento dos ajustes finais que antecedem a publicação do edital de licitação da obra de contenção do Morro da Forca. Segundo o município, o edital deve ser publicado nos próximos dias. A obra é classificada pela administração municipal como estruturante e estratégica. A contenção da encosta é considerada necessária para a segurança da área e da população do entorno, que convive há anos com o risco geológico no local. “A licitação desta obra é fruto de um trabalho intenso da gestão municipal, que resgatou o convênio do PAC do ano de 2012, elaborou e forneceu o projeto ao Governo do Estado e articulou ativamente junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos, que somarão mais de R$ 34 milhões. Além disso, o trabalho da gestão municipal continuará no acompanhamento da licitação e na fiscalização da execução da obra.” — Franklin Evangelista, secretário municipal de Obras Recursos parados por mais de uma década Os recursos que financiam a obra têm uma história longa. Depositados na Caixa Econômica Federal em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante o governo da presidente Dilma Rousseff, ficaram retidos por mais de uma década sem que a obra avançasse. O prefeito Angelo Oswaldo já havia criticado publicamente a “inércia de muitos governos” que mantiveram os recursos parados. Em 2022, um deslizamento destruiu o Casarão na área, tornando a intervenção ainda mais urgente. Em 2024, as obras de drenagem na encosta foram concluídas como etapa preparatória. Agora, com o edital prestes a ser publicado, a fase de contratação da obra principal se aproxima. 📊 Os números da obra R$ 34 mi+ valor total dos recursos federais para a obra de contenção +13 anos tempo em que os recursos estiveram retidos na Caixa Econômica Federal 2024 conclusão das obras de drenagem na encosta, etapa preparatória 313 áreas de risco geológico mapeadas em Ouro Preto, segundo a Defesa Civil ⏱️ Linha do tempo 2012 Governo federal deposita recursos na Caixa Econômica Federal no âmbito do PAC 2022 Deslizamento destrói o Casarão no Morro da Forca, agravando urgência da intervenção 2024 Obras de drenagem concluídas como etapa preparatória para a contenção 2026 Prefeitura reúne-se com Seinfra; publicação do edital de licitação prevista para os próximos dias Com a publicação do edital, abre-se o processo formal de seleção da empresa que executará a obra. O município informou que acompanhará tanto a licitação quanto a execução. A Seinfra, por sua vez, participou da vistoria técnica como parte do processo de validação antes da abertura do certame. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

Mariana concentra frente de meliponicultura que alia renda e recuperação ambiental na Bacia do Rio Doce

Projeto capacitou 60 famílias em quatro localidades mineiras para a criação de abelhas nativas sem ferrão, com foco em conservação, produção de meliprodutos e fortalecimento da economia local Mariana aparece como um dos principais pontos de uma iniciativa de meliponicultura desenvolvida na Bacia do Rio Doce, voltada à criação de abelhas nativas sem ferrão como alternativa de renda e preservação ambiental. Ao todo, 60 famílias foram capacitadas em quatro localidades de Minas Gerais, em um projeto que combinou assistência técnica, formação produtiva e incentivo à comercialização. Conduzida no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, a ação foi iniciada em fevereiro de 2024 e concluída em fevereiro de 2025, segundo os organizadores. Mariana no centro de uma aposta sustentável Entre serras, quintais e áreas em recuperação, Mariana se destaca no mapa de uma experiência que tenta juntar cuidado ambiental