Ampliação na escola Padre Afonso de Lemos busca resolver desafios de logística e segurança em Cachoeira do Campo

A Escola Estadual Padre Afonso de Lemos, em Cachoeira do Campo, está prestes a iniciar um processo de ampliação de sua infraestrutura, visando solucionar desafios logísticos e de segurança que afetam a rotina de alunos e professores. A obra, que receberá um investimento de R$ 300 mil, busca unificar as atividades em um único espaço, eliminando a necessidade de deslocamentos constantes entre as duas sedes da instituição. O desafio da escola dividida Atualmente, a escola opera com duas estruturas distintas: a sede principal, conhecida como “Grupo de Cima”, e um “Grupo de Baixo” que abriga três salas de aula e a biblioteca. Essa divisão impõe uma dinâmica complexa ao dia a dia escolar. Alunos da sede principal precisam se deslocar até o “Grupo de Baixo” para acessar a biblioteca, enquanto estudantes do “Grupo de Baixo” atravessam ruas para participar das aulas de Educação Física na sede principal. Professores descrevem o impacto da fragmentação: “Com o crescimento da escola, os desafios também aumentaram. Tem que ficar se locomovendo da sede no alto para descer aqui para a segunda sede. E isso causa um transtorno de tempo e também aumenta o custo para a educação”. “Hoje, a nossa dificuldade com a biblioteca é que os alunos, para que todos os alunos tenham acesso. Então, os alunos que estão na escola lá em cima não têm o acesso permanente à biblioteca. Pela segurança, né? Porque têm que atravessar a rua, né, ficarem aí soltos até chegarem aqui na escola, até poder contemplar uma boa leitura com o nosso acervo.” Os professores também são diretamente afetados, perdendo tempo valioso em deslocamentos entre os prédios, o que compromete a fluidez das atividades pedagógicas. Investimento para mais segurança e qualidade A demanda por melhorias na infraestrutura da escola foi levada ao vereador Vantuir pelo diretor Anderson Freitas. A partir dessa articulação, o deputado estadual Thiago Cota indicou o recurso de R$ 300 mil para a obra de ampliação, que será realizada no “Grupo de Cima”. A expectativa é que a ampliação traga benefícios significativos para toda a comunidade escolar. A unificação dos espaços promete mais segurança para os alunos, que não precisarão mais atravessar ruas. Além disso, espera-se uma melhor organização das atividades e um aumento na qualidade do ensino, com acesso facilitado a recursos como a biblioteca e a otimização do tempo de professores e estudantes. “Investir em educação é investir diretamente no futuro. E hoje essa realidade começa a mudar. Atendendo ao pedido do diretor Anderson, da Escola Padre Afonso de Lemos, de Cachoeira do Campo, através do nosso mandato e do mandato do deputado Thiago Cota, conseguimos a transferência de recursos para a ampliação da Escola Padre Afonso de Lemos, nossa escola referência na regiã.”, afirmou o vereador Vantuir, destacando os múltiplos impactos positivos da iniciativa.

29ª Festa Cultural da Goiaba acontece em São Bartolomeu nos dias 17, 18 e 19 de abril

Distrito de Ouro Preto celebra tradição doceira tombada como patrimônio imaterial do município em 2008 São Bartolomeu recebe a 29ª edição da Festa Cultural da Goiaba entre os dias 17 e 19 de abril. O evento é organizado pela Associação dos Doceiros e Agricultores Familiares do distrito (ADAF) e reúne o que o lugar tem de mais característico: doces artesanais, música e o modo de fazer goiabada cascão que existe na comunidade há gerações. A goiabada cascão de São Bartolomeu foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município em 2008. O reconhecimento formalizou uma prática que já existia muito antes — a produção artesanal transmitida de mão em mão, sem receita escrita, com a consistência que só vem do tempo e da repetição. Além da goiabada, a festa oferece doce de leite, figo, laranja, mamão e cidra, além de compotas, geleias, licores e vinho de jabuticaba. São Bartolomeu fica a cerca de 20 quilômetros do centro de Ouro Preto, no caminho para Mariana. O distrito é um dos mais conhecidos pela produção de doces da região dos Inconfidentes. 📋 Serviço Quando: 17, 18 e 19 de abril de 2026 Onde: São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto O quê: Doces artesanais, música, gastronomia regional Realização: ADAF — Associação dos Doceiros e Agricultores Familiares de São Bartolomeu

