A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza na segunda-feira, 22 de junho, uma audiência pública para discutir as medidas de prevenção diante da possível chegada de um superninho — como ficou conhecida a versão mais intensa do fenômeno El Niño — ao Brasil no segundo semestre. A iniciativa é do vereador Wanderley Kuruzu (PT), e o foco não é explicar o que é o fenômeno, mas o que a cidade precisa fazer agora.
“O foco dela é o que fazer agora”, disse Kuruzu ao Vintém.
A audiência acontece num momento em que o debate sobre o superninho ganhou escala nacional. A NOAA — agência norte-americana de monitoramento oceânico e atmosférico — confirmou a formação do El Niño e aponta 63% de probabilidade de que o fenômeno evolua para a categoria muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. A probabilidade de que o fenômeno persista até o início de 2027 é de 96%, segundo previsões climatológicas atualizadas.
Para Minas Gerais, o cenário previsto inclui estiagem prolongada ao Norte do estado e chuvas intensificadas no Sul, além de um inverno menos frio do que o normal caso o fenômeno se instale até agosto. Ouro Preto, com sua topografia acidentada e histórico de deslizamentos, concentra riscos específicos que o vereador quer colocar na mesa antes que o fenômeno se intensifique.
Kuruzu convocou para a mesa as secretarias municipais de Segurança e Trânsito — à qual a Defesa Civil está vinculada —, Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Desenvolvimento Social, Saúde e Meio Ambiente. A Defesa Civil estadual confirmou presença. O vereador também cogita convidar o Corpo de Bombeiros Militar. A abertura será feita por um especialista, com tempo de fala de cerca de 20 minutos, seguida de apresentações de cada secretaria.
A escolha das secretarias reflete a natureza interdisciplinar do problema. Obras responderá por drenagem, contenção de encostas e pontes. Saúde precisará estar preparada para atender desabrigados e o aumento de doenças associadas a calor e umidade. Habitação terá que apresentar plano de acolhimento emergencial. Desenvolvimento Social entra pela eventual necessidade de alimentação e agasalhos para famílias atingidas.
O vereador também ponderou sobre a Saneouro. Kuruzu deixou em aberto se convida a empresa, citando o que classificou como arrogância da superintendência em relação às audiências da Câmara. Abastecimento de água, no entanto, é um dos serviços mais vulneráveis em eventos climáticos extremos.
A audiência é aberta ao público, será transmitida ao vivo e acontece na sede da Câmara Municipal de Ouro Preto.