e sustento cotidiano. O projeto de meliponicultura levado à Bacia do Rio Doce incluiu também Sem Peixe, Tumiritinga e Ilha Brava, distrito de Governador Valadares, mas encontra em Mariana um símbolo eloquente dessa busca por reconstrução produtiva conectada ao território. A proposta foi capacitar famílias para a criação racional de abelhas nativas sem ferrão, atividade conhecida como meliponicultura. Mais do que uma prática de produção, a iniciativa foi apresentada como um caminho de diversificação econômica com base em espécies fundamentais para a polinização e, por consequência, para o equilíbrio dos ecossistemas locais. Abelhas nativas e valor ambiental As abelhas sem ferrão desempenham papel importante na reprodução de plantas nativas e no fortalecimento de processos de restauração ambiental. Segundo a proposta do projeto, a presença desses insetos favorece o reflorestamento e ajuda a sustentar a biodiversidade em áreas que dependem da recomposição da cobertura vegetal. Nesse contexto, a meliponicultura passa a reunir duas frentes: de um lado, a conservação ambiental; de outro, a possibilidade de geração de renda com produtos de maior valor agregado. Entre eles estão mel, própolis, pólen e itens artesanais derivados da atividade. Capacitação e estrutura para as famílias De acordo com as informações do projeto, cada uma das 60 famílias participantes recebeu 10 colmeias da espécie uruçu-amarela, além de insumos necessários para iniciar a criação. O trabalho foi estruturado em etapas, acompanhando os produtores desde a implantação dos meliponários até orientações ligadas à venda dos produtos. Ao longo do processo, os participantes contaram com visitas técnicas mensais e formação continuada. As capacitações incluíram manejo básico e avançado, cuidados sanitários, boas práticas de higiene e coleta, além de oficinas voltadas à produção de meliprodutos. Em Mariana, esse tipo de ação ganha peso particular por dialogar com uma região onde o debate sobre recuperação ambiental e alternativas econômicas segue presente. A criação de abelhas nativas, silenciosa e delicada, surge ali como um ofício de reconstrução miúda — quase artesanal —, mas com efeitos amplos sobre o território. Mercado, autonomia e empreendedorismo local A iniciativa também buscou fortalecer a inserção dos participantes no mercado. Segundo os organizadores, os produtores receberam formação em marketing e comercialização, etapa que se desdobrou em feiras de negócios voltadas à apresentação e circulação dos produtos. A meta, conforme a equipe responsável, foi ampliar a autonomia das famílias envolvidas e consolidar a meliponicultura como atividade econômica sustentável. A analista ambiental Andréia Dias, da equipe de Biodiversidade da Samarco, resumiu esse objetivo ao afirmar: “Buscamos promover a autonomia dos participantes, fortalecendo a meliponicultura como uma alternativa sustentável de geração de renda.” Um legado possível para o Rio Doce O encerramento do ciclo de capacitação, em fevereiro deste ano, indicou que a convivência com abelhas nativas pode ser incorporada com segurança ao cotidiano das comunidades participantes. Segundo a instituição, a experiência demonstrou viabilidade tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Na prática, o projeto deixa uma trilha que passa pela formação técnica, pelo estímulo ao empreendedorismo e pela valorização de um saber produtivo alinhado à natureza. Em Mariana, onde a paisagem carrega marcas profundas e permanentes, iniciativas desse tipo apontam para uma reconstrução que não se faz em gesto único, mas no trabalho paciente de recompor vida, renda e horizonte.