Infodemia: como plataformas digitais usam a desinformação e o excesso de informação para lucrar

Gilbergues Santos Soares, Universidade Federal da Paraíba (UFPB) O Dia Internacional da Checagem de Fatos, neste 2 de abril, é mais uma oportunidade para qualificar a discussão sobre desinformação. Ela é uma marca do nosso tempo, assim como a premissa de que poderia ser combatida com mais informação. Essa ideia sustenta que ampliar o acesso a conteúdos neutralizaria as narrativas enganosas e seria suficiente para estimular práticas informacionais adequadas. Mas informação e desinformação são produzidas e disseminadas no mesmo ecossistema informacional. Em uma era dominada pela circulação intensa de conteúdos, pelo negacionismo, pelo revisionismo e por plataformas que monetizam atenção e engajamento, somente ampliar o volume informacional não basta para reduzir o grau de desinformação. É preciso investigar como a desinformação circula nas plataformas digitais e de que modo as práticas desinformacionais estão inscritas em um modelo de negócio que transforma atenção, engajamento e circulação em monetização. Mesmo sufocada pela desinformação, a sociedade trata a era digital e a informação como panaceias para os problemas produzidos nesse ambiente. A informação é entendida como solução em si mesma. Nesse enquadramento, a oposição entre informação e desinformação tende à simplificação: de um lado estaria a verdade; de outro, a mentira. Dessa simplificação emerge uma leitura recorrente do problema: se a desinformação se espalha, o caminho seria ampliar a circulação de informação qualificada para contê-la. Foi nesse contexto que, durante a pandemia de Covid-19, ganhou força a noção de infodemia. Hiperinformação e superdesinformação Durante a pandemia de Covid-19, o termo infodemia se difundiu como o excesso de dados e conteúdos — corretos e/ou incorretos — que circulavam com velocidade pelas plataformas digitais. Cresceu a percepção de que a desinformação poderia ser enfrentada com mais informação. A experiência mostrou que, mesmo com a existência e disponibilização de muitas evidências científicas, conteúdos falsos ou distorcidos prosperam impulsionados pelo volume de circulação. Ainda assim, a “sociedade da informação” oferece uma resposta centrada no indivíduo, privilegiando competências críticas e habilidades individuais para reconhecer narrativas falsas. Em vez de enfrentar as condições em que a desinformação circula, essa abordagem desloca para o sujeito a responsabilidade de distingui-la da informação. Como observa o pesquisador Rodrigo Moreno Marques (UFMG), o foco recai sobre as habilidades individuais, e não sobre o ambiente em que essas narrativas são produzidas, circulam e se fortalecem. A desinformação não pode ser resumida ou atribuída a falhas pessoais de interpretação. Trata-se de um fenômeno que estrutura estratégias de poder: em vez de circular espontaneamente, ela se articula com interesses econômicos e políticos, além de formas de organização da comunicação nas plataformas, como exemplificam as mobilizações da extrema direita no espaço digital. Para compreender esse funcionamento, é preciso relacionar informação e desinformação à crítica da economia política. Conceitos como alienação e fetichismo, formulados pelo filósofo e economista alemão Karl Marx, ajudam a iluminar uma realidade em que narrativas operam como fatos e a circulação de conteúdos se articula a questões econômicas e sociais. Nesse quadro, o regime de informação/desinformação passa a tensionar a própria democracia. Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos (1844), Marx demonstrou que o capital provém da exploração dos trabalhadores e da acumulação de riquezas. Essa discussão importa porque essas relações de exploração se reconfiguram no ambiente digital, em que essa tecnologia se tornou a “indústria-base” da acumulação capitalista. Com ela, a informação converte-se em monetização e o modelo de negócio das plataformas aprofunda a acumulação de capitais, ampliando as desigualdades sociais. Enquanto tecnologias digitais expandem mercados e multiplicam fluxos informacionais, novas formas de exploração se consolidam e o capital se concentra cada vez mais. Nesse contexto, o atual regime informacional precisa ser compreendido como parte do capitalismo para podermos falar de desinformação. O novo regime de informação O modo como a vida material e o trabalho são produzidos e organizados influencia a forma como pensamos e nos comunicamos. Em sociedades plataformizadas, em contínua expansão, as redes sociais e as big techs distribuem informação e influenciam a organização e produção da vida social, estruturada a partir de uma base econômica. As condições materiais de existência dão origem a uma superestrutura composta por dimensões sociais, políticas, culturais e intelectuais. Assim, o conceito de alienação ajuda a entender efeitos da informação mediada pelas plataformas. Alienação ocorre quando deixamos de reconhecer ou controlar o produto de nosso trabalho. E isso se intensifica no ambiente das plataformas que retroalimenta a dinâmica de acumulação. Usuários produzem dados e conteúdos que alimentam sistemas econômicos sem que possam controlar o uso dessas informações. Em A Sociedade do Espetáculo, o filósofo e cineasta francês Guy Debord trata do indivíduo alienado pela sociedade moderna. Quanto mais o trabalhador (usuário) produz conteúdos e interações, menos vive essa experiência, se reconhecendo em imagens e narrativas dominantes, sem compreender sua posição no sistema. Quanto mais alienado do resultado de sua atividade, mais assume o papel de espectador. Temos, portanto, a consolidação de um espetáculo alimentado por um estágio avançado de produção de mais-valor (o valor gerado pela atividade do trabalhador/usuário e apropriado economicamente pelas plataformas). Nessas condições, a participação é convertida em matéria-prima. O modelo de negócio plataformizado move-se pela expropriação do tempo real do trabalhador/usuário, que ao mesmo tempo produz e consome, sob uma sensação de liberdade que não corresponde às relações efetivas em que está inserido. Nesse ambiente, atividades antes ligadas ao convívio social e ao lazer passam a ser mediadas pelo consumo e pela visibilidade nas plataformas. O espetáculo descrito por Debord se atualiza: relações sociais são filtradas e organizadas por uma lógica mercantil que transforma experiências em produtos. Informação e desinformação alienam e circulam nas redes como produtos do trabalho social. Essa produção favorece distorção, simplificação e manipulação de conteúdos. O resultado é um ambiente informacional que dificulta uma compreensão crítica da realidade. Sob a lente da economia política No novo regime de informação, mudam os meios e dispositivos e as plataformas se multiplicam, mas o capitalismo segue impondo as regras do jogo. Tecnologias ampliam o alcance e a velocidade dos fluxos informacionais, enquanto as mesmas lógicas de acumulação continuam organizando a produção e circulação

