MEIs excluídos do Simples Nacional têm até 31 de janeiro para regularizar pendências

Microempreendedores individuais devem verificar situação no Portal do Simples Nacional, regularizar débitos e solicitar reenquadramento para continuar atuando como MEI em 2026
Acesso à moradia tem cor: estudo revela que 70% das famílias removidas em Ouro Preto são negras

Análise da assistente social Sabrina Costa sobre política habitacional municipal expõe desigualdade racial estrutural no acesso à moradia digna. Enquanto famílias pretas e pardas são majoritárias em remoções, demandas de melhorias concentram-se entre autodeclarados brancos Segundo o estudo que ainda será publicado ainda este mês como artigo pela revista Alemur da UFOP, quando uma família ouro-pretana precisa de Auxílio Moradia ou Regularização Fundiária — serviços geralmente associados a situações de risco, remoção ou ocupação irregular —, há mais de 70% de chance de que essa família seja preta ou parda. Mas quando a demanda é por melhoria habitacional, reforma ou adequação do imóvel onde já vive, a maior parte das famílias que procura o poder público se autodeclara branca. Os dados são do estudo “Acesso à moradia tem cor?: análise da política de habitação de interesse social de Ouro Preto, Minas Gerais”, desenvolvido pela assistente social Sabrina Costa a partir de sua atuação na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação entre 2022 e 2023. A análise, que será publicada na revista acadêmica Alemur, cruzou informações do Programa “Um Teto é Tudo” — política habitacional municipal instituída pela Lei 1.328/2023 — com o marcador social de raça/cor das famílias atendidas. O resultado é uma radiografia clara e incômoda: o racismo estrutural e ambiental determina quem tem direito à permanência no território e quem é empurrado para a precariedade habitacional. Os números que expõem a desigualdade Entre 2022 e 2023, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação atendeu famílias em três frentes principais: Auxílio Moradia (quando há necessidade de remoção temporária ou permanente), Regularização Fundiária de Interesse Social (para famílias em ocupações irregulares) e Arquitetura Pública/Requalificação (melhorias nos imóveis).O padrão identificado por Sabrina Costa é consistente: nas ações que envolvem evasão do imóvel ou do território — justamente as situações mais vulneráveis —, mais de 70% das famílias atendidas se autodeclaram pretas ou pardas. A maior parte desses encaminhamentos vem da Assistência Social ou da Defesa Civil, o que indica situações de emergência, risco geológico ou vulnerabilidade extrema. Já nas ações de melhoria habitacional, onde as famílias permanecem em seus imóveis e buscam adequações estruturais, a maioria se autodeclara branca. Essas demandas, em geral, são espontâneas — a família procura o serviço por iniciativa própria, não por encaminhamento emergencial. “As famílias representadas apresentam semelhanças marcantes nas condições de moradia, que são caracterizadas por imóveis em situações precárias de habitabilidade, localizados em áreas de risco geológico elevado, com baixo padrão construtivo”, escreve a autora. “Além das dimensões socioeconômicas, observa-se que essas famílias são em sua maioria negras, nos levando a refletir sobre a persistência de um padrão estrutural de desigualdade racial.” O contexto: Ouro Preto é 70% negra O recorte fica ainda mais evidente quando se olha para o perfil demográfico do município. Segundo o IBGE (2022), cerca de 70% da população de Ouro Preto se autodeclara negra (preta ou parda). Ou seja: a maioria da cidade é negra, mas é justamente essa maioria que ocupa as áreas de maior risco, vive em condições precárias e depende de políticas emergenciais para garantir moradia. Ouro Preto tem 74.821 habitantes, dos quais apenas 77,37% dos domicílios possuem esgotamento sanitário adequado. Quando se observa a urbanização das vias públicas — presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio —, o índice cai para 30,6%. Na comparação estadual, o município fica na posição 325 de 853 nesse quesito. Esses números ganham nome, rosto e endereço quando cruzados com raça: são as famílias negras que vivem nas encostas íngremes, nos morros sem infraestrutura, nas áreas geologicamente instáveis mapeadas pelo Plano Municipal de Redução de Riscos. Da abolição sem terra à periferia sem dignidade O estudo de Sabrina Costa não trata a desigualdade habitacional como um fenômeno recente. Pelo contrário: reconstrói a trajetória histórica que levou a população negra a ocupar, de forma sistemática, os piores espaços das cidades brasileiras.A análise parte de três marcos legislativos do século XIX: a Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico negreiro sob pressão inglesa — não por humanismo, mas por interesses econômicos; a Lei de Terras (1850), que mercantilizou o acesso à terra justamente quando a abolição se aproximava, criando barreiras econômicas para que ex-escravizados se tornassem proprietários; e a Lei Áurea (1888), que concedeu liberdade formal mas nenhuma reparação material. “Sem a realização de uma reforma agrária, uma parcela significativa de pessoas negras se encontravam ‘livres’ e sem propriedade de terras, encontrando assim, como única possibilidade de moradia, a ocupação irregular e descoordenada, nos altos de morros, beiras de rios”, escreve a autora. Naquele momento, destaca o estudo, a questão da habitação não existia como problema público. Mas se estabelecia ali a base do déficit habitacional brasileiro — e a associação entre negritude, precariedade e periferia que persiste até hoje. Racismo ambiental e injustiça socioambiental O conceito de racismo ambiental atravessa toda a análise. Não se trata apenas de má distribuição de infraestrutura urbana. Trata-se de um processo estrutural onde determinados grupos — racial e economicamente marcados — são sistematicamente expostos a riscos ambientais, desastres e perda de seus modos de vida. Em Ouro Preto, isso se manifesta de forma clara: são as famílias negras que vivem nas áreas mapeadas como de risco alto e muito alto pelo PMRR. São elas que sofrem com deslizamentos, enchentes, falta de saneamento. São elas que, quando removidas, dependem de Auxílio Moradia para sobreviver — um benefício temporário que não garante solução habitacional definitiva. “Quando as devastações que atacam o meio ambiente geram efeitos desiguais e esses sobrecarregam de maneira desproporcional determinados grupos, estamos lidando com a injustiça socioambiental, que é conceito fundamental para discutirmos o Racismo Ambiental”, afirma Sabrina Costa. A dificuldade de se reconhecer negro Um dado adicional chamou a atenção da pesquisadora: muitas pessoas demonstraram dúvida ao serem questionadas sobre como se veem racialmente. A dificuldade de identificação foi observada tanto entre pretos e pardos quanto entre amarelos e indígenas. “É possível considerar essa dificuldade de pertencimento ao processo histórico de racismo estrutural e ambiental, considerando aqui a invisibilização
Chuvas intensas afetam abastecimento de água e mantêm Ouro Preto em alerta geológico

