Procuradoria de Ouro Preto confirma manifestação judicial e situação continua na justiça

Procuradoria alega sigilo disciplinar e não prestará detalhes até fim dos procedimentos internos
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Jiljana Isidoro

A Procuradoria-Geral do Município de Ouro Preto respondeu nesta terça-feira (23) ao pedido de posicionamento do Vintém sobre a crise na Guarda Civil Municipal. Segundo o procurador Diogo Ribeiro, que falou em nome da Procuradoria, a Prefeitura vai se manifestar nos autos do Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo SINDSFOP. A administração municipal informou que não prestará informações detalhadas enquanto durarem os procedimentos de auditoria médica, fiscalização e análise disciplinar, alegando sigilo legal em matéria disciplinar e respeito aos servidores envolvidos.

A nota reafirma que a tramitação das medidas observa os princípios da impessoalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A Prefeitura também reitera o que chamou de compromisso com a valorização da GCM e de todo o corpo de servidores públicos.

📄 Nota da Procuradoria-Geral do Município — 23 de junho de 2026

“A Procuradoria-Geral do Município de Ouro Preto esclarece que se manifestará, inicialmente, nos autos do Mandado de Segurança Coletivo. Diante da necessidade institucional de zelar pelo fiel cumprimento das normas administrativas, a matéria está sendo conduzida sob o rito estritamente técnico dos procedimentos de auditoria médica, fiscalização e análise disciplinar, motivo pelo qual o Poder Público não fornecerá informações pormenorizadas até que essas etapas de verificação interna sejam concluídas, principalmente em respeito aos servidores envolvidos e ao sigilo legal estabelecido em questões disciplinares.”

“A tramitação dessas medidas pauta-se pela impessoalidade e pelo cumprimento dos deveres de controle de gestão, observando com rigor as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.”

“O governo municipal reitera o seu compromisso permanente com a valorização da Guarda Civil Municipal e de todo o corpo de servidores públicos, reconhecendo a importância de cada profissional para a consolidação da estrutura institucional e para a preservação do interesse da coletividade.”

A crise desde o início

Para quem acompanha a disputa pela primeira vez, a linha do tempo abaixo organiza os fatos em ordem. O conflito começou com uma mudança de escala de trabalho, atravessou um decreto de intervenção e chegou ao Ministério Público e à Justiça em menos de um mês.

⏱️ Linha do tempo
29 mai. 2026
Memorando impõe nova escala O secretário de Segurança e Trânsito, Moisés dos Santos, expede o Memorando 000875/2026 determinando que a Guarda Civil Municipal passe a cumprir escala de dez horas diárias em regime 2×2, a partir de 1º de junho. O SINDSFOP sustenta que a nova escala afasta as duas hipóteses de concessão do ticket-refeição previstas no Decreto 7.067/2023. A Prefeitura, por meio do Parecer 54/2026/PGM, atesta a legalidade do ato.
8 jun. 2026
Sindicato impugna o ato O SINDSFOP protocola o Ofício 18/2026 impugnando administrativamente o memorando e pedindo o retorno ao regime anterior de trabalho.
15 jun. 2026
Parecer e decreto no mesmo dia A Procuradoria-Geral emite o Parecer 54/2026/PGM atestando a legalidade do memorando. No mesmo dia, o prefeito Angelo Oswaldo assina o Decreto 9.294/2026, que declara intervenção administrativa na GCM por 90 dias, nomeia o corregedor Adriano Carlos Sales como interventor, exonera 17 ocupantes de funções de confiança e determina sindicância para apurar o que o decreto chama de paralisação velada da corporação.
16 jun. 2026
Mandado de segurança na Justiça O SINDSFOP impetra Mandado de Segurança Coletivo (processo nº 1001430-97.2026.8.13.0461) na 1ª Vara Cível da Comarca de Ouro Preto, pedindo o restabelecimento da escala de 12×36, a suspensão da intervenção e a proibição de represálias contra os guardas.
18 jun. 2026
Juíza adia decisão sobre possível liminar A juíza Kellen Cristini de Sales e Souza adia a decisão sobre uma possível liminar e dá dez dias ao Município para se manifestar nos autos. A Prefeitura tem até aproximadamente 28 de junho para apresentar sua defesa.
19 jun. 2026
Representação ao Ministério Público O SINDSFOP protocola o Ofício 23/2026 à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público pedindo a abertura de inquérito civil contra o prefeito e o secretário. A representação aponta cinco irregularidades nos atos da Prefeitura, incluindo alteração de jornada por memorando sem lei específica, supressão do ticket-refeição e conflito de interesses na acumulação de funções pelo corregedor.
23 jun. 2026
Procuradoria responde ao Vintém Em resposta ao pedido de posicionamento do Vintém, a Procuradoria-Geral do Município confirma que vai se manifestar nos autos do mandado de segurança e informa que não prestará detalhes sobre o caso enquanto durarem os procedimentos internos de auditoria e análise disciplinar.

O processo segue em aberto nas duas frentes. Na Justiça, a Prefeitura tem até por volta de 28 de junho para se manifestar antes de qualquer decisão sobre a liminar. No Ministério Público, o Ofício 23/2026 aguarda análise pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O Vintém acompanha os dois desdobramentos.

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