Semana Santa em Ouro Preto: A Profunda Herança Portuguesa que Molda a Tradição

Foto: Ane Souz A Semana Santa em Ouro Preto é um espetáculo de fé e tradição que anualmente atrai milhares de visitantes, mas poucos compreendem a profundidade da sua conexão com Portugal. Longe de ser uma mera reprodução, a celebração ouro-pretana é uma complexa adaptação da pompa barroca lusa, que se enraizou e floresceu nas Minas Gerais do século XVIII, moldando ritos, estética e a própria identidade cultural da cidade. O fato principal que permeia as celebrações é a herança direta dos ritos e da organização eclesiástica portuguesa. As procissões, os sermões e a teatralidade da Paixão de Cristo, que transformam as ruas históricas em um palco sagrado, são ecos de práticas introduzidas pelos colonizadores. A professora Adalgisa Arantes Campos, especialista em Barroco e irmandades, destaca que a “Semana Santa na América Portuguesa” foi estruturada pelas Ordens Terceiras e Irmandades do Santíssimo Sacramento, instituições que vieram de Portugal e se tornaram o pilar da vida social e religiosa colonial . Essas irmandades não apenas organizavam os eventos, mas também financiavam a construção e ornamentação das igrejas, essenciais para a grandiosidade das celebrações. O desdobramento dessa influência é visível em diversos aspectos. A estética barroca, com sua ênfase no “maravilhamento” e na emoção, é uma marca indelével. Suzel Ana Reily, pesquisadora da música e da cultura barroca, explica que a teatralidade das procissões, como o “Sermão do Descendimento da Cruz” e o “Sermão do Encontro”, visava persuadir os fiéis através da mobilização dos sentidos, uma pedagogia visual que remonta ao Concílio de Trento e foi amplamente aplicada em Portugal e suas colônias . As imagens de “roca”, que permitem a troca de vestes e o movimento durante as procissões, são exemplos dessa herança, permitindo uma representação mais vívida e participativa da Paixão. Outro elemento marcante são os tapetes devocionais, que cobrem as ruas de Ouro Preto com serragem colorida e flores. Essa tradição, que hoje é um dos pontos altos da Semana Santa, tem sua origem em Portugal, especificamente nas ilhas dos Açores e Madeira, e foi introduzida em Ouro Preto por volta de 1733, durante as festividades do “Triunfo Eucarístico” . A música também desempenha um papel crucial, com orquestras e coros executando peças em latim e composições coloniais, como as de Lobo de Mesquita, mantendo viva a sonoridade do século XVIII e a conexão com a tradição musical sacra portuguesa. Recentemente, o antropólogo Edilson Pereira publicou a obra “A Paixão pela Memória: Imagem, ritual e teatro em Ouro Preto” (2024/2025), um estudo etnográfico que reforça a complexidade e a vivacidade dessa herança. O lançamento do livro, inclusive em Portugal, sublinha a relevância transatlântica dessas tradições e a contínua pesquisa sobre suas raízes . A Semana Santa de Ouro Preto, portanto, não é apenas uma festa religiosa, mas um patrimônio vivo que reflete a capacidade de uma comunidade de preservar e reinterpretar uma herança cultural rica e multifacetada, mantendo um diálogo constante com suas origens portuguesas.

Acontece hoje (11): Mariana realiza oficina para construir Plano Municipal dos Direitos das Mulheres

Encontro promovido pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos será às 18h, no Centro de Convenções, e busca reunir poder público e sociedade civil na formulação de metas para políticas públicas voltadas às mulheres no município. Mariana promove nesta quarta-feira, 11 de março, a oficina de elaboração do Plano Municipal dos Direitos das Mulheres. Aberta à participação popular, a atividade acontece às 18h, no Centro de Convenções, e integra o esforço de construção coletiva de diretrizes para a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento das desigualdades no município. Um plano para orientar políticas públicas A proposta é transformar escuta em política pública. A oficina marcada para hoje pretende reunir contribuições da sociedade civil para um documento que deve orientar ações do município em diferentes frentes, da proteção de direitos à ampliação da participação das mulheres na vida social. Segundo a convocação divulgada pela prefeitura, o plano servirá como instrumento de organização de metas e prioridades para a atuação do poder público. Em vez de um texto restrito ao gabinete, a ideia é construir o plano a muitas mãos. Após essa etapa participativa, o documento será encaminhado ao Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, responsável pelo controle social e pelo acompanhamento da efetivação das propostas. Participação popular no centro do processo A gestão municipal tem apresentado a participação da população como peça essencial para que o plano reflita as demandas reais das mulheres de Mariana. O chamamento público divulgado nos canais oficiais da prefeitura também incentiva inscrições prévias para ampliar a presença da comunidade no debate. Num município em que a vida pública ainda carrega marcas profundas de desigualdade, discutir direitos das mulheres em espaço aberto tem peso que vai além do calendário institucional. É nesse tipo de encontro que a política deixa de ser apenas promessa e começa, de fato, a ganhar corpo na escuta. Essa leitura é uma inferência a partir do objetivo público da oficina e do papel atribuído ao plano.