As chuvas constantes registradas nos últimos dias em Ouro Preto já provocam impactos diretos no abastecimento de água e elevaram o nível de alerta meteorológico e geológico no município. Segundo a concessionária Saneouro e a Defesa Civil, o volume acumulado ultrapassou marcas consideradas críticas, exigindo atenção redobrada da população. Sistemas de abastecimento afetados De acordo com a Saneouro, os sistemas de produção de água por captação superficial estão sendo prejudicados pela alta turbidez causada pelas chuvas. Na manhã desta sexta-feira (23/01), a situação era a seguinte: A concessionária informou que todas as equipes estão mobilizadas, com apoio de caminhões-pipa, para garantir água potável aos reservatórios do município enquanto os sistemas passam por limpeza e monitoramento. A Saneouro reforça a importância do uso racional da água, evitando desperdícios, já que a previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias. Volume de chuvas ultrapassa nível crítico Dados da Defesa Civil de Ouro Preto mostram que o volume de chuvas acumulado em cinco dias ultrapassou 128 mm, índice que caracteriza um alerta vermelho, nível elevado de alerta meteorológico. Em alguns pontos do município, os acumulados recentes chamam atenção: Segundo a Defesa Civil, esse nível de alerta indica chuvas prolongadas com previsão de continuidade, aumentando o risco de: Nesse estágio, o protocolo prevê monitoramento constante, possibilidade de remoções preventivas e atenção máxima da população que vive em encostas ou áreas suscetíveis. Previsão indica continuidade das chuvas Informações do Climatempo indicam que o período chuvoso deve se manter nos próximos dias, com registros frequentes de pancadas, temporais isolados e volumes significativos de precipitação, especialmente até o fim do mês. A combinação entre solo encharcado e novas chuvas aumenta tanto o risco geológico quanto as dificuldades na operação dos sistemas de captação e tratamento de água. Orientações à população A Defesa Civil orienta que moradores fiquem atentos a sinais de risco, como: Em caso de emergência ou suspeita de risco, a recomendação é sair imediatamente do local e acionar a Defesa Civil. Enquanto isso, a Saneouro reforça o pedido de colaboração da população para economizar água até que o sistema seja totalmente normalizado.
Arcebispo de Mariana se encontra com o Papa Leão XIV durante Audiência Geral no Vaticano

