O programa Pulsar Jovem, financiado com recursos de reparação da mineradora Samarco, formou cerca de mil jovens e apoiou 112 projetos em 33 municípios da bacia do Rio Doce. O investimento total chega a R$ 10,5 milhões, segundo dados divulgados pela própria empresa. O programa integra as obrigações de reparação decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015 em Mariana, o maior desastre ambiental da história do Brasil.
A barragem de Fundão, operada pela Samarco em sociedade com Vale e BHP Billiton, rompeu em 5 de novembro de 2015, liberando cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração que percorreram mais de 600 quilômetros até o oceano Atlântico, destruindo comunidades ribeirinhas, matando 19 pessoas e comprometendo o abastecimento de água de centenas de municípios ao longo do Rio Doce.
O que é o Pulsar Jovem
O Pulsar Jovem é descrito como uma iniciativa de formação e apoio a projetos protagonizados por jovens em municípios afetados pelo rompimento. Os 112 projetos apoiados abrangem diferentes áreas, e os cerca de mil beneficiados diretos compõem o universo de jovens que passaram por alguma das etapas do programa nas três dezenas de cidades atendidas.
A divulgação dos resultados parte da própria Samarco, o que exige leitura cuidadosa: números de reparação apresentados pelas empresas responsáveis pelo desastre são, por natureza, informações autorreferenciadas. O Vintém não localizou avaliação independente sobre os resultados do programa.
O contexto da reparação
A reparação pelo rompimento da barragem de Fundão é gerida por mecanismos que envolvem a Samarco, a Vale e a BHP Billiton, além de instâncias judiciais e extrajudiciais que supervisionam o cumprimento das obrigações estabelecidas em acordos firmados com o governo federal, estados de Minas Gerais e Espírito Santo e o Ministério Público. O Pulsar Jovem é um dos programas que compõem esse conjunto de ações.
Os 33 municípios atendidos pelo programa estão distribuídos ao longo do percurso do Rio Doce entre Minas Gerais e Espírito Santo. A região ainda convive, mais de dez anos depois do desastre, com impactos sobre a qualidade da água, a pesca e a economia local.