Moeda abre tour virtual em 360° e leva estação histórica para dentro da tela

Experiência digital gratuita permite visitar o Complexo da Estação Ferroviária de Moeda e amplia o acesso ao patrimônio restaurado do município, segundo os organizadores. Moradores, turistas e pesquisadores já podem percorrer, sem sair de casa, os espaços restaurados do Complexo da Estação Ferroviária de Moeda. Disponível gratuitamente na internet, o tour virtual em 360 graus apresenta ambientes da antiga estação e de seu entorno com navegação interativa. A iniciativa, divulgada no site oficial do projeto em 6 de março de 2026, busca ampliar o acesso ao patrimônio cultural local e reforçar a vocação turística do município. Um passeio digital pela memória ferroviária Moeda passou a oferecer ao público uma nova porta de entrada para sua história: um tour virtual em 360 graus pelo Complexo da Estação Ferroviária. A ferramenta permite circular digitalmente pelos principais espaços do conjunto restaurado, observando detalhes arquitetônicos e paisagísticos que ajudam a contar parte da formação urbana do município. Segundo os organizadores, o passeio foi desenvolvido por Luccas Reginaldo e pode ser acessado de forma gratuita pela internet. Mais do que um recurso tecnológico, o tour se apresenta como estratégia de democratização do acesso. A proposta é alcançar também quem não consegue visitar o espaço presencialmente, transformando a memória ferroviária em experiência aberta, navegável e pública. Estação volta ao centro da vida cultural A estação restaurada ocupa lugar simbólico na história de Moeda. De acordo com o site oficial do projeto, o prédio foi inaugurado em 1919, dois anos após a abertura da Linha do Paraopeba, e integra a memória coletiva da cidade e do patrimônio ferroviário mineiro. Com a restauração, o espaço passou a ser apresentado não apenas como marco histórico, mas também como ponto de convivência, cultura e turismo. No vocabulário das cidades mineiras, é como se o antigo apito do trem tivesse dado lugar a outra forma de chamada: a do encontro entre memória, paisagem e pertencimento. Tecnologia como ponte para o patrimônio Segundo a Holofote Cultural, responsável pela gestão do projeto, o tour virtual amplia a circulação pública em torno da estação e ajuda a difundir o trabalho de revitalização realizado no complexo. Em texto divulgado pela instituição, o coordenador da restauração, Gilson Martins, afirmou que a tecnologia permite ampliar o acesso da população ao patrimônio restaurado e à história da cidade. A ferramenta também pode fortalecer a divulgação turística de Moeda, ao oferecer uma vitrine permanente do conjunto ferroviário para visitantes de outras cidades. Essa exposição digital tende a somar força a um município que já articula patrimônio, natureza e circulação cultural em torno da Serra da Moeda. Essa leitura é uma inferência baseada na forma como o projeto apresenta a estação como novo ponto de cultura e turismo. Restauro com incentivo cultural O projeto de restauração da estação foi viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da MRS Logística, gestão da Holofote Cultural, apoio da Prefeitura de Moeda e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal, segundo os materiais oficiais divulgados pelas instituições envolvidas. Em publicação anterior, a Holofote Cultural informou que o restauro contou com investimento de R$ 2,8 milhões e incluiu ações de preservação de elementos históricos revelados durante o processo de prospecção das paredes internas.

Trem do Desenvolvimento encerra ciclo 2025 após passar por 18 cidades mineiras

Iniciativa do Governo de Minas, por meio da CODEMGE, percorreu mais de 5,4 mil quilômetros, apoiou agendas empresariais regionais e, segundo os organizadores, ajudou a ampliar negócios, capacitações e articulações locais Depois de cruzar Minas Gerais de ponta a ponta, o projeto SDE Minas — Semana de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais — fechou o ciclo de 2025 com passagem por 18 municípios e uma proposta centrada na articulação entre poder público, setor produtivo e entidades empresariais. Ao longo do percurso, a iniciativa apoiou eventos regionais e promoveu reuniões de negócios voltadas à diversificação econômica no estado. Segundo a organização, o trajeto somou cerca de 5,4 mil quilômetros e consolidou uma rede de apoio institucional em diferentes territórios mineiros. Um percurso voltado às economias locais O encerramento do ciclo 2025 do chamado Trem do Desenvolvimento marca o fim de uma jornada que percorreu cidades de diferentes perfis econômicos em Minas