Na manhã de quarta-feira, 21 de janeiro, o arcebispo metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, cumprimentou o Santo Padre, Papa Leão XIV, durante a Audiência Geral realizada no Vaticano. As audiências são promovidas semanalmente, às quartas-feiras, e reúnem fiéis, religiosos e autoridades eclesiásticas de diversas partes do mundo. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Arquidiocese de Mariana (@arquimariana) O encontro ocorreu em um momento simbólico para a Arquidiocese de Mariana, uma das mais antigas do Brasil, e reforça os laços institucionais entre a Igreja local e a Santa Sé. Durante a audiência, Dom Airton teve a oportunidade de saudar pessoalmente o Pontífice, em um gesto de comunhão e diálogo entre a Igreja no Brasil e o Vaticano. Além do encontro com o Papa, Dom Airton também se reuniu com padres da Arquidiocese de Mariana que atualmente realizam estudos em Roma. Os religiosos estão vinculados à Pontifícia Universidade Gregoriana, uma das mais tradicionais instituições de ensino superior da Igreja Católica. Entre os sacerdotes, o padre Leandro Ferreira Neves está em fase de conclusão do mestrado em História da Igreja. Já o padre Carlos Heitor Fideles segue em especialização em Direito Canônico, enquanto o padre Leonardo Sérgio Rosa Carvalho realiza estudos na área de Filosofia. A presença do arcebispo junto aos padres em formação reforça o acompanhamento pastoral da Arquidiocese e destaca a importância da qualificação acadêmica para o exercício do ministério sacerdotal. A formação em Roma é considerada estratégica para o aprofundamento teológico, histórico e jurídico da Igreja, refletindo diretamente na atuação pastoral nas dioceses brasileiras. As informações são do Vatican News, canal oficial de comunicação da Santa Sé.
Prefeitura de Itabirito emite alerta de risco geológico após semanas de chuva

A Prefeitura de Itabirito, por meio da Defesa Civil de Itabirito, emitiu nesta semana um alerta de risco geológico em razão do volume acumulado de chuvas registrado nas últimas semanas no município. O aviso foi enviado diretamente aos moradores por meio do sistema Defesa Civil Alerta, que encaminha notificações para celulares localizados em áreas de risco. Segundo a Defesa Civil, a orientação é de atenção total às encostas e áreas suscetíveis a deslizamentos. Caso sejam identificados sinais como rachaduras no solo, inclinação de árvores, muros ou postes, o morador deve sair imediatamente do local e acionar a Defesa Civil pelo telefone (31) 3561-7433. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Prefeitura de Itabirito (@prefeituraitabirito) Monitoramento do Rio de Itabirito segue em nível de alertaAlém do risco geológico, a Prefeitura informou que o Rio de Itabirito está sendo monitorado de forma contínua. No momento do comunicado, o nível do rio estava cerca de 2,20 metros acima do normal, o que mantém o município em alerta amarelo — estágio que indica atenção, mas sem necessidade imediata de evacuação. A administração municipal reforçou que qualquer mudança no cenário será comunicada à população por meio das redes sociais oficiais e do próprio sistema de alertas enviados ao celular. Sistema de alerta direto ao cidadãoO Defesa Civil Alerta funciona como um canal direto entre o poder público e a população, permitindo o envio rápido de informações em situações de risco. A Prefeitura orienta que moradores mantenham as notificações do celular ativadas para receber os avisos. Em caso de emergência, a recomendação é priorizar a segurança, sair da área de risco e procurar ajuda imediatamente.
Restauração revela policromia original em imagem de Nossa Senhora do Rosário na Catedral de Mariana

