Defesa Civil de Minas alerta para 80% de chance de El Niño moderado a forte no segundo semestre

Fenômeno pode trazer seca, calor acima da média e risco de queimadas a Minas no segundo semestre
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Jiljana Isidoro

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec) monitora a possibilidade de atuação do El Niño no segundo semestre de 2026. As análises indicam cerca de 80% de chance de o fenômeno se desenvolver com intensidade entre moderada e forte. O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes que o normal, alterando a circulação atmosférica e o regime de chuvas em diversas regiões do planeta.

Para Minas Gerais, os efeitos esperados incluem redução da umidade relativa do ar, aumento das ondas de calor, prolongamento do período seco e atraso no início da estação chuvosa 2026/27. O risco de queimadas e incêndios florestais cresce, em especial nas regiões do semiárido mineiro.

“A prevenção é a principal ferramenta para reduzir os impactos do El Niño. Estamos monitorando os cenários climáticos e trabalhando junto aos municípios para fortalecer a preparação e a proteção da população”, afirmou o coronel Paulo Roberto Rezende, coordenador estadual de Defesa Civil.

O setor agrícola está entre os mais vulneráveis. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) aponta que culturas como soja, milho, feijão e café podem ser prejudicadas pela redução das chuvas e pela ocorrência de veranicos. No café, o calor excessivo e o déficit hídrico podem afetar a floração e o enchimento dos grãos. Nas lavouras de soja e milho, o atraso das chuvas compromete o plantio e o desenvolvimento inicial. A Seapa orienta os produtores a usar cultivares mais tolerantes à seca, conservar a umidade do solo e planejar a irrigação e o armazenamento de água.

O estado tem investido em infraestrutura de resposta. Nos últimos anos, foram destinados mais de R$ 96 milhões para a aquisição de 526 kits de equipamentos — cada um com viatura 4×4, notebook, trena digital e coletes reflexivos — distribuídos aos municípios. A previsão é contemplar 683 municípios até junho de 2026, o que representa mais de 80% das defesas civis municipais estruturadas. Em 2024, foi inaugurado o Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), com investimento de R$ 12,5 milhões, voltado ao monitoramento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas.

Para o período de estiagem, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) executa a Operação Alerta Verde, com vistorias em lotes vagos e unidades de conservação. O estado também coordena a Força-Tarefa Previncêndio e mantém bases operacionais avançadas em unidades de conservação, com uso de aeronaves no combate a incêndios florestais. Mais de seis mil agentes de defesa civil foram capacitados no último ano.

O que esperar do El Niño em Minas

Redução da umidade relativa do ar

Ondas de calor mais frequentes

Período seco mais longo

Atraso no início das chuvas em 2026/27

Maior risco de queimadas e incêndios florestais

Impacto nas culturas de café, soja, milho e feijão

O que fazer

Agricultores: usar cultivares resistentes à seca, conservar umidade do solo, planejar irrigação e armazenamento de água

População: uso consciente da água, evitar desperdícios e não atear fogo em terrenos ou vegetação

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