Gerais. A iniciativa passou por Juruaia, Ipatinga, Governador Valadares, Santa Bárbara, Jacutinga, Guanhães, Andradas, Salinas, Divinópolis, Mantena, Congonhas, Itabirito, Montes Claros, Mariana, Ubá, Taiobeiras, Conceição do Mato Dentro e Ouro Preto. Em cada parada, o projeto se associou a feiras multissetoriais, festivais, fóruns regionais, semanas de desenvolvimento econômico e encontros empresariais. A proposta, de acordo com a instituição, foi fortalecer o diálogo entre governo, empreendedores e associações locais, além de dar visibilidade a vocações já conhecidas em cada região, como turismo, moda, mineração, gastronomia, comércio, indústria e economia criativa. A última estação foi Ouro Preto, cidade-símbolo da memória e da invenção mineira, onde o encerramento ganhou contorno de balanço e legado. Entre ladeiras históricas e novos arranjos produtivos, o projeto buscou afirmar a ideia de que o desenvolvimento regional não se desenha apenas nos gabinetes, mas também na escuta do território. Reuniões de negócios e articulação institucional Segundo a CODEMGE e os organizadores do projeto, foram realizadas 11 reuniões empresariais ao longo da trajetória. Esses encontros, ainda de acordo com a organização, serviram para identificar demandas regionais, aproximar instituições e estimular parcerias entre lideranças econômicas locais. A ação também funcionou como apoio institucional a eventos já consolidados em alguns municípios e a agendas ainda em formação, como fóruns empresariais e iniciativas de diversificação econômica. O foco esteve no fortalecimento do associativismo e na criação de ambientes favoráveis à cooperação entre empreendedores, entidades representativas e poder público. Para o diretor da CODEMGE, Lucas Pitta, o projeto reforçou a conexão entre o governo estadual e os municípios. “Encerramos esta jornada com a certeza de que cada cidade visitada fortaleceu o propósito da SDE Minas: apoiar iniciativas locais, aproximar o Governo do setor produtivo e construir oportunidades reais de diversificação econômica.” Números apresentados pela organização No balanço divulgado ao fim do ciclo, os organizadores informaram que os eventos apoiados pelo projeto movimentaram mais de R$ 656 milhões em negócios. Segundo os dados oficiais da iniciativa, as agendas reuniram mais de 320 mil visitantes, capacitaram 2.364 pessoas e contaram com mais de 1.150 estandes. A taxa de satisfação de expositores e visitantes foi estimada em 95%, ainda de acordo com o projeto. Como se trata de números institucionais, os dados são apresentados com base no levantamento informado pela própria organização. O subsecretário de Liberdade Econômica e Empreendedorismo de Minas Gerais, Marco Gaspar, destacou a diversidade produtiva observada nas regiões visitadas. “Ao longo das 18 estações, vimos a força da diversidade econômica de Minas se manifestar em cada região. O desenvolvimento acontece quando reconhecemos as vocações locais e conectamos pessoas, instituições e oportunidades.” Ações de engajamento com o público Além das agendas empresariais, o projeto levou às cidades a ação “Trem Bão de Recordação”, presente em todas as etapas do percurso. A atividade reuniu registros fotográficos e sorteios de brindes oferecidos por expositores dos eventos, em uma tentativa de aproximar o público das programações e valorizar o comércio local. Na leitura da organização, esse tipo de ação ajudou a transformar a presença institucional em experiência compartilhada, ampliando a circulação de pessoas pelos eventos e reforçando a identidade regional de cada parada. A gestora de projetos da SDE Minas, Nilmara Soares, avaliou que o principal resultado do ciclo está nas conexões criadas entre os territórios. “Participar desta trajetória foi acompanhar de perto como a mobilização dos territórios gera resultados. A SDE Minas cumpriu seu papel de apoiar, articular e valorizar iniciativas locais.” O que fica após a última estação Como legado, o projeto aponta a mobilização de 18 territórios, o fortalecimento de redes institucionais e a continuidade de parcerias iniciadas ao longo do trajeto. A aposta, segundo os organizadores, é que as articulações construídas em 2025 possam sustentar novas etapas nos próximos ciclos. Mais do que o deslocamento físico entre municípios, a iniciativa procurou se firmar como uma plataforma de apoio ao desenvolvimento econômico regional. Em Minas, onde cada cidade parece guardar um ofício, um minério, um sabor ou um modo próprio de empreender, a travessia deixou um mapa de interesses e possibilidades que o estado agora pretende manter em movimento.