Restauração revela policromia original com douramento e grafitos em imagem histórica da Catedral de Mariana
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa: Ouro Preto reforça rede de terreiros e tem lei municipal contra racismo religioso

21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei Federal 11.635/2007 em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana que morreu em 21 de janeiro de 2000 após sucessivos episódios de violência e perseguição religiosa. (Justiça Eleitoral) Em Ouro Preto, o debate ganha força em meio a um movimento de articulação entre casas de matriz africana e políticas públicas locais. Em 2025, o município sancionou a Lei Municipal nº 1.538/2025, de autoria do vereador Alex Brito, que institui o Dia Ouropretano de Combate à Intolerância Religiosa e ao Racismo Religioso (em 21 de março) e cria a Semana Municipal dedicada ao tema. (Ouro Preto) Religiões afro-brasileiras: diversidade, história e resistência Em entrevista ao Vintém, Jefferson, praticante de candomblé e umbanda e membro de terreiro em Cachoeira do Campo, explica que as religiões afro-brasileiras não são uma prática única, mas um conjunto diverso de tradições, com diferentes “nações”, formas de culto e histórias de formação. Para ele, são religiões complexas, de grande riqueza cultural, reestruturadas no Brasil a partir de matrizes africanas, indígenas e europeias — e marcadas por um histórico de perseguição desde o período colonial. Jefferson também chama atenção para um traço local: apesar da forte presença negra na cidade e da memória histórica relacionada à população escravizada, muitas práticas religiosas sobreviveram por muito tempo de forma doméstica e familiar, em núcleos discretos, como benzeduras e “umbandas caseiras”, justamente por causa do controle e da repressão. “Se não tivesse tanta perseguição com a religião, provavelmente ela seria tão grande quanto o catolicismo na cidade”, avalia. “As religiões de matriz africana são as mais atacadas”, diz diretor de Igualdade Racial O diretor de Igualdade Racial da Casa de Cultura Negra de Ouro Preto, Kedison Guimarães, afirma que o município tem trabalhado para fortalecer as casas de matriz africana e estruturar uma rede de proteção. Segundo ele, já foram mapeados cerca de seis a sete terreiros entre sede e distritos, com casas de candomblé e umbanda, e há ações para reconhecer esses territórios como guardiões de saberes ancestrais. Kedison destaca que a criação da lei municipal (de autoria do vereador Alex Brito) é uma ferramenta importante para enfrentar crimes de ódio e violências que atingem, de forma desproporcional, as religiões afro-brasileiras. A proposta, segundo ele, é reforçar o respeito às crenças e ampliar a proteção institucional a esses espaços. Intolerância religiosa é crime — e não deve ser naturalizada A data de 21 de janeiro reforça uma mensagem simples: ninguém pode ser constrangido, atacado ou impedido de exercer sua fé. Além da mobilização social, o combate passa por responsabilização: intolerância religiosa pode envolver crimes previstos na legislação penal e em normas específicas, dependendo do caso. (Justiça Eleitoral) Ao falar sobre caminhos diante da violência, Jefferson resume um princípio que pode orientar quem vive a situação no dia a dia: “O diálogo sempre é o primeiro e o melhor caminho”. Mas, quando há ofensa, ameaça, agressão, depredação ou perseguição, o recomendado é registrar o ocorrido e buscar apoio — seja por canais públicos de denúncia, seja por orientação jurídica e redes locais de proteção. Por que isso importa em Ouro Preto Ouro Preto é uma cidade profundamente marcada por heranças afro-brasileiras — na cultura, no território, nas irmandades, nos congados e em tantas formas de memória coletiva. Falar de intolerância religiosa aqui não é apenas falar de um “tema nacional”: é reconhecer uma disputa de direitos que atravessa a história da cidade e ainda aparece, hoje, na vida de quem mantém tradições religiosas de matriz africana.
Chapado fecha o Carnaval universitário de Ouro Preto com Luísa Sonza, MC Pedrinho e Orochi

Bloco acontece na terça, 17 de fevereiro de 2026, e aposta em line-up pop + trap + funk — com MU540 e DJ Zullu — para entregar o “último dia” com gosto de quero mais. O último dia do Carnaval costuma ter um tempero próprio em Ouro Preto: é quando a cidade parece correr contra o relógio, como se cada abraço precisasse caber no calendário. É nesse lugar — entre a exaustão e a vontade de ficar — que o Bloco Chapado construiu sua assinatura: encerrar a folia com cara de grande show. Em 2026, o evento está marcado para terça-feira, 17 de fevereiro, com atrações já divulgadas como Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a missão do dia final como um desafio de entrega: “O último dia tem que caprichar, porque depois daquele dia, só daqui 365 dias.” E completa, com a leitura de quem conhece o comportamento do folião: “O cara fala ‘não vou pular carnaval mais não, já tô cansado’… aí chega na terça-feira: ‘hoje é só ano que vem’.” Do “plano B” ao símbolo da terça-feira O Chapado surgiu em 2008, com a proposta de oferecer uma alternativa quando a terça-feira ainda tinha poucas atrações de grande porte na cidade — e, desde então, virou sinônimo do fechamento do Carnaval universitário. A lógica do line-up: atravessar públicos A escolha do time de 2026 reforça o que Brenner chama de “atravessar estilos” para segurar a pista do começo ao fim. De um lado, o pop de grande alcance; do outro, trap e funk com apelo de internet; e, fechando, eletrônico para “virar a chave” na reta final. A escala confirmada — Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu — aparece tanto nas divulgações oficiais do bloco quanto na cobertura local. Pista e camarote: tendência “premium” e bar de drinks No campo da experiência, o Chapado acompanha uma tendência que vem crescendo nos eventos de Carnaval: camarotes mais “premium”, com aposta em marcas de topo e bar de drinks. Na venda oficial, o camarote é descrito com open bar premium (incluindo marcas como Grey Goose e Ballena) e open food, além de um “bar de drinks”. Brenner também adiantou ao Vintém que a equipe vem calibrando diferenças entre pista e camarote, e que o público tem exigido mais qualidade no alto padrão: “O povo hoje em dia está exigindo isso (…) colocar um whisky bom, uma vodka boa, um gin bom.” Segundo ele, a pista tende a manter um desenho mais “tradicional”, por volume e desperdício.
Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai
Bloco da Praia aposta em axé, funk e eletrônico para a segunda de Carnaval em Ouro Preto

Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil estão no line-up do evento, marcado para 16 de fevereiro de 2026. O Bloco da Praia, um dos principais eventos do Carnaval universitário de Ouro Preto, já desenha a cara da segunda-feira de Carnaval (16 de fevereiro de 2026) com uma estratégia clara: misturar ritmos para segurar a multidão do começo ao fim. Entre as atrações divulgadas para 2026 estão Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil — um cardápio que vai do axé ao funk, passando pela música eletrônica. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a escolha como uma forma de “traduzir” a pluralidade do Carnaval na cidade histórica. “Carnaval é pra todo mundo. Às vezes o cara não gosta de um axé, mas ele gosta de um eletrônico. Então, a gente tenta mesclar todos esses públicos”, disse ao Vintém. A volta do Jammil, segundo Brenner, atende a um pedido do público após a edição anterior: “Deu muito certo em 2025. O público pediu bastante para confirmar ele novamente em 2026”. O bloco completa a liga com funk e eletrônico, reforçando um formato que tenta dialogar tanto com o folião que “cresceu no axé” quanto com a turma que chega pelo grave. Espaço Folia e estrutura Como ocorre nos grandes dias da Liga, a expectativa é que o bloco aconteça no Espaço Folia, montado no entorno do Centro de Convenções da UFOP, no Pilar, área que voltou a ser usada em edições recentes.Sobre a logística, Brenner explicou que, por se tratar de área pública, há trâmites e licitação envolvidos, mas indicou que a tendência é manter o evento ali. Nos serviços, ele destacou que o planejamento inclui equipes e ambulâncias compatíveis com o porte do público: “A gente sempre contrata ambulância adequada para o público (…) UTI móvel com toda a aparelhagem”. Também mencionou a presença de caminhão-pipa, que retornou na última edição: “Esse ano a gente voltou o caminhão pipa. Vai